segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Debaixo de água

Tapo o nariz. Fecho os olhos. E deixo-me descer lentamente até ficar completamente debaixo de água, onde os pensamentos correm bem mais depressa... onde tudo é simples.
Sento-me. Finjo que faço uma birra, mas estou só triste. E ninguém vê. Ninguém.
Fico ali sentada...imóvel. Até sentir que faço parte. Até ao dia em que a dor for suportável.

Emoções

Uma catadupa de emoções sobem por mim acima.
Chegam-me à garganta e aos olhos em forma de soluço convulso... que não deixo sair.
Não posso.
Um turbilhão de palavras rodopia-me... entre a cabeça e o coração. Maldito cérebro pensante... Maldito coração que me consome. Reprimo os dedos que anseiam por uma resposta a tudo. Mas que resposta?
Quero livrar-me dos dois...  cabeça e cérebro... e cair numa apatia serena, que me carregue até chegar o tal dia. O dia em que tudo passa. O dia em que todas as dores se esbatem. E sei, sempre soube, que esse dia não é lá muito à frente.E por isso corro, caminho, tropeço... limpo uns arranhões e outros deixo sangrar, até ficar só a cicatriz.
Refugiu-me dentro dos livros, escondo-me e encontro-me neles.Pairo junto das crianças que me abraçam sem medos e sem incertezas no seu amor e no meu amor..
E tento aceitar... aceitar-me... tranquilizar-me deste desassego de existência, tumultuada no seu todo.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

“A melhor coisa na vida é...”


Perguntaste-me pela manhã, bem cedo: “Qual é a melhor coisa da vida?”.

E eu não soube responder como tu querias… logo… naquele instante.

Desapareci de mim e de nós uns 3 dias. Ou terão sido uns 3 anos? Não sei. Nada mais teve a mesma importância. Mas essa simples pergunta acompanhou-me em todas as viagens que fiz. Sabia-a guardada naquele bolso pequeno, da mala pequena que tu me ofereceste quando nos conhecemos melhor… e eu nunca mais larguei.

Ainda guardei a esperança que se perdesse por entre a confusão da mala, ou caísse sem eu dar por nada. Mas não.

Até que um dia me sentei, sem saber bem onde estava, e percebi, finalmente, onde estava a resposta.

Corri para os teus braços. Galguei os lances da escada do prédio velho onde moramos, tropecei e feri um joelho e as palmas da mão. Entrei de rompante e ali estavas tu… onde sempre tinhas estado e eu já não via.

“A melhor coisa da vida… é a vida!!!”.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Homem Inteligente


Sou doente pelo homem inteligente, fanática, viciada… Procuro quase em desespero o homem inteligente. Sei  viver sem ele, mas não se quero viver sem o homem inteligente. O homem inteligente é uma raridade fabricada no Olimpo, uma pedra preciosa que não está ao alcance do entendimento da maioria.

O homem inteligente ama como o fogo de quem não sabe se o amanhã acontece. E beija com a calma de quem promete que tudo pode ser eterno. O homem inteligente acolhe nos seus braços e protege, sem apertar. O homem inteligente sabe ao cheiro morno da manhã.

O homem inteligente sabe o que é ser belo, sabe como ser belo e sabe como prender na renda de uma conversa e de uma mão que se toca ao de leve. De um olhar mais profundo. De um sorriso que se mantem mesmo ao canto da boca.

O homem inteligente faz as pernas tremer e desconcerta só porque sim… para depois aninhar e concertar. Na ilusão da segurança onde as mãos passeiam no reconhecer de novos trilhos desde sempre conhecidos.

O homem inteligente envolve numa perfeição desconcertante. Porque é ele… talhado entre os deuses.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Respirar

Custa-me a respirar.
Hoje em especial? Não.
Tantos dias assim, em que o ar passa a custo para entrar no meu peito de forma timida.
Lágrimas mesmo à beira dos olhos, numa resistência imensa.
Um aperto no peito que vem desde sempre.
Um sitio onde os tempos idos se tornam presentes... e eu sei que futuros.
Que desassossego é a vida.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Saudades

Saudades...
... do que não tenho.
... do que não vivi.
... do que não senti e não cheirei.
... dos sonhos que me invadem as madrugadas e me fazem sorrir enquanto durmo.

Saudades...
... do toque das tuas mãos.
... do teu sorriso sereno.
... de ti.
... do sonho de um nós.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Dizem...

Dizem-me apaixonada!!!
Talvez.
Pequenas paixões inconsequentes que voam em liberdade... em busca do seu próprio caminho, até desaparecerem mais à frente.
Tão perto. Tão pouco.Tão curtas.
Ahhhhhh!!!!!!!! Dizem-me apaixonada!!!
E sabem lá o que é uma verdadeira paixão.
Daquelas que nos consome as carnes e nos leva aos limites... da alegria... e do desespero.
Pelas quais nos viramos do avesso, nos violentamos... em nome da paixão que confudimos com amor.
Daquelas que nos moiem e remoiem, que nos fazem sangrar... sempre a sorrir.
Coração a galope, a querer sair do peito em busca de tudo... do todo.
Dizem-me apaixonada????
Não

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vazio

Olho-te nos olhos que imagino e choro.
Não pelo que tivemos, mas pelo que prometíamos ter.
Pensámos em arriscar... viver intensamente a imensidão de uma vida pela frente.
E no final ficou um vazio.
O vazio do prometido entre sorrisos e meias palavras.
O vazio da esperança trocada que morreu cedo, afogada em medos.
Ficou simplesmente um vazio.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Onde?

"Onde termina o arco íris:
na tua alma ou no horizonte?", Pablo Neruda


Onde termina esta inquietação que toma conta de mim e se funde em mim?
Que caminho é este que sigo aos ziguezagues? Onde vou eu parar? Quando?
Sabia-me bem um certo sossego de mim. Mas quando ele vem logo o tomo por enfadonho e volto à turbulência constante.
Que fogo é este que se embrulha em tempestada e me arrasta numa luta esgotante? Me desassossega o corpo e alma? É este o meu brilho? Ou é isto que o esgota?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Namorar é preciso: Amor


 
O amor não se canta em 3 cantigas, não se recita num só verso, nem se entrega dentro de uma caixa de enorme laço e papel brilhante.

Um amor… o grande amor… tem receita. Que cada um acondimenta à sua maneira. São anos de partilhas, muitos risos e sorrisos, e o dobro de sangue e lágrimas.

O amor navega em águas calmas e límpidas. É feito de confiança e de confidências. De pequenos arrufos que acabam rápido, num abraço quente, num dia de chuva.

O amor é um bandido, que sem darmos por isso nos leva o coração para o entregar nas mãos de quem saiba cuidar dele. É um sopro suave que nos suspende no ar durante séculos e nos faz sorrir por tudo e por nada.

Este amor é a nossa casa, com um jardim maravilhoso. É como se viajássemos, sem intempéries de maior, no tapete mágico do Aladino. E a lâmpada estivesse sempre ao nosso alcance.

Nesse amor me enrosquei durante anos. Nele vivi. Fui feliz.

E no fim… No fim todos sonhamos com um grande amor.

 

 

 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Namorar é preciso: Paixão


Vagueei sem pressas naquela  passeio de pedras arredondadas e com desenhos… verdadeiros labirintos de basalto branco e negro… naquela cidade que percorri vezes sem conta de mão dada contigo, abraçados, a rir alto. A rir muito. Livres até de nós próprios. Tive Lisboa aos meus pés, por milhões de anos, por escaços segundos.

Sentei-me no chão, encostada a um muro… onde trocámos os primeiros toques. Pela cara escorrem longas lágrimas secas. E fechei os olhos, a tentar agarra a mim o que um dia chegou ao fim. Ali, aprisionada num passado de paixão e dor, vivido ao minuto, com a intensidade da verdadeira paixão.

Mas tudo acabou levado por uma brisa leve que de um dia o outro, sem sabermos como, sem darmos conta,  se transformou em vento forte, tempestuoso. Mergulhados num ciúme louco, doentio, desrespeitante de nós. E o nós que cantávamos nos sete cantos deste mundo redondo, que dávamos ao desbarato, foi-se sumindo, mirrando… fugindo pelo meio dos nossos dedos e desfazendo-se  em tristeza.

 Agonizando em mim perdi-me de nós. Percebi mais tarde que para sempre.

Ahhhhhhhhh! Mas ninguém nos tira as cumplicidades cruzadas. Cumplicidade de um sorriso, um olhar, uma mão a estreitar-me a cintura. Cumplicidades na escrita, nos poemas, nas canções. Cumplicidades nos desejos mais pequeninos e nos sonhos maiores.

Que bom foi namorar assim. Sem medos, sem culpas, com a vida pela frente. Um dia atrás do outro… paixão da minha vida, que guardarei para sempre.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Querido Diário


Mais um dia daqueles digno de filme de humor… negro. OU de terror, nem seibem. Não houve nada que não me acontecesse. E tu sabes como sou, por norma, uma pessoa ao estilo “alto astral”. Mas uma tarde inteirinha na segurança social à espera de vez esfrangalha o sistema nervoso do ser mais zen.

Durante aquelas intermináveis horas senti cada segundo que passou, com os sons e odores que volatilizavam por ali. Fragmentos de conversas invariavelmente tristes. Cheiro a cansaço de exército que depôs as armas (e de alguma transpiração e falta de banho também).

Fiquei a saber que os dois filhos da senhora gorda que se sentou ao meu lado com a amiga deram o salto para o estrangeiro e como ela sente a falta dos netos. Assisti a uma pequena conferência dedicado ao tema “alimentação saudável e ginásio” e outra sobre “como sustentar uma família quando estão os dois desempregados e os 4 filhos continuam a comer, a vestir e a ir à escola”.

Aprendi muito sobre as novas oportunidades no mundo do faça vocês mesmo. Aí acho que dormitei um pouco. Sempre ajudou a passar uns 20 minutinhos.

Pelo meio duas cenas de gritaria, entre a ofensa à mãe dos senhores do governo e o choro de desespero por não se saber o dia de amanhã.

Pois é, querido diário. Ninguém pode ficar indiferente a uma tarde naquele espaço mofado e bolorento, tomado de assalto por uma tropa de infelizes.

Mas, finalmente casa. Ansiava pelo banho quente (que ainda me posso dar ao luxo de tomar). Por esses minutos tentaria esquecer todas aquelas dores que se me entranharam no corpo e na alma.

Mas… espanto dos espanto. Primeiros sinais da catástrofe – a casa tinha outro cheiro, o cheiro da minha mãe, e uns passos à frente, na mesa de entrada, um bilhetinho dela. Estremeci: “passei por cá hoje filha!!! Estavas mesmo a precisar. Um beijo grande, Mãe”. Entrei bem devagar na sala onde tenho a minha, muito minha, mesa de trabalho. Em passo lento tentei reter o momento e conter a irritação que me começava a invadir. Um nó na garganta, bem pequenino, que se agiganta… e vejo aquilo que já sabia: a minha secretária estava irremediavelmente arrumada.

E agora? Entre a irritação e o pânico começo à procura dos meus papeis. Aqueles que conhecia de cor a posição no meio da sua desarrumação sempre muito organizada.

Sentei-me para deixar que o ar entrasse e me acalmasse com os cotovelos poisados na secretária, as mãos entre a cabeça e os olhos fechados. Aquela arrumação iria obrigar-me a horas infindas para descobrir as minhas coisas e as voltar a pôr nos seus lugares por direito.

De repente levanto os olhos e fecho-te a ti, meu querido Diário, mesmo no topo de um montinho de papéis, em destaque, parecias ter um brilho tão diferente, que nem sabia como explicar. E aí percebi. Tu viste tudo!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Saída


Enrosquei-me em mim mesma. Deitada no chão de madeira gelado, com a alma em pequenos pedacinhos de vidro que me iam rasgando por dentro. Parecia não haver saída. Durante aqueles menos de dois anos, que pareceram a minha vida inteira, traí.
Ahhhhhh!!! A tão famosa traição escrita a sangue nos livros e cantada nos versos dos trovadores dos tempos. A traição que causou mortes e desatinos das maiores das heroínas. A traição… esse veneno que mata lentamente… que corrói tudo… que aniquila por onde passa… que faz o sol murchar e nos tira o brilho.
Tinha de morrer e nascer de novo se queria continuar. Tirar aqueles estilhaços que se estavam a cravar na minha carne. Um por um. E deixar sangrar.
Aquele espelho enorme há minha frente que me aumentava… que me mostrava aos mais ínfimos pormenores a dimensão da minha deformação… agigantada pela dor da traição.
Tentei enroscar-me ainda mais sobre mim mesma. Até ficar irreconhecível. Impossível. Eu já não me reconhecia há tanto tempo. Foram perto de dois anos. Meses a fio. Semanas infinitas. Horas incontáveis. Segundos. Tantos segundos desperdiçados fora de mim.
E onde estava eu por esses tempos? Agora… ali… naquele chão gelado de finais de primavera… tudo o que ficara para trás era um emaranhado de dor onde me perdi por opção. Onde é que eu me larguei dois anos antes?!?!
Ali permaneci. Paralisada. Com centenas de lágrimas secas a inundarem-me a cara num rasto de dor. Essa ficará cravada em mim para sempre. “Tirem-me esse espelho da frente!!!!!!!!!”, gritei em silêncio. “Tirem-me a mim da frente…”, murmurei com as forças perdidas. Fiquei.
Até que um dia, anos depois, ou horas não sei bem, me levantei… corpo dorido… cambaleante… alma ainda em pedaços. Uma determinação até aí em mim e por mim desconhecida. O medo de me enfrentar estava a enfraquecer aos poucos. Diluía-se na memória do que foi bom. Do que fui eu. E pedi desculpa. Pedi-me desculpa por um dia ter ousado não ser eu.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Últimos segundos

O último segundo do ano marca na realidade um começo... feito de cabeça limpa e olhos a brilhar... feito com a vontade férrea de, finalmente, seguir em frente e a sorrir.
10...9...8...7...6...5...4...3...2...1... e pelo ar voam papelinhos coloridos que nos inundam a alma com um arco-iris gigante.
Trocam-se abraços, beijos mil, desejos e sonhos... trocam-se cheiros e sorrisos, galanteios e pequenos toques...suaves.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Tropeção

Tropecei em ti... sem querer... sem estar à espera. Uma surpresa. Mantive o desequilíbrio. Porque sim, por teimosia. Por pura curiosidade infantil, de quem espera algo mais. De quem espera sempre algo mais de si própria e da vida. Mas também com os receios de quem já viveu o que não queria ter vivido, e continua com feridas abertas...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Em vão...

Cansada prossigo... com a sensação de que tudo será muito provavelmente em vão. Tudo vai acabar um dia. Mas não consigo desistir, não me está na alma, não é o sangue que me corre nas veias.
Baixar os braços? Confortável, mas impensável. Quem me dera. Descansar, por um pouco só que fosse, a alma.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Lá fora

Lá fora uma neve miudinha vai tapando tudo. Com fervorosa dedicação tece uma manta branca, ponteada aqui e ali por pontinhos teimosos que teimam em não se deixar cobrir. Uma cobertura fria, mas que de dentro de casa, do quentinho da lareira, que já está acessa à uns três dias, parece ser feita de açucar. E é aí que a imaginação pode voar... e nem é preciso fejar os olhos.
Lá fora um vento fraco, mas árido, percorre o ar, junto ao chão, alisando esta manta de neve que se cria rogoso. E destapa alguns pontos, para ir mais à frente tapar outros. Empurra folhas que resistem ao mau tempo e pequenos grãos de terra.... um ramo ou outro.
Um jogo da apanhada, uma brincadeira de inverno.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Dores d'alma

O que fazer quando um filho nos chora desolado nos braços? O que fazer quando o nosso bebé começa a perceber que andar por cá não é das tarefas mais fáceis? Que por vezes doi, magoa, amachuca...
O que fazer quando um filho percebe que muitas dessas dores mortais são causadas por quem mais ama? Por quem o devia amar e proteger das intempéries... e estar sempre lá.
Tento transferir para mim essas dores, engolir-lhe o choro... tirar-lhe tudo o que o fere.Mas não dá. Abraço a minha cria até ouvir uma voz de choro já fraca dizer... mãe, estás a apertar-me muito. No meu inconsciente tentei assim que tudo ficasse bem. Mas não dá.
Dor de mãe é isso mesmo... uma dor de incapacidade, de impotência, de revolta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Chuva

A chuva volta a fustigar as pedras da calçada. Penso que vem para limpar alguns dos meus desertos.
Chove há dias sem parar e com a promessa de continuar.
Os desertos mantêm-se inalteráveis.
Talvez devesse aprender a viver com eles em vez de os tentar erradicar. Penso...
Conclusões?... Provavelmente só as terei depois de morrer... a grande conclusão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Gosto

Gosto deste sol de Outono, que me aquece debaixo do casacão que teimo em usar mal os primeiros ventos frios passam por Lisboa. Gosto de um livro que me faça companhia, de uma manta nas pernas e um chá quente na minha casa... com o sol a entrar pela janela e a iluminar-me as vidas.
Gosto do cheiro a doce de abóbora com canela e a marmelada que se passeia pelas ruas da minha casa e se perde por baixo das portas.
Gosto de ouvir os miúdos a brincar e de os sentir sempre por perto. Gosto de ver televisão agarrada a eles ou de fazermos jogos de palavras.
Gosto de receber uma mensagem de um amigo... um telefonema do meu pai... de conversas longas e gargalhadas (muitas garlagalhadas) com as minhas amigas de sempre.
Benvindos ao meu mundo!