terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Fio de vida

O curto fio de vida que lhe restava escorregou-lhe pelo canto da boca em forma de sangue.
Fechou os olhos e sentiu o quão pouco tempo pisou esta terra. Naqueles derradeiros segundo lembrou os melhores momento... em flash. E lembrou o todo que não chegaria a concretizar.
Fechou os olhos... e dormiu.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Harmonia

Acordo estremunhada e sinto a onda de calor que emana do teu corpo. Entra no meu para ali permanecer.
Um braço envolve-me a cintura... num abraço. E a tua respiração... pausada... trespassa o ar num bafo quente.
Volto a fechar os olhos...serena. E embalo a minha respiração na tua. Compassadas... em harmonia.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cama

Uma cama que se agiganta no teu silêncio e no meu.
Os corpos separados por meio palmo gelam no espaço que se estende por debaixo dos lençois e das mantas.
O gato passeia-se vagarosamente por cima do cobertor aos quadrados que tenta abarcar todo o espaço. Estica-se, espreguiça-se, tenta enroscar-se para ficar. É enxotado. Mia... chora. Mas sai. Contrariado.
Aninho-me numa ponta e não te sinto.
A noite passa e com ela o agigantar da cama e o frio por entre os lençois.
A manhã chega. Mais uma manhã...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Tratar disso

Hoje podemos tratar disso...
... programar as férias
... prencher tabelas
... beber um copo de vinho
Podemos também...
... sorrir
... dar as mãos
... trocar mimos
e fazer amor.
Bem no final enroscamo-nos um no outro, como dois gatos com sono, simplesmente para estarmos e adormecermos.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

De ti

Hoje não sei de ti.
Sinto-me assustada. Ansiosa.
Pesa-me a alma.
Desencontrados, por momentos, na mesma cama.
Que ficou vazia, que arrefeceu de nós.
Mais logo, quem sabe... o reencontro. O aninhar.
Mais logo, quem sabe... adormeço em paz.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Miudinha

Cai uma chuva miudinha. Vinda do nada, entranha-se no nada.
Confunde-se com as tuas lágrimas e alimenta a tua angustia.
Varre a terra apodrecida, as folhas das ávores amarelecidas.
E renova-te essa dor pequenina, mas mortal.
Agarras-te a um pequeno tronco, que queres sólido.
E assim navegas até à proxima enxurrada... ou chuva miudinha.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Em mim

Sinto saudades tuas.
De me ter nos teus braços. De me reter... permanecer.
Sinto a falta de sentir o teu calor, colado a mim... em mim.
A tua respiração encostada nos meus cabelos.
As tuas mãos que viajam por mim e comigo.
Sinto saudades tuas.
A cada instante que passa.
Segundos eternos que emperram nos relógios que me cercam.
E que deixam galopar este anseio. Numa liberdade feroz.
Até que por fim... quando o sol se vai pondo... encosto os meus lábios aos teus... quentes.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ano Novo... a mesma vida.

Prepara-se tudo... comida... roupa... maquilhagem... e espante-se, até um pouco de perfume.
Todos dentro do carro.
Telefonemas feitos. "Bom Ano!!!"... "Beijinhos!!!"
Risos, muito risos.
Abraços, cumprimentos... partilha.
"Vou só ali pousar as coisas."
"Onde posso pôr o vinho?"
Abre-se uma garrafa e depois outra. E mais uma depois dessa outra.
As crianças entram e saiem. Corropiam, rodopiam. Uma dança de alegria.
As mais timidas arrastam-se junto dos crescidos. Alguns desenquadramentos. "É muito mais crescida que as outras". "Não tenho paciência para as brincadeiras delas".
Compreendo. Um aperto pequeno pequeno na alma.
A noite segue, entre copos, risos, muita música.
Canta-se e dança-se como a noite exige.
E depois das passas... os brindes, os abarços, os votos de bom ano renovado.
E os sonhos, os desejos, os propósitos na mente de cada um, no coração de todos.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

De tanto te amar também

De tanto te amar tenho de abrir os meus olhos e ver que cresceste... mas vais sempre ser o meu bebé.
Olho para ti com orgulho... do ser que és, das conquistas que fazes, do longe que vais chegando... para já sempre à minha beira.
Um dia voarás mais longe. Mas sempre no meu coração, nas minhas memórias, nos meus sentires.
Para sempre o meu bebé pequenino. Para sempre em meu redor.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

De tanto de te amar

De tanto te amar terei de te deixar partir, ganhares asas e fortalecê-las.
Por ti. E também por mim.
Mas acima de tudo, por nós e pelo que temos construído nesta vida.
Um amor como este não se encontra assim, à balda, numa esquina qualquer.
Um amor como este é pela vida inteira.
Mesmo quando tropeçamos uma na outra.
Mesmo quando batemos de frente. E saimos as duas inevitavelmente feridas.
Para logo de seguida nos abraçarmos. E assim permanecermos... minha companheira.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Apetece-me... tanto!

Apetece-me tanto... mas tanto... ter a coragem.
A coragem que me falta. A que me abandonou e a que nunca tive. Juntas.
Preciso das duas. Para me erguer e caminhar... para me afastar. Sem nunca ter a tentação perigosa de olhar para trás. E correr, de volta ao que não quero, ao que me amarra e me amordaça.
Caminho aos tropeções, agarrada a um medo pequenino e discreto, que a espaços se agiganta.
Agarro-me a um muro e sento-me na berma do passeio. Daqui já só me levanto para me ir embora.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sonho

O sonho é possível... é possível deixar de o ser... Será?
Agarro-me ao sonho e mantenho-me nele. Trato-o com carinho. Mimo-o. Dou-lhe colo e calor.
Mantenho-o sempre por perto. Bem perto... do coração.
Quando começa a esfumar-se fejo bem os olhos e aperto-o contra mim. Agarro-o à minha pele. Torno-me nele e ele em mim. Inseparáveis, unidos no sempre.
E não deixo que o sonho deixe de o ser. Este sonho sou eu.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Estás-me

Estás-me em mim. Entranhado em cada poro.
Estás-me no olhar. Estás-me no toque.
Estás-me muito no sentir, no estar.
Estás-me em mim. Entranhado em cada veia.
Corres-me no sangue.
Fazes-me o coração bater a uma qualquer outra velocidade que não conhecia.
E... estranhamente.... gosto... muito.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Fruta?

Nem carne, nem peixe...
Um adulto demasiado pequeno? Infantil?
Uma criança com pele de gente crescida?
E no fundo não quero nenhuma. Não sou carne... Nem sou peixe... Por opção. Com Razão.
Fruta?

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

...

Os terrenos, já de si arenosos, voltaram a abater. Primeiro ligeiramente, como se tudo fosse fácil de controlar. De agarrar e voltar a pôr no lugar. Mas não parou. Continua a desmoronar-se. Uns tabiques aqui. Umas pedras mais à frente. Não pára. E provavelmente só terá fim... no fim.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Eu fazia diferente...

Tantas e tantas vezes que oiço... se voltasse atrás fazia tudo igual.
Eu não.
Ai se eu voltasse atrás... experimentava na certa outros caminhos... outra vida e outras vidas.
Sendo que desta há "coisas" das quais não prescindo. Recuso-me. Há "coisas" que quero em qualquer vida.
De resto... experimentava o novo e o diferente.
E concerteza que nos balanços do caminho diria... se eu voltasse atrás tentava de outra forma.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Limões

Deitei-me ali.
No chão.
A sentir os grumos de terra seca e quente na pele.
E adormeci. Por fim.
No ar um ligeiro cheiro a limão que me embalou.
Ao lado, um enorme limoeiro que me guardou o sono e os sonhos das aves de rapina que me rondam.
Descansei. Por fim

Mais uma carta

(das sem respostas)
Descabelo-me por uma resposta tua... uma mensagem... um sinal, de fumo que seja.
E nada.
Em picos sinto fúria e acalmias. Projeto na mente novas ações... respostas... caras fechadas.
Para quê? Sim, para quê se nunca vais perceber o tamanho da minha solidão.

Carta

(a quem nunca responde)
Oi, oi
Sou eu. Sim eu.
Que gosta de ti, que to diz, que to demonstra.
A que te envia corações e frases feitas... lindas de morrer. Lamechas, como tu lhes chamas com ternura.
Sou eu... que gostaria muito de ter uma resposta, simples... bem simples... mas tua. Uma resposta que seja só para mim, que seja minha.
Daquelas que eu saiba que no momento em que a escreveste, fotografavas, a desenhavas estavas com o teu amor posto em mim.
Algo que me quebre a solidão.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lufadas

Novas lufadas de ar me empurram. Nem sempre o ar é fresco. Mas, também, nem sempre me chega chega enquinado.
E nesses momento respiro... umas vezes mais fundo que outras. E nesses momentos arregaço as mangas. E sigo.
Já não sigo sozinha. Tenho os meus colos de eleição.
Sigo somente na minha solidão, de que parece que não sei abrir mão.
Mas já consigo sorrir. Já consigo acreditar.