Pensava que desde que nasci tinhamos um entendimento único.
Foste anos a fio o meu porto seguro, o meu ídolo, aquele que estaria lá sempre para mim.
A certa altura substituí o ídolo da infância por uma admiração profunda. Que teimo em manter.
Mas custa-me caro. Aceito, mas não sem dor, que tentaste e tentas permanecer o único.
Que não me aceitas como sou... mas como pensas que poderia ser. Que não compreendes a minha felicidades... mas somente a que achavas que eu devia ter.
Paciência. Já não estou aí há muito tempo.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
Frágil ciência
Chego-me a ti, encosto-me e ficamos assim... horas infindas.
Baixo algumas baias de segurança e sinto um muro ou outro a pedir-me para ruir.
Vou resistindo. O que posso... enquanto posso. O que não quero.
E devagar vou acreditando. Essa ciência frágil que esqueci durante anos no canto de uma gaveta empoeirada.
Até quando... até quando quisermos.
E o sempre ganha novo alento e volta a respirar.
Até quando... até sempre.
Baixo algumas baias de segurança e sinto um muro ou outro a pedir-me para ruir.
Vou resistindo. O que posso... enquanto posso. O que não quero.
E devagar vou acreditando. Essa ciência frágil que esqueci durante anos no canto de uma gaveta empoeirada.
Até quando... até quando quisermos.
E o sempre ganha novo alento e volta a respirar.
Até quando... até sempre.
sábado, 30 de março de 2013
Arrastar
Arrastas-te nesta vida agarrado a um passado que não tiveste.
A uma infância de dor.
Agarras-te a falsos conceitos e recrias ao minuto os teus próprios preconceitos.
E assim vais vivendo.
Soberbamente... dono da razão.
Uma triste razão de quem foi deixando a vida passar.
A uma infância de dor.
Agarras-te a falsos conceitos e recrias ao minuto os teus próprios preconceitos.
E assim vais vivendo.
Soberbamente... dono da razão.
Uma triste razão de quem foi deixando a vida passar.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Mãos
Dou-te as minhas mãos, entrego-tas... sem medo, sem pudores.
Na esperança de um nada, que se vai revelando um tudo.
Sabendo de antemão que um dia, sem pré-aviso, partiremos em direções opostas.
Sem mágoas e com uma mão cheia de recordações e a outra repleta de carinhos.
Sem sabermos como... talvez vivamos para sempre no sorriso um do outro.
Na esperança de um nada, que se vai revelando um tudo.
Sabendo de antemão que um dia, sem pré-aviso, partiremos em direções opostas.
Sem mágoas e com uma mão cheia de recordações e a outra repleta de carinhos.
Sem sabermos como... talvez vivamos para sempre no sorriso um do outro.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Palavras
Quero entregar-me às palavras e perder-me nelas durante a minha eternidade finita.
Desejo brincar com as palavras e jogar-lhes com os sentidos.
E pegar nelas... e embrenhá-las em mim. Formar um único ser... construído, constituído, sustentado pelas palavras.
Palavras que serão amantes, amigas, confidentes, pai e mãe, filhas queridas.
Palavras que desenharei no ar de um mundo muito meu.
As palavras serão o meu manto, que me embrulhará em dias de gelo...o meu único legado a quem amo.
E no dia em que as palavras adormecerem ao meu lado... nesse dia morro feliz.
Levo comigo as palavras que deixo.
Desejo brincar com as palavras e jogar-lhes com os sentidos.
E pegar nelas... e embrenhá-las em mim. Formar um único ser... construído, constituído, sustentado pelas palavras.
Palavras que serão amantes, amigas, confidentes, pai e mãe, filhas queridas.
Palavras que desenharei no ar de um mundo muito meu.
As palavras serão o meu manto, que me embrulhará em dias de gelo...o meu único legado a quem amo.
E no dia em que as palavras adormecerem ao meu lado... nesse dia morro feliz.
Levo comigo as palavras que deixo.
terça-feira, 12 de março de 2013
O amor hesita
“VAI. Se der medo, vai com medo mesmo”. A frase gritou-lhe de uma parede qualquer, de uma
rua qualquer, de uma cidade qualquer, deste mundo.
Olha para o telemóvel… mais um vez. Já perdeu a conta às vezes que o tirou do bolso das
calças e se sentiu tentado a ligar. Hesita… tanto.
Minutos de angústia. Medo de seguir em frente, medo de arriscar. Um medo que lhe tolhe a
capacidade de decidir, que o inunda de receios, anseios e medos, que crescem e o abocanham.
É feliz? Não. Sente que não. Tenta trautear umas cantigas e ensaia uns números de
ilusionismo. Mas a desesperança tomou-lhe conta da vida.
Volta a pegar no telefone. Rabisca uma mensagem que morre ali mesmo, entre um ai e um
suspiro, entre um minuto e outro.
Sensação de desperdício que se descontrola. Um amor trancado em si… que hesita.
Carta
Lisboa, 11 de março de 2013
Minha querida e, sem dúvida, melhor amiga,
Tenho saudades tuas. Digo-te isto assim… sem medos, sem pudores, sem reservas.
Desapareceste há já alguns anos, que são para mim longos demais. Sinto a tua falta, da
tua gargalhada solta, dos teus pés no chão… do teu colo.
Onde tens tu estado quando mais precisei? Tu que tens estado sempre para todos… não
tens o direito de desaparecer assim de mim.
Fazes-me falta… com a tua capacidade de acreditar sempre, em todas as circunsâncias,
com a tua força interior que transborda e se espalha como se tudo fosse uma festa. Tu,
que transportas em ti a ingenuidade de quem quer mudar o mundo, e acredita que o
pode fazer.
Preciso de ti mais tempo ao meu lado, em mim. Somos dois lados da mesma moeda (eu
sei, parece banal, uma frase batida e ôca. mas eu sinto-nos assim). Preciso de ti alegre,
com a vida que sempre transportas.
Preciso de ti!!!
Um enorme beijo cheio de esperança…
…de mim…
… para mim.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Esperanças
Um dia tudo muda.
A brisa deixa de correr, as aves silenciam-se, os arbustos ficam imóveis... e tudo muda.
Talvez o sol volte a brilhar. Talvez arranje forças para afastar as nuvens.
Pé ante pé uma pequníssima flor desperta... empurrado torrões de areia pesados.
Ao longe, um riacho volta a salpicar a terra seca em volta.
E todo este brilho ganha um nome... esperança!!!
A brisa deixa de correr, as aves silenciam-se, os arbustos ficam imóveis... e tudo muda.
Talvez o sol volte a brilhar. Talvez arranje forças para afastar as nuvens.
Pé ante pé uma pequníssima flor desperta... empurrado torrões de areia pesados.
Ao longe, um riacho volta a salpicar a terra seca em volta.
E todo este brilho ganha um nome... esperança!!!
quarta-feira, 6 de março de 2013
Sair
Puseste-me o braço por cima dos ombros...
e eu fiquei ali... suspensa.
Desejei que o tempo parasse.
Desejei sermos um... e estivemos tão perto.
Nem nós o soubemos bem.
Nem nós soubemos o quanto...
Ali, naquele abraço... naquele beijo impar.
Voei, durante dias...com o tem braço a apertar-me pela cintura.
Um dia saíste de mim...
Até quando... provavelmente, até sempre.
e eu fiquei ali... suspensa.
Desejei que o tempo parasse.
Desejei sermos um... e estivemos tão perto.
Nem nós o soubemos bem.
Nem nós soubemos o quanto...
Ali, naquele abraço... naquele beijo impar.
Voei, durante dias...com o tem braço a apertar-me pela cintura.
Um dia saíste de mim...
Até quando... provavelmente, até sempre.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Chuva
Lá fora a chuva começou miudinha pela manhã.
E persistente, foi engrossando as lágrimas.
Cá dentro já chove também.
Há semanas que chove sem parar.
Suspiro e respiro.
Espero que passe... e que lave, renove...
E quando parar... talvez a vida recomece.
E persistente, foi engrossando as lágrimas.
Cá dentro já chove também.
Há semanas que chove sem parar.
Suspiro e respiro.
Espero que passe... e que lave, renove...
E quando parar... talvez a vida recomece.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Almofadas
Atiro-me para cima da cama...
onde ainda está o teu cheiro.
E enterro a cabeça na almofada,
tentando em vão adormecer.
Ordeno ao meu cérebro que se desligue,
ultrapassando a barreira da consciência e o limite do ser.
Olhar vazio posto no nada,
num anestesiamento que me convém...
num mutismo a que me agarro.
Permaneço... assim.
onde ainda está o teu cheiro.
E enterro a cabeça na almofada,
tentando em vão adormecer.
Ordeno ao meu cérebro que se desligue,
ultrapassando a barreira da consciência e o limite do ser.
Olhar vazio posto no nada,
num anestesiamento que me convém...
num mutismo a que me agarro.
Permaneço... assim.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Levantar
Levantei-me a custo.
Corpo entorpecido... dorido.
Dei os primeiros passos na direção de um vazio que sempre me acompanha.
Fiel... a mim mesma.
Um cansaço triste que me quebra as pálpebras.
As mãos em abandono, caidas ao correr do corpo.
Sigo. Dormente. Anestesiada.
Tento não sentir.
Luto... de luto.
Corpo entorpecido... dorido.
Dei os primeiros passos na direção de um vazio que sempre me acompanha.
Fiel... a mim mesma.
Um cansaço triste que me quebra as pálpebras.
As mãos em abandono, caidas ao correr do corpo.
Sigo. Dormente. Anestesiada.
Tento não sentir.
Luto... de luto.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Palavras
As últimas palavras. Serão estas?
Perdi.
Deponho as armas a teus pés.
E entre soluços contidos... parto.
Um regresso a mim.
Um sair de ti.
Um nós sonhado...
...que se ficou por um desejo ardente e inacabado.
Cabeça erguida num orgulho de batalha injusta.
Limpo o sangue que escorre pela minha cara.
Arranco a terra barrenta que se agarrou à minha pele.
Tento lembrar-me como se respira e tirar o teu cheiro que me envolve.
Gotas de ouro que se cravaram na minha alma.
E um minuto de cada vez vou lembrando as palavras ditas...
...que achei serem tão sinceras...
Quis acreditar...
Perdi.
Deponho as armas a teus pés.
E entre soluços contidos... parto.
Um regresso a mim.
Um sair de ti.
Um nós sonhado...
...que se ficou por um desejo ardente e inacabado.
Cabeça erguida num orgulho de batalha injusta.
Limpo o sangue que escorre pela minha cara.
Arranco a terra barrenta que se agarrou à minha pele.
Tento lembrar-me como se respira e tirar o teu cheiro que me envolve.
Gotas de ouro que se cravaram na minha alma.
E um minuto de cada vez vou lembrando as palavras ditas...
...que achei serem tão sinceras...
Quis acreditar...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Remar
Demoro-me em ti. Tanto tempo. Todo o tempo que posso.
Perco-me em memórias curtas.
E a tua ausência marca-me o corpo e a alma. A tua indiferença doi-me muito.
Vai-me rasgando por dentro, reabrindo feridas antigas.
E no tempo saberei que novas feridas se abrirão.
O peito aperta-se-me e o ar passa com dificuldade.
Busco por sinais que se esbatem a cada segundo.
Tento continuar, não desistir. Tento acreditar.
Começo a ficar tolhida por um cansaço tão meu conhecido.
O cansaço de quem rema sempre sozinha.
Solidão.
Perco-me em memórias curtas.
E a tua ausência marca-me o corpo e a alma. A tua indiferença doi-me muito.
Vai-me rasgando por dentro, reabrindo feridas antigas.
E no tempo saberei que novas feridas se abrirão.
O peito aperta-se-me e o ar passa com dificuldade.
Busco por sinais que se esbatem a cada segundo.
Tento continuar, não desistir. Tento acreditar.
Começo a ficar tolhida por um cansaço tão meu conhecido.
O cansaço de quem rema sempre sozinha.
Solidão.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Guerras
Porque tem de ser tudo tão difícil... tão doloroso?
Porque há de vir tudo carregado com uma dose de sofrimento?
Estou cansada de guerras de onde saio esfarrapada e com a alma esventrada.
Mesmo que vitoriosa, a dor vem sempre agarrada à minha pele, como se de mim fizesse parte.
A dor... uma segunda camada de mim mesma que teima em não me largar.
Olhos a cada dia mais baços pela tristeza do que me rodeia e de que me rodeio.
Os meus olhos interiores que veem cada vez mais fundo e mais longe. E carregam as dores das existências.
Finjo institivamente uma alegria que há muito não existe... procura-a indefinidamente... e um estar viva que cada vez mais se aproxima da morte.
Um esvaimento lento e prolongado, que me persegue de forma perguiçosa mas tenaz.
Um dia ficará somente um rasto de poeira...
Porque há de vir tudo carregado com uma dose de sofrimento?
Estou cansada de guerras de onde saio esfarrapada e com a alma esventrada.
Mesmo que vitoriosa, a dor vem sempre agarrada à minha pele, como se de mim fizesse parte.
A dor... uma segunda camada de mim mesma que teima em não me largar.
Olhos a cada dia mais baços pela tristeza do que me rodeia e de que me rodeio.
Os meus olhos interiores que veem cada vez mais fundo e mais longe. E carregam as dores das existências.
Finjo institivamente uma alegria que há muito não existe... procura-a indefinidamente... e um estar viva que cada vez mais se aproxima da morte.
Um esvaimento lento e prolongado, que me persegue de forma perguiçosa mas tenaz.
Um dia ficará somente um rasto de poeira...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Qual é o seu maior medo?
Revolve-se e revolta-se na cama. O suor tomou conta dos cabelos curtos e encaracolados.
Tom aloirado na pele morena. E começa a ensopar a almofada branca e a molhar a gola do
pijama onde alguns astronautas pairam num fundo verde.
Um carro desgovernado, numa rua a preto e branco, de uma cidade a preto e branco, sai desgovernado de uma das curvas da vida. De repente estou deitado no chão. Muita gente à volta e um fio de sangue vivo, muito vivo, escorregue-me pela boca. Sons ao longe, que se afastam cada vez mais e o branco desaparece deixando só o preto.
Lençóis e mantas estão já enrodilhados ao fundo da cama, sem tocar o chão. E o desassossego
continua a acompanhar-lhe o sono. Eterniza-se ali por minutos que se trocam nas horas e se
pedem entre os segundos.
Tanta luz e uma aflição imensa. Horas depois uma cadeira de rodas a colar-se-me ao corpo. A enredar-se-me nas pernas, sobe-me pela anca e tolhe-me os movimentos do tronco e dos braços. Sobra-me uma cabeça pensante e lúcida, que gira de forma estonteante. E o homem aranha que não chega.
Senta-se na cama, olhos fechados. Solta um grito rouco. Enrodilha-se em si próprio. E ali fica,
imóvel. Um bocado de ser que quer voltar ao quente e húmido do ventre da mãe.
Estou preso por lianas muito finas, que se transformam em novelos de lã de cores garridas… começam a apertar. Não tenho ar. E ao fundo o meu pequeno amor olha-me com indiferença. Estou no pátio da escola. E ela senta-se à minha frente de pernas cruzada, com o nariz pequenino encostado ao meu. Olhar frio, desprovido de mim…
Faço-lhe uma festa na cabeça. Volto a aconchegar-lhe as roupas. Beijo-lhe os cabelos. Ele
aninha-se e sossega, por fim.
Tom aloirado na pele morena. E começa a ensopar a almofada branca e a molhar a gola do
pijama onde alguns astronautas pairam num fundo verde.
Um carro desgovernado, numa rua a preto e branco, de uma cidade a preto e branco, sai desgovernado de uma das curvas da vida. De repente estou deitado no chão. Muita gente à volta e um fio de sangue vivo, muito vivo, escorregue-me pela boca. Sons ao longe, que se afastam cada vez mais e o branco desaparece deixando só o preto.
Lençóis e mantas estão já enrodilhados ao fundo da cama, sem tocar o chão. E o desassossego
continua a acompanhar-lhe o sono. Eterniza-se ali por minutos que se trocam nas horas e se
pedem entre os segundos.
Tanta luz e uma aflição imensa. Horas depois uma cadeira de rodas a colar-se-me ao corpo. A enredar-se-me nas pernas, sobe-me pela anca e tolhe-me os movimentos do tronco e dos braços. Sobra-me uma cabeça pensante e lúcida, que gira de forma estonteante. E o homem aranha que não chega.
Senta-se na cama, olhos fechados. Solta um grito rouco. Enrodilha-se em si próprio. E ali fica,
imóvel. Um bocado de ser que quer voltar ao quente e húmido do ventre da mãe.
Estou preso por lianas muito finas, que se transformam em novelos de lã de cores garridas… começam a apertar. Não tenho ar. E ao fundo o meu pequeno amor olha-me com indiferença. Estou no pátio da escola. E ela senta-se à minha frente de pernas cruzada, com o nariz pequenino encostado ao meu. Olhar frio, desprovido de mim…
Faço-lhe uma festa na cabeça. Volto a aconchegar-lhe as roupas. Beijo-lhe os cabelos. Ele
aninha-se e sossega, por fim.
Caminhar
Caminho aqui... mesmo aqui. Ao teu lado.
Qualquer coisa estica a mão e agarra a minha. Sente-a.
Podes apertá-la com força... quando quiseres, quando precisares.
Ou só porque sim. Ou trazê-la junto a ti.
Basta estarmos.
Qualquer coisa estica a mão e agarra a minha. Sente-a.
Podes apertá-la com força... quando quiseres, quando precisares.
Ou só porque sim. Ou trazê-la junto a ti.
Basta estarmos.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Fugir
Foge para mim... e não voltes a olhar para trás.
Não te prendas em dores que te precipitam para o nada. E te rasgam por dentro.
Guarda a arca das boas recordações e segue em frente.
Traz-te somente a ti... e aos teus.
Toma... a minha mão. É nossa.
Não te prendas em dores que te precipitam para o nada. E te rasgam por dentro.
Guarda a arca das boas recordações e segue em frente.
Traz-te somente a ti... e aos teus.
Toma... a minha mão. É nossa.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
“A pior coisa na vida é...”
Enrodilhada numa teia de mentiras e desonestidades caminha de cabeça
baixa, amor próprio ferido de morte, olhos no chão, com lágrimas a quererem
irromper a qualquer momento e que trava à força, dor no peito.
Está perdida… no mundo, na cidade, na vida. Pior, perdeu-se há muito dela e
dentro dela.
Quer fazer algo, mudar o seu rumo, escrever de outra forma o seu destino.
Quer escolher outros tons para si e para a sua vida. Tons mais claros, mais
abertos, mais límpidos. Tons que a mostrem a ela e não ao monstro em que se
tem vindo a tornar.
Mas não sabe como, não sabe por onde começar. Sente-se aprisionada num
mundo negro e de dor que ela própria criou. Ela é a única responsável e sabe
disso… e vive isso todos os dias.
Volta a casa na esperança, que nunca morre, de encontrar ali a ponta por onde
vai pegar, o brilho e o viço dos quais se perdeu com o avançar da idade.
Enrodilha o seu corpo num canto onde fica horas…Pela sua cabeça, que nada
do que foi obrigada a fazer lhe perdoa, voam, numa sucessão estonteante,
todos os momentos dos seus últimos anos. Um espelho da mentira em que se
tornou… por fim adormece.
Sentir
Durante dias senti-te...colado em mim.
A lembrança das tuas mãos no meu corpo faziam-me estremecer assustada.
A tua voz tão perto arrepiava-me.
Durante dias guardei estas memórias em forma de sensações.
De propósito agarrei-as as mim.
E com o passar dos dias os teus contornos foram-se esbatendo.
Aí...desejei novas memórias... novas sensações... toques renovados.
Em vão.
A lembrança das tuas mãos no meu corpo faziam-me estremecer assustada.
A tua voz tão perto arrepiava-me.
Durante dias guardei estas memórias em forma de sensações.
De propósito agarrei-as as mim.
E com o passar dos dias os teus contornos foram-se esbatendo.
Aí...desejei novas memórias... novas sensações... toques renovados.
Em vão.
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