Deu um aperto... pequeninooooo. Saudades.
Sei que um dia volto, tenho essa certeza inabalável.
Até lá vou ouvindo relatos, revivendo memórias e roendo imaginariamente as unhas, até não poder mais... e sonhando com o meu regresso.
Até lá vou despertando outros sorrisos e noutros sorrisos e com outros sorrisos.
E aprender a paciência... a calma... no meio da luta e das lutas.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Abandonos
E entregamo-nos ao abandono... durante horas, dias, às vezes anos.
Um abandono que mistura a calma com aquela pequena dor que nos conforta. E vamo-nos deixando andar assim, até pairarmos no incerto.
E quando damos por nós entregámo-nos em definitivo a esse abandono de tudo, de todos, de nós próprios.
E é aí que estamos lá. Que chegámos. Sem descansos.
Quando esse abandono se torna consciente e feliz.
Um abandono que mistura a calma com aquela pequena dor que nos conforta. E vamo-nos deixando andar assim, até pairarmos no incerto.
E quando damos por nós entregámo-nos em definitivo a esse abandono de tudo, de todos, de nós próprios.
E é aí que estamos lá. Que chegámos. Sem descansos.
Quando esse abandono se torna consciente e feliz.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Ver
Só tu não conseguiste ver as dimensões de um amor que passou tudo e por cima de (quase) tudo. Passou por cima dos que me amavam... e eu amava.
Passou por cima de muitos dos meus quereres...
Passou por cima de alguns sentires profundos...
E arrasou com grande parte do que demorei mais de 30 anos a construir.
Só tu não viste a dimensão desse amor!
Muitos não o compreenderam.
Só tu não percebeste que Tavira passou a ser uma opção.
Só tu não percebeste que troquei as Bahamas pela Jamaica.
Só tu não percebeste que passei a ter 3 filhos e que voltei a gostar de basket.
Só tu não viste que larguei a vida... soltei-me dela... desprendi-me.
Pairei simplesmente durante meses a fio...
Se me arrependo? Não. Só de não ter voltado a mim mesma mais cedo no tempo.
De resto... voltaria muito provavelmente a repetir tudo.
Porquê? Porque agora me ergo mais forte, mais capaz, de coluna mais direita ainda... com um sorriso renovado... independentemente de todo o socialmente condenável. Disso nem quero saber. Sempre fui uma outsider, para alguns a esquisita... e continuarei a ser.
Com o tempo ficarão só as boas lembraças. E não será complicado, também não são assim tantas. Muitas foram esmagadas por uma das dores mais profundas que alguma vez senti.
Soltei-me e perdi-me de mim. Estou a regressar...
E como eu adoro regressos!!!
Passou por cima de muitos dos meus quereres...
Passou por cima de alguns sentires profundos...
E arrasou com grande parte do que demorei mais de 30 anos a construir.
Só tu não viste a dimensão desse amor!
Muitos não o compreenderam.
Só tu não percebeste que Tavira passou a ser uma opção.
Só tu não percebeste que troquei as Bahamas pela Jamaica.
Só tu não percebeste que passei a ter 3 filhos e que voltei a gostar de basket.
Só tu não viste que larguei a vida... soltei-me dela... desprendi-me.
Pairei simplesmente durante meses a fio...
Se me arrependo? Não. Só de não ter voltado a mim mesma mais cedo no tempo.
De resto... voltaria muito provavelmente a repetir tudo.
Porquê? Porque agora me ergo mais forte, mais capaz, de coluna mais direita ainda... com um sorriso renovado... independentemente de todo o socialmente condenável. Disso nem quero saber. Sempre fui uma outsider, para alguns a esquisita... e continuarei a ser.
Com o tempo ficarão só as boas lembraças. E não será complicado, também não são assim tantas. Muitas foram esmagadas por uma das dores mais profundas que alguma vez senti.
Soltei-me e perdi-me de mim. Estou a regressar...
E como eu adoro regressos!!!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Vou arrumar as chuteiras
Há alturas em que a decisão mais acertada pode ser mesmo arrumar as chuteiras e sentarmo-nos no banco a ver o jogo.
E isso não tem de ser necessáriamente mau... pelo contrário. E sempre nos preservamos de alguns pontapés nas canelas (e nos rins) desnecessários. Já basta os que não podemos de todo evitar.
Eu estou nessa fase!!!
Estou sentada no banco, de chuteiras na mão a ver tudo... a observar tudo. E a aguardar pacientemente que "o" treinador sinta que eu estou capaz de entrar em campo como membro válido para a equipa.
Enquanto isso vou enchendo as minhas prateleiras com mais e mais livros, que cada vez menos penso em afastar de onde estão. Livros que são meus, num espaço muito umbilicalmente meu.
Num espaço onde cada particula de pó tem uma história feita da minha história e de outras histórias de outros.
E aguardo... também é bom poder estar só a ver.
E isso não tem de ser necessáriamente mau... pelo contrário. E sempre nos preservamos de alguns pontapés nas canelas (e nos rins) desnecessários. Já basta os que não podemos de todo evitar.
Eu estou nessa fase!!!
Estou sentada no banco, de chuteiras na mão a ver tudo... a observar tudo. E a aguardar pacientemente que "o" treinador sinta que eu estou capaz de entrar em campo como membro válido para a equipa.
Enquanto isso vou enchendo as minhas prateleiras com mais e mais livros, que cada vez menos penso em afastar de onde estão. Livros que são meus, num espaço muito umbilicalmente meu.
Num espaço onde cada particula de pó tem uma história feita da minha história e de outras histórias de outros.
E aguardo... também é bom poder estar só a ver.
domingo, 12 de julho de 2009
Amêndoa Amarga
Arrasta os pés, do corpo pinga suor, os músculos parecem rasgados e a querer desistir, o calor invade-lhe o corpo para logo de seguida o abandonar. O cabelo que resta está desgrenhado e sujo, a pele áspera e as unhas das mãos e dos pés pintadas de fresco e negras.
Encosta-se ao balcão e pede uma amêndoa amarga, que afinal é doce, e bebe de um gole. Pede outra, sem gelo. E bebe o mais devagar que consegue, o mais devagar que sabe, tão devagar pela primeira vez no seu quase meio século de existências.
E ali está e ali fica e ali perde a noção do tempo e do espaço, que nunca teve, que nunca quiz ter. E dali parte na sua última viagem, numa caminhada sem rumo definido e com linhas bem traçadas. Sem se desencostar do balcão, daquele balcão que poderia ser outro qualquer.
Encostada áquele balcão, onde todos os olhos fingem não a olhar, onde todos os olhos não a conseguem ver, perde-se... e encontra-se...
Encosta-se ao balcão e pede uma amêndoa amarga, que afinal é doce, e bebe de um gole. Pede outra, sem gelo. E bebe o mais devagar que consegue, o mais devagar que sabe, tão devagar pela primeira vez no seu quase meio século de existências.
E ali está e ali fica e ali perde a noção do tempo e do espaço, que nunca teve, que nunca quiz ter. E dali parte na sua última viagem, numa caminhada sem rumo definido e com linhas bem traçadas. Sem se desencostar do balcão, daquele balcão que poderia ser outro qualquer.
Encostada áquele balcão, onde todos os olhos fingem não a olhar, onde todos os olhos não a conseguem ver, perde-se... e encontra-se...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Um dia (destes)...
Um dia (destes)... vou à disney e a Paris e a Praga... e ao Vietnam e Cambodja... e a Barcelona, Viena e ilhas gregas.
Um dia (destes)... viajo no tempo e uso o teletranporte.
Um dia (destes)... apanho a boleia do mar e dos ventos.
Um dia (destes)... volto a sentir o aconceho de uns braços e o coração a querer saltar.
Um dia (destes)... breve... estão de volta.
Um dia (destes)... abraço o Mundo e os Mundos... sem dor.
Um dia (destes)... a culpa vai-se e esvai-se por completo.
Um dia (destes)... o sorriso a espaços permanece e o acreditar de corpo e alma regressa a casa.
Um dia (destes)... a vibração sobe ao limite, sem limites.
Um dia (destes)... os ténuos limites do limite alargam-se até se esfumarem no nada do todo.
Esse dia não é hoje... mas começa hoje... e é uma certeza no tempo e no espaço.
Um dia (destes)... viajo no tempo e uso o teletranporte.
Um dia (destes)... apanho a boleia do mar e dos ventos.
Um dia (destes)... volto a sentir o aconceho de uns braços e o coração a querer saltar.
Um dia (destes)... breve... estão de volta.
Um dia (destes)... abraço o Mundo e os Mundos... sem dor.
Um dia (destes)... a culpa vai-se e esvai-se por completo.
Um dia (destes)... o sorriso a espaços permanece e o acreditar de corpo e alma regressa a casa.
Um dia (destes)... a vibração sobe ao limite, sem limites.
Um dia (destes)... os ténuos limites do limite alargam-se até se esfumarem no nada do todo.
Esse dia não é hoje... mas começa hoje... e é uma certeza no tempo e no espaço.
terça-feira, 30 de junho de 2009
E quando...
E quando do outro lado do Mundo recebemos notícias surpreendentes...
E quando os amigos são mesmo amigos e sentimos isso de uma forma muito forte...
E quando há sempre alguém cá e lá para nós...
E quando recebemos sorrisos do lado de lá de um vidro baço...
E quando partilhamos enormes pequenezas da vida com pessoas muito grandes durante dias seguidos, que ameaçam tornar-se em anos...
E quando recebemos convites alegremente inesperados...
E quando recebemos ombros e somos ombros...
E quando os desabafos e as palavras mais simples nos unem...
É quando voltamos a Acreditar...
É quando a palavra Partilha faz todo o sentido na vida... finalmente!!!
E quando os amigos são mesmo amigos e sentimos isso de uma forma muito forte...
E quando há sempre alguém cá e lá para nós...
E quando recebemos sorrisos do lado de lá de um vidro baço...
E quando partilhamos enormes pequenezas da vida com pessoas muito grandes durante dias seguidos, que ameaçam tornar-se em anos...
E quando recebemos convites alegremente inesperados...
E quando recebemos ombros e somos ombros...
E quando os desabafos e as palavras mais simples nos unem...
É quando voltamos a Acreditar...
É quando a palavra Partilha faz todo o sentido na vida... finalmente!!!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Tapete voador
Maria escolheu ao pormenor o seu tapete voador... o tapete que a acompanharia durante toda esta vida, e quem sabe uma outra.
Quando o escolheu era menina do tamanho de uma ervilha e o seu tapete novo, novo e pouco maior que uma ervilha.
Maria foi crescendo e o tapete com ela. Maria atravessou ventos e tempestades, marés e brisas mais suaves, calores fortes com direito a escaldões, chuvas, chuviscos e neves... tudo com o seu tapete... tudo no seu tapete.
A meio da caminhada , mesmo a meio, já os dois tinham poeira entranhada na pele e rasgões, muitos, uns mais remendados que outros... já os dois tinham histórias para contar... já os dois tinha estórias para partilhar...um com o outro... com o Mundo.
E por esta vida, e quem sabe numa outra, acima de tudo ousaram sonhar!
(Abraço enorme Maria...ia. E obrigada pelo Rabisco)
Quando o escolheu era menina do tamanho de uma ervilha e o seu tapete novo, novo e pouco maior que uma ervilha.
Maria foi crescendo e o tapete com ela. Maria atravessou ventos e tempestades, marés e brisas mais suaves, calores fortes com direito a escaldões, chuvas, chuviscos e neves... tudo com o seu tapete... tudo no seu tapete.
A meio da caminhada , mesmo a meio, já os dois tinham poeira entranhada na pele e rasgões, muitos, uns mais remendados que outros... já os dois tinham histórias para contar... já os dois tinha estórias para partilhar...um com o outro... com o Mundo.
E por esta vida, e quem sabe numa outra, acima de tudo ousaram sonhar!
(Abraço enorme Maria...ia. E obrigada pelo Rabisco)
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Espinhos
Uma ligeira dor incomoda-lhe as costas... e essa dor aumenta, fina e penetrante atravessa-lhe o tronco e move-se cada vez com mais dificuldade.
E com medo não espreita. E com medo não toca.
Até que um enorme espelho a obriga a ver o espinho que tem cravado nas costas desde a eternidade.
Mas continua a não lhe mexer. Doi? Cada vez mais e mais. Mas aquela dor já a conhece por dentro e por fora. E a sua presença acaba por ser confortável de tão familiar.
E até a coragem vir assim será.
E quando a coragem veio, embalada pelos amores e desamores, arrancou finalmente a dor. E seguiu, diferente e indiferente às proximas dores.
Espinhos cravados nas costas que se enraizam e emaranham no corpo?!?!?
E com medo não espreita. E com medo não toca.
Até que um enorme espelho a obriga a ver o espinho que tem cravado nas costas desde a eternidade.
Mas continua a não lhe mexer. Doi? Cada vez mais e mais. Mas aquela dor já a conhece por dentro e por fora. E a sua presença acaba por ser confortável de tão familiar.
E até a coragem vir assim será.
E quando a coragem veio, embalada pelos amores e desamores, arrancou finalmente a dor. E seguiu, diferente e indiferente às proximas dores.
Espinhos cravados nas costas que se enraizam e emaranham no corpo?!?!?
domingo, 21 de junho de 2009
Amigos ;)
E eles estão lá... estão cá... sempre e para sempre. São sempre os do costume e muito menos do que aqueles que às vezes teimamos em querer acreditar.
Partilhamos vidas, partilhamos risos, partilhamos interiores.
Encostamos ombros, trocamos palavras... são os únicos a quem realmente nos damos... são os únicos que realmente se dão.
E eles estão sempre cá e nós estamos sempre lá.
E por mais que banalizemos a palavra... amigo... no fundo sabemos sempre quem eles são.
E esses mantemos sempre bem junto de nós... da nossa alma... do nosso coração... das nossas lembranças... das nossas histórias.
E é com eles que vamos fazendo...sempre...história.
E é com eles que o sempre ganha um sentido eterno!
("E é então que amigos nos oferecem leito, entra-se cansado e sai-se refeito, luta-se por tudo o que se leva a peito"; Primeiro Dia, Sérgio Godinho)
Partilhamos vidas, partilhamos risos, partilhamos interiores.
Encostamos ombros, trocamos palavras... são os únicos a quem realmente nos damos... são os únicos que realmente se dão.
E eles estão sempre cá e nós estamos sempre lá.
E por mais que banalizemos a palavra... amigo... no fundo sabemos sempre quem eles são.
E esses mantemos sempre bem junto de nós... da nossa alma... do nosso coração... das nossas lembranças... das nossas histórias.
E é com eles que vamos fazendo...sempre...história.
E é com eles que o sempre ganha um sentido eterno!
("E é então que amigos nos oferecem leito, entra-se cansado e sai-se refeito, luta-se por tudo o que se leva a peito"; Primeiro Dia, Sérgio Godinho)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Fôlegos
Inspiro bem até ao fundo, de um fôlego só. Retenho o ar o máximo que posso. E é quando percebo que o meu máximo sou eu a dar o meu melhor.
E aceito isso... respeito... e sorrio.
Mesmo que e quando os outros não percebem, não respeitam, não sorriem.
E sei que conseguirei sempre esticar esse máximo, mas já sem me violentar.
E espero por um amor feliz, sem o procurar e no meio dos meus amores felizes.
E volto a inspirar bem fundo, de um fôlego só. E volto a reter o ar o máximo que posso. E volto a sorrir.
E sei que vai ser assim esta vida e outra e outra.
E pela primeira vez nesta vida isso agrada-me.
E aceito isso... respeito... e sorrio.
Mesmo que e quando os outros não percebem, não respeitam, não sorriem.
E sei que conseguirei sempre esticar esse máximo, mas já sem me violentar.
E espero por um amor feliz, sem o procurar e no meio dos meus amores felizes.
E volto a inspirar bem fundo, de um fôlego só. E volto a reter o ar o máximo que posso. E volto a sorrir.
E sei que vai ser assim esta vida e outra e outra.
E pela primeira vez nesta vida isso agrada-me.
domingo, 14 de junho de 2009
Espaços
Arrumo um saco para... 1..2..3...5 dias. E sobra espaço. Um espaço imenso para o que é importante. A roupa fica num cantinho. E chocalha durante uma viagem inteira, durante uma vida inteira.
E pelo caminho a música fica lá longe, entre um ouvido e o outro, e a vida mais próxima corre em zumbidos de uma ponta à outra... do carro... da mala... da cabeça... das memórias.
E de repente aparece um espacinho para ti, que não se quer deixar crescer por medo. Sim, admito, por medo? É uma fraqueza, que o seja, não quero nem saber. E em tudo se vê sinais, daqueles que mandam parar, daqueles que alertam para que nem vale a pena voltar a tentar, que o resultado final será sempre uma cara em ferida.
Vou tentando lutar contra isso, mas é um esforço bem fraco... eu sei.
E a concha fecha e eu atiro-me lá para dentro no segundo anterior.
E está quentinho lá dentro. E isso é... seguro.
O carro pára onde é suposto parar e os únicos braços que não ferem enrolam-se no meu pescoço... e eternizo-me assim.
E pelo caminho a música fica lá longe, entre um ouvido e o outro, e a vida mais próxima corre em zumbidos de uma ponta à outra... do carro... da mala... da cabeça... das memórias.
E de repente aparece um espacinho para ti, que não se quer deixar crescer por medo. Sim, admito, por medo? É uma fraqueza, que o seja, não quero nem saber. E em tudo se vê sinais, daqueles que mandam parar, daqueles que alertam para que nem vale a pena voltar a tentar, que o resultado final será sempre uma cara em ferida.
Vou tentando lutar contra isso, mas é um esforço bem fraco... eu sei.
E a concha fecha e eu atiro-me lá para dentro no segundo anterior.
E está quentinho lá dentro. E isso é... seguro.
O carro pára onde é suposto parar e os únicos braços que não ferem enrolam-se no meu pescoço... e eternizo-me assim.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Tempos no tempo do tempo
É tempo de parar...
De poisar as palavras num canto, para que ressurjam mais à frente entre sorrisos e com mais garra.
É tempo de sentar com as pernas à chinês e simplesmente... pensar...parar.
É tempo de apanhar com o vento na cara, no cabelo e saber que isso é muito bom.
É tempo de limpar as armas para as guardar.
É tempo de lutar sem armas, com as as mãos e os risos e os sorrisos.
É tempo de deixar que o coração bata ao seu ritmo, nem que isso implique que ele páre a espaços.
É tempo de pestanejar e de deixar a poeira entranhar-se.
De sentir... e sentir... e deixar sentir.
De fintar os arranhões e lamber as lágrimas, que voltaram... para ficar...para escorregar pelo cantinho da cara.
É tempo de viver!!!
"É tempo de ser forte, atar os ténis com dois nós. Abraçar o vento norte, sorrir a quem se ri de nós", Susana Félix
De poisar as palavras num canto, para que ressurjam mais à frente entre sorrisos e com mais garra.
É tempo de sentar com as pernas à chinês e simplesmente... pensar...parar.
É tempo de apanhar com o vento na cara, no cabelo e saber que isso é muito bom.
É tempo de limpar as armas para as guardar.
É tempo de lutar sem armas, com as as mãos e os risos e os sorrisos.
É tempo de deixar que o coração bata ao seu ritmo, nem que isso implique que ele páre a espaços.
É tempo de pestanejar e de deixar a poeira entranhar-se.
De sentir... e sentir... e deixar sentir.
De fintar os arranhões e lamber as lágrimas, que voltaram... para ficar...para escorregar pelo cantinho da cara.
É tempo de viver!!!
"É tempo de ser forte, atar os ténis com dois nós. Abraçar o vento norte, sorrir a quem se ri de nós", Susana Félix
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Pureza(s)
E quando se perde a pureza perde-se a essência.
E tentamos , quase sempre em vão, agarrarmo-nos a qualquer coisa... qualquer coisa que nos tire da lama em que vivemos. Tentamos desesperadamente procurar e agarra o que resta, para sabermos quem somos... se é este o caminho.
E a lama vai subindo, e pomo-nos em bicos de pés numa luta para manter a cabeça de fora.
Tiramos do nariz e dos olhos, vezes sem conta, aquela massa castanha e mal cheirosa que nos rodeia.
Até que... desistimos de lutar... e aprendemos a viver na lama e com a lama...
...ou não!!! Nunca!!!
E tentamos , quase sempre em vão, agarrarmo-nos a qualquer coisa... qualquer coisa que nos tire da lama em que vivemos. Tentamos desesperadamente procurar e agarra o que resta, para sabermos quem somos... se é este o caminho.
E a lama vai subindo, e pomo-nos em bicos de pés numa luta para manter a cabeça de fora.
Tiramos do nariz e dos olhos, vezes sem conta, aquela massa castanha e mal cheirosa que nos rodeia.
Até que... desistimos de lutar... e aprendemos a viver na lama e com a lama...
...ou não!!! Nunca!!!
terça-feira, 2 de junho de 2009
ping...pong...ping...
Ping...ping...ping...pong.
Cá e lá... Um ontem e um hoje. E o amanhã, quando virá? Virá... virá... virá...
Aqui e ali... Intemporalidade infindável. Respeito.
Que sede... água... água...só água mata a sede. Esta sede.
E o corpo exausto repousa ligeiramente poisado nos lençois brancos de Verão. Já nem deixa marca, os vincos vão-se apagando.
Ping...ping...ping...pong.
Asas suspendem, presas nas costas, fora da caixa.
Pés a exactamente 1 cm do chão... nem mais... nem menos... 1 cm exacto, calculado milimetricamente... por hoje.
Mãos que picam, borbulham, aquecem... e aquecem-nos. Uma chama invisível que descansa na ponta de cada um dos 10 dedos. Mindinho... Seu vizinho... Pai de todos... Fura bolos... e Mata piolhos.
Em lenga-lenga, em alvoroço, em gargalhadas escancaradas.
Ping...ping...ping...pong.
Aqui e ali, agora ou nunca, sempre, para sempre e para depois...
Saltita aqui... Senta ali... ali debaixo do banco, da mesa, dá árvore. Saltita... saltita... saltita.
Pingos de luz pequeninos respingam e enchem um Mundo até transbordar.
E Lilliput desaparece, esfuma-se, fica ainda mais pequena, insignificante. Porque à volta o Mundo acrescenta-se e engrandece.
Cá e lá... Um ontem e um hoje. E o amanhã, quando virá? Virá... virá... virá...
Aqui e ali... Intemporalidade infindável. Respeito.
Que sede... água... água...só água mata a sede. Esta sede.
E o corpo exausto repousa ligeiramente poisado nos lençois brancos de Verão. Já nem deixa marca, os vincos vão-se apagando.
Ping...ping...ping...pong.
Asas suspendem, presas nas costas, fora da caixa.
Pés a exactamente 1 cm do chão... nem mais... nem menos... 1 cm exacto, calculado milimetricamente... por hoje.
Mãos que picam, borbulham, aquecem... e aquecem-nos. Uma chama invisível que descansa na ponta de cada um dos 10 dedos. Mindinho... Seu vizinho... Pai de todos... Fura bolos... e Mata piolhos.
Em lenga-lenga, em alvoroço, em gargalhadas escancaradas.
Ping...ping...ping...pong.
Aqui e ali, agora ou nunca, sempre, para sempre e para depois...
Saltita aqui... Senta ali... ali debaixo do banco, da mesa, dá árvore. Saltita... saltita... saltita.
Pingos de luz pequeninos respingam e enchem um Mundo até transbordar.
E Lilliput desaparece, esfuma-se, fica ainda mais pequena, insignificante. Porque à volta o Mundo acrescenta-se e engrandece.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Saco de papel pardo
Encho um saco, daqueles de papel pardo, com uma mão cheia de palavras. E assim começo uma verdadeira colecção.
Todos os dias acrescentos novas palavras, arrumo-as lé dentro e volto a arrumar.
Componho-as, junto-as, troco-as de sítio... num verdadeiro jogo de prazer absoluto e absurdo viro-as do avesso e mudo-lhes o sentido, com o mesmo sentimento.
Encho a alma com as palavras daquele simples saco de papel pardo... já com nódoas... já com uns dois ou três buracos.
Mas julgam que as palavras caiem? Nunca.
Podem até fugir-me por entre os dedos, mesmo fechados, ou escorregar-me pela boca. Mas dali, daquele saco de papel pardo não saiem. É o seu aconchego, o seu porto seguro.
Ali vivem!
Todos os dias acrescentos novas palavras, arrumo-as lé dentro e volto a arrumar.
Componho-as, junto-as, troco-as de sítio... num verdadeiro jogo de prazer absoluto e absurdo viro-as do avesso e mudo-lhes o sentido, com o mesmo sentimento.
Encho a alma com as palavras daquele simples saco de papel pardo... já com nódoas... já com uns dois ou três buracos.
Mas julgam que as palavras caiem? Nunca.
Podem até fugir-me por entre os dedos, mesmo fechados, ou escorregar-me pela boca. Mas dali, daquele saco de papel pardo não saiem. É o seu aconchego, o seu porto seguro.
Ali vivem!
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Linhas
Uma linha ténue, muito mesmo, separa as realidades das ilusões que geramos emocionalmente.
E é nessa linha que criamos asas e voamos entre o lado de cá e o lado de lá. É aí que os sorrisos são mais genuímos. É nessa linha que somos livres e nos libertamos... É nessa linha que nos aventuramos no escuro de olhos bem abertos... E sorrimos mesmo dos cortes... aqueles pequenos cortes que sabem bem.
É aí que perdemos muitas vezes o pé e a razão... e é tão bom.
É nessa linha que nos permitimos ser nós próprios, sem barreiras, sem medos... sem passado, nem futuro.
É nessa linha que somos felizes no presente... e voamos.
E é nessa linha que criamos asas e voamos entre o lado de cá e o lado de lá. É aí que os sorrisos são mais genuímos. É nessa linha que somos livres e nos libertamos... É nessa linha que nos aventuramos no escuro de olhos bem abertos... E sorrimos mesmo dos cortes... aqueles pequenos cortes que sabem bem.
É aí que perdemos muitas vezes o pé e a razão... e é tão bom.
É nessa linha que nos permitimos ser nós próprios, sem barreiras, sem medos... sem passado, nem futuro.
É nessa linha que somos felizes no presente... e voamos.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Voltar
Apetece-me escrever e nem sei o quê. Rodo as palavras na ponta dos dedos, na ponta da lingua...
E num jogo perigoso, ao limite, vou-as colocando desordenadamente por ordem.
E mudo tudo alguns segundos depois... e volto a reordenar. Num sorriso com lágrimas.
Uma lágrima... duas... escorrem finalmente pela cara. Depois de terem secado... mais de um ano.
Nenhuma palavra, nenhum argumento as convencia.
E do nada, só pela força da energia... e talvez por isso do tudo... voltaram a escorregar, uma e depois outra, do lado esquerdo da cara. Tive de lhes tocar, não fosse só uma ilusão.
As palavras continuam num rodopio entre a ponta dos dedos e a cabeça. Não param, surgem em correria atribulada, em grupos gigantescos. E depois uma e outra e mais outra sozinhas ou em pequenos grupos. Não há regra.
As palavras nasceram livres, sem regras, sem pressões... as palavras libertam-se e libertam-nos a cada instante e fazem-nos renascer a cada momento parado. Basta saber lê-las. Basta trazê-las ao colo.
E num jogo perigoso, ao limite, vou-as colocando desordenadamente por ordem.
E mudo tudo alguns segundos depois... e volto a reordenar. Num sorriso com lágrimas.
Uma lágrima... duas... escorrem finalmente pela cara. Depois de terem secado... mais de um ano.
Nenhuma palavra, nenhum argumento as convencia.
E do nada, só pela força da energia... e talvez por isso do tudo... voltaram a escorregar, uma e depois outra, do lado esquerdo da cara. Tive de lhes tocar, não fosse só uma ilusão.
As palavras continuam num rodopio entre a ponta dos dedos e a cabeça. Não param, surgem em correria atribulada, em grupos gigantescos. E depois uma e outra e mais outra sozinhas ou em pequenos grupos. Não há regra.
As palavras nasceram livres, sem regras, sem pressões... as palavras libertam-se e libertam-nos a cada instante e fazem-nos renascer a cada momento parado. Basta saber lê-las. Basta trazê-las ao colo.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Perdão
Que culpas temos nós? Que culpas tenho eu?
Tantas e por tantos anos. Carrego-as num saquinho especial debruado a um fio, muito fino, de ouro. Um saquinho que tenho acarinhado... há tempo demais.
Hoje, ontem e sempre resolvi desatar o nó cego desse saquinho.
Espalhei tudo em cima da mesa da cozinha. E lá estava tudo... mas a capacidade de me agredir enfraquecida.
Espreito aqueles destroços. Ainda a medo.
Causei lágrimas e dores? Claro que sim... a mim... aos outros.
Processos, caminhos. Teve de ser? Provavelmente sim, provavelmente não... Talvez.
Caminhos, processos, progressos. Um atrás, três à frente.
Estou a aprender. A aprender? A aprender português e o sentido dos sentidos.
Estou a perdoar-me. Aos poucos, a medo mais uma vez.
E voltei a ter lágrimas.
Afinal não tinham secado.
Tantas e por tantos anos. Carrego-as num saquinho especial debruado a um fio, muito fino, de ouro. Um saquinho que tenho acarinhado... há tempo demais.
Hoje, ontem e sempre resolvi desatar o nó cego desse saquinho.
Espalhei tudo em cima da mesa da cozinha. E lá estava tudo... mas a capacidade de me agredir enfraquecida.
Espreito aqueles destroços. Ainda a medo.
Causei lágrimas e dores? Claro que sim... a mim... aos outros.
Processos, caminhos. Teve de ser? Provavelmente sim, provavelmente não... Talvez.
Caminhos, processos, progressos. Um atrás, três à frente.
Estou a aprender. A aprender? A aprender português e o sentido dos sentidos.
Estou a perdoar-me. Aos poucos, a medo mais uma vez.
E voltei a ter lágrimas.
Afinal não tinham secado.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Feridas
Basília... Que raio de nome lhe haviam de ter posto. Era o nome da parteira que a custo a obrigou a respirar e pumba... já estava escolhido o nome em homenagem à santinha.
Quantas vezes durante o seu, também ele doloroso, percurso escolar não ouviu, entre a gargalhada geral, perguntarem-lhe, em tom de afirmação, se os pais gostavam mesmo dela.
E Basília carregou consigo o peso de quem custou a nascer, de quem não queria abrir os olhos e respirar... e durante toda a vida levou este seu papel muito a sério.
E mais que ser ferida foi-se ferindo e culpando sempre os outros e o Mundo e os acasos desastrosos.
E há conta de um nome... Basília... não deixou entrar luz. Sempre que esta tentava assomar a uma porta ou a uma nesga de uma janela deixada entreaberta por acaso, Basília apressava-se a fechar tudo outra vez e a correr as pesadas cortinas que a envolviam.
E um dia, quem sabe se o mais feliz da sua existência, os olhos cederam aos cansaço e a respiração acabou por murchar.
"Todos estamos feridos. Mas uns estão mais feridos do que outros. São aqueles que se feriram a si próprios, sem disso darem conta", Baptista-Bastos, in "As bicicletas em Setembro"
Quantas vezes durante o seu, também ele doloroso, percurso escolar não ouviu, entre a gargalhada geral, perguntarem-lhe, em tom de afirmação, se os pais gostavam mesmo dela.
E Basília carregou consigo o peso de quem custou a nascer, de quem não queria abrir os olhos e respirar... e durante toda a vida levou este seu papel muito a sério.
E mais que ser ferida foi-se ferindo e culpando sempre os outros e o Mundo e os acasos desastrosos.
E há conta de um nome... Basília... não deixou entrar luz. Sempre que esta tentava assomar a uma porta ou a uma nesga de uma janela deixada entreaberta por acaso, Basília apressava-se a fechar tudo outra vez e a correr as pesadas cortinas que a envolviam.
E um dia, quem sabe se o mais feliz da sua existência, os olhos cederam aos cansaço e a respiração acabou por murchar.
"Todos estamos feridos. Mas uns estão mais feridos do que outros. São aqueles que se feriram a si próprios, sem disso darem conta", Baptista-Bastos, in "As bicicletas em Setembro"
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