segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Nunca

Separam-nos simples minutos... eternos segundos. Estaremos para sempre separados sem assim o termos desejado. A vida afastou-nos, mesmo quando sentados no mesmo sofá e a dividir a mesma manta, mantendo-nos ligados para sempre numa infinita ironia!!! A vida a fazer troça de nós...
Encostada a ti consegui sonhar. Mas... para quê? Para me esborrachar no chão de pedra no minuto seguinte. Vezes sem conta. E me levantar outras tantas vezes sem conta, com a boca cheia de sangue e a tentar ir ao fundo das minhas entranhas buscar a vontade de voltar a acreditar sempre?
Vale sempre a pena... dizem que sim... dizem que estamos vivos... irra! Estou cansada de viver de muletas na alma...
Até que se deixa de acreditar. Apesar de se voltar a sorrir.
Marcas profundas... feridas que nunca vão fechar. Nunca.

sábado, 26 de setembro de 2009

Espinhos ao sol

Os espinhos cravaram-se-lhe primeiro numa mão... acabando por se alastrar ao resto do corpo durante toda uma vida sempre de luta, sempre com a armadura vestida. Excepção para um dia, um único dia em que viu uma nesga de sol e resolveu vivê-lo. Sem dúvidas que o viveu na sua plenitude. Respirou sem filtros, olhou sem máscaras, correu sem atilhos nas pernas, abraçou sem limites, beijou e beijou e tornou a beijar até ficar sem fôlego. No final do dia, quando confiou, quando acreditou que poderia guardar o fato de guerra... deu o seu último suspiro depois de ser apunhalada... de frente, no peito.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vou morrer...

Vou morrer com uma pétala branca, de rosa branca, cravada no peito. Vou morrer com um ligeiro suspiro que solto, numa performance ensaiada durante anos... e repetida milhares de vezes até ter a certeza de que naquele dia correrá de forma perfeira. Porque não haverá encore...
Sei muitas coisas, sei muitas coisas que vão comigo e muitas coisas que por cá ficarão. Só não sei se sei as mesmas coisas que tu, só não sei se soube aprender contigo. Porque não tenho a ousadia de querer ensinar.
Quero egoisticamente aprender, beber dos outros e de ti. Lamber até à ultima gota o Mundo. Este Mundo de lama e sangue, de suor e dor, de alguns sorrisos... forçados... onde me mantenho erguida à força de pulso.
Procuro incessantemente um pouco de almas genuínas... e sempre que estou a um ponto de apanhar uma e a agarrar... ela escorrega-me por entre os dedos... e começa tudo outra vez.
Vou morrer num suspiro breve de uma felicidade cansada.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lembro-me...

Lembro-me tão bem... "vou estender a roupa. quem quer vir?". E lá ia eu de bola debaixo do braço, enquanto a minha irmã ficava em casa a brincar aos crescidos.
E eram momentos mágicos aqueles... Eu ia buscar as molas e as pequenas peças de roupa, que ela estendia. "uma camisola minha. Mais uma camisola minha. Umas calças gannndessss". Corria por entre a roupa e chutava a bola com força... "gooollloooooooo!".
Lembro-me de me aninhar no colo dela e lhe chamar "minha rainha", enquanto ela me apertava e me chamava "paixão".
Lembro-me de correr todas as manhãs para a cama dela, a que eu chamava "o teu mimo", para me aninhar nela, que estava sempre quentinha, e voltar a adormecer... ou conversar até a fome fazer doer o estômago.
Lembro-me de estender o guardanapo com bolinhos imaginários, feitos pela avó... e ela os comer deliciada.
Lembro-me tanto e de tanta coisa... Lembro-me de aprender a andar de patins com ela e do dia em que me tirou as rodinhas da bicicleta e me ensinou a andar.
Lembro-me quando me ia buscar à escola e me ouvia a contar o meu dia.
Lembro-me que tinha uma canção só para mim e ma cantava ao ouvido, quando me pegava ao colo como a um principe, e me contava as histórias do pirata dentolas e dos senhores do wresttling mesmo antes do adormecer.
"boa noite minha rainha!"

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Quem perdeu...

Os dados voltaram a rolar em cima da mesma toalha de plástico com flores garridas de sempre. Onde sempre foi perdendo.
Uma mesa redonda onde há anos perde a paz, a calma, a serenidade... ou terão só sido alguns meses? Perdeu a conta ao tempo, que lhe trocou as voltas... naquela sala escura e com cheiro a tabaco... onde semana após semana esborratou o baton e o rimel cuidadosa e meticulosamente posto para o momento.
Os dados rolaram mais um vez... e mais uma vez pôs em cima da mesa de madeira da avó o sorriso, o acreditar, a alma... que tantas vez perdeu e recuperou, entre uma passa num cigarro amarfanhado e um golo de amêndoa amarga.
E fechou os olhos e esperou...desta vez não houve lágrimas a atraiçoarem-na.
Os dados pararam... finalmente.
Já não suporta o barulho dos dados a girar que se agiganta ensudecedouramente à frente dos seus olhos. Por isso os fecha... numa tentativa patética de não ouvir aquele barulho que a fere.
Os dados pararam... mas aquele silêncio era ainda mais ensurdecedor que o girar daqueles dois cubos gastos pelos ventos dos anos.
Teve medo, tanto medo de abrir os olhos e ter de entregar a serenidade outra vez... abriu os olhos ligeiramente e suspirou... por agora a sernidade continuava na sua mão.
E sente que poderá... talvez... recuperar o acreditar que continua do lado de lá.


"A noite acabou
O jogo acabou
Para mim aqui
Quando acordar
Já te esqueci
O filme acabou
O drama acabou
Acabou-se a dor
Tu sempre foste um mau actor
Fizeste de herói no papel principal
Mas representaste e mentiste tão mal
Quem perdeu foste tu só tu e nunca eu
Afinal hoje o papel principal é meu e só meu"
(Adelaide Ferreira - Papel Principal)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cigarro

Acorda cinco segundos exactos antes do despertador do telefone querer tocar. Faz um sorriso porque mais uma manhã em que lhe trocou as voltas e o desligou sem o deixar acordá-la em sobressalto. Levanta-se com o cabelo em desalinho e a boca empastada, a saber mal. Toma os comprimidos da manhã e enrola um cigarro, enquanto bebe um copo de leite com chocolate.
Acende o cigarro com o mesmo fósforo que usa para acender o fogão onde aquece a água com que se lava.
Toma um banho apressado enquanto um refogado que começou de forma despreocupada quase queima; entorna a carne lá para dentro e vai-se vestir. O cigarro seguinte é acendido no bico do fogão e é partilhado com uma fatia de pão com manteiga e uma festa no gato.
O cheiro a tabaco e a cebola mistura-se-lhe nas mãos... pontas dos dedos amarelecidas... unhas queimadas.
Uma hora depois sai de casa.
Volta ao fim do dia depois de mais uma rotina cumprida.
E ali fica... cigarro colado entre os dedos...
E ali fica a equilibrar-se na ponta da vida... de uma vida.
O cheiro a cebola e tabaco ainda não saiu das mãos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

S.O.S.

Um guilty pleasure?
Um ponto final? Mais um? Uma virgula? Um ponto e virgula?
A vida regida pela gramática. Na ponta de um lápis de carvão que se esborrata ao sabor de uma lágrima teimosa. E tudo recomeça depois de um ponto final e parágrafo. Com travessão. Há uma palavra a dizer.
E as palavras começam a escorregar pela ponta do tal lápis de carvão... e rodopiam no sentido da mão. E descem incontroláveis, ao ritmo de um único sentimento... a honestidade que rege.
Apagar? Apagar para recomeçar? Onde está a minha borracha? Tinha tantas... vindas de Espanha... ineficazes.
Uma luta, mais uma?... num recomeço, de muitos recomeços.
Um S.O.S.?

"Where are those happy days, they seem so hard to find
I try to reach for you but you have closed your mind
What ever happened to our love?
I wish I understood
It used to feel so nice, it used to be so good
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, well I try, how can I carry on?
You seem so far away but you are standing nearer
You make me feel alive but something died I fear
I really tried to make it out
I wish I understood
What happened to our love, it used to be so good
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, ooh I try, how can I carry on?
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, ooh I try, how can I carry on?
When you're gone, how can I even try to go on?When you're gone, ooh I try, how can I carry on?"
(S.O.S., ABBA)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Thanks Frank

Perto dos 38 despeço-me dos 37 dedicando-me este "poema".
Sim, mereço... se mereço!
Porque cada etapa da nossa vida deve ser comemorada e homenageada. Pelos erros e conquistas, pelas alegrias e dores... pelo que crescemos... pelos sorrisos e lágrimas que espalhamos.
Porque olho para trás e vejo-me com orgulho... E por que olho para a frente e vejo-me com esperança.
Sim... Mereço!

"And now
the end is near
And so I face
the final curtain
My friend, I'll make it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full

traveled each and every highway
But more, more than this
I did it my way
Regrets, I've had a few

But then again, too few to mention
I did what I had to do
I saw it through without exemption
I planned each charted course

Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way
Yes there were times,

I guess you knew
When I bit off more than I could chew
And with it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I grew tall
throught it all
And did it my way
I've loved, laughed and cried

I've had my fill, my share of losing
But now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that

And may I say, not in a shy way
no, no, not me
I did it my way
For what is a man, what has he got?

If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows, I took the blows

And did it my way"
(MY WAY - FRANK SINATRA)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Riscos e rabiscos

Rabisca umas letras, ensaia uns traços e nada... o vazio sai-lhe das mãos... instala-se na mente.
Um enorme vazio que lhe enche a alma e se espalha pelo corpo... que abandona com frequência num sofá qualquer, num cadeirão ou até mesmo em pé.
Tudo em branco... já foi em negro... já teve as cores de um arco-íris.
E o Mundo que não pára de girar.
E vai rabiscando sem sentido, sem rumo definido nas linhas traçadas.
Vai rabiscando sorrisos, ensaiando regressos em passos de dança com avanços e recuos.
E pelas pontas dos dedos na areia molhada saiem formas desconexas, sem sentido... aparente. Sorrisos perdidos, desperdiçados.
Escolhe a medo uma folha de papel de entre as muitas de um caderno, entre muitos. Escolheu, está escolhida. Branca...vazia. E aí coloca os rabiscos que atirou para a areia de uma praia qualquer entre muitas.
Com um carinho desmedido embala este vazio.
Shiiiiuuuuuuuu!!! Não façam barulho.
E em bicos de pés atira a cabeça para trás, descai o corpo, sente a humidade da areia entranhar-se-lhe em todos os poros... o lápis rola-lhe da mão... os rabiscos ficam marcados... o vazio a espaços também.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lugares

Hilda abriu bem o mapa em cima do capot do carro. Endireitou as dobras e olhou paras as linhas coloridas das estradas e caminhos durante uma vida. Sulcos... Rachas... Tudo cravado na pele com décadas de histórias para narrar.
"Mãe, tu lês e eu conto"... "Era uma vez o patinho Alvinho...". Hilda sorriu num todo.
Voltou a olhar os caminhos traçados no seu mapa, enquanto uma lágrima lhe escorregava cara abaixo e acabava por molhar o pé esquerdo... enfiado numa das chinelas... daquelas que se vendem sempre aos pares e que Hilda sempre desemparelhou.
Hilda escolheu... escolheu não ser assim... escolheu não ir por ali... e por isso o seu mapa tem tantos traços e a sua cara tantos caminhos gravados a fogo.
Voltou a dobrar o mapa, que guardou no meio das folhas de um jornal ... seguiu caminho... o seu caminho... parou em mais não sei quantos lugares... criou mais uns quantos sorrisos e mais uma mão cheia de recordações e voltou a seguir.
Segue sempre... seguirá sempre... e o vento soprará para sempre o seu nome... baixinho... num sussurro... hiiillldaaaaa... hiiiillldaaaaaa...

"Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor... Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora", Jermias, o Fora da Lei - Jorge Palma

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

E vai ser sempre assim...

E a vida é assim... joga... baralha... dá... joga... baralha... e volta a dar.
E a história é a assim... repete-se... em ciclos.
E a cabeça é assim... cresce... muda... volta a crescer... mantém as bases.
E alma é assim... volta... revolta-se... revira-se... serena e agita-se... ama... adora... morre e ressuscita... vive!!!
E o sorriso é assim... abre... esmorece... volta... perde-se e acha-se... resgata-se.
E a honestidade é assim... está cá sempre, ao lado da almofada... doa a quem doer.
E o corpo cresce, move-se, contorce-se, torna-se maior, mais pequeno, engrandesse à medida da alma... à medida da honestidade... à medida de um todo... à medida de um Mundo.
E vai ser sempre assim...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Gostava

Gostava de escrever sobre flores e sorrisos abertos. Gostava de escrever sobre riachos límpidos e crianças em algazarra. Sobre o cheiro a terra que se entranha na pele e os pores do sol e os nasceres das luas cheias.... e os amigos que falam mais alto... e os apelos do sangue que gritam aos meus ouvidos. Sons que aconchegam.
Gostava de escrever sentido e sentindo, mas caramba o copo meio vazio teima em ganhar força. E olho para o meio cheio e por momentos o ânimo espalha-se pelos meus vazios. E tenho a ousadia de tentar encher o copo todo. E por momentos consigo.
Ciclos, ciclicos em ciclos...
E agarro-me aos pensamentos felizes, porque os pensamentos felizes permitem-me voar (isso ou pó de fada). E eles permanecem e desaparecem à mesma velocidade estonteante em que vou vivendo... a viver.
E será sempre assim...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ao cimo de mim

Subi, escalei, galguei... ultrapassei rios, riachos, poças de lama... caí, levantei-me, voltei a cair... mantive-me lá em baixo o tempo necessário para me erguer com força e reaver o meu sorriso (já cá está deste lado).
Rastejar??? Nunca... fiquei imóvel até os ossos colarem.
Rasguei o meu Mundo e outros Mundos... enchi-me de nódoas negras... sangrei e chorei (finalmente).
Cicatrizes??? Coberta delas. Algumas completamente fechadas, outras que ainda vão rebentando. Mas sempre e sempre sem problemas de coluna.
Acreditar??? Ainda não, ainda não dá, ainda é muito cedo... ou talvez já seja tarde demais.
Mas mantem-se uma teimosia surda... e por vezes cega... em chegar lá, mesmo sabendo que isso levará mais que uma vida e já vem das outras vidas.
E vai ser sempre assim...

"Teimoso subi, ao cimo de mim, e no alto rasgei, as voltas que dei", Beijo Leve Triste, Paulo Gonzo

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Procura(mo-nos)

Levanto uma pedra, e depois outra, e mais uma, e ainda aquela ali mais há frente. Afasto uns quantos arbustos. Desvios uns cortinados. Vejo debaixo do colchão. Viro a mala em cima da mesa e remexo em tudo.

Tento saber quem sou e acima de tudo o que sou.

Vejo-me e revejo-me ao espelho, em vários ângulos, qual narciso... espiolho-me da cabeça aos pés. E nada.

Tento que vejas quem eu sou... desesperadamente. Levo uma vida a tentar que vejam quem eu sou. E nada. Que angustia, que esforço inglório, que luta... perco as forças. E é aí, quando se perdem as forças, que está a resposta. É aí o fim do arco-íris. É aí que está o pote de ouro.

A cada misunderstanding é um passo atrás, um recuo, um fechar na concha. E aprendo a viver assim e deixo de querer que me conheçam, que me compreendam. Passo a fazer questão que não me conheçam. É ponto de honra... arrongante.

E compreendo que eu é que tenho de me compreender e aceitar. E passo a olhar para dentro, sem egoísmos finalmente, e a gostar do que vejo. Genuína... sempre.

"And I don't want the world to see me, Cause I don't think that they'd understand. When everything's made to be broken, I just want you to know who I am ", Iris, Goo Goo Dools

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Apertos

Deu um aperto... pequeninooooo. Saudades.
Sei que um dia volto, tenho essa certeza inabalável.
Até lá vou ouvindo relatos, revivendo memórias e roendo imaginariamente as unhas, até não poder mais... e sonhando com o meu regresso.
Até lá vou despertando outros sorrisos e noutros sorrisos e com outros sorrisos.
E aprender a paciência... a calma... no meio da luta e das lutas.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Abandonos

E entregamo-nos ao abandono... durante horas, dias, às vezes anos.
Um abandono que mistura a calma com aquela pequena dor que nos conforta. E vamo-nos deixando andar assim, até pairarmos no incerto.
E quando damos por nós entregámo-nos em definitivo a esse abandono de tudo, de todos, de nós próprios.
E é aí que estamos lá. Que chegámos. Sem descansos.
Quando esse abandono se torna consciente e feliz.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ver

Só tu não conseguiste ver as dimensões de um amor que passou tudo e por cima de (quase) tudo. Passou por cima dos que me amavam... e eu amava.
Passou por cima de muitos dos meus quereres...
Passou por cima de alguns sentires profundos...
E arrasou com grande parte do que demorei mais de 30 anos a construir.
Só tu não viste a dimensão desse amor!
Muitos não o compreenderam.
Só tu não percebeste que Tavira passou a ser uma opção.
Só tu não percebeste que troquei as Bahamas pela Jamaica.
Só tu não percebeste que passei a ter 3 filhos e que voltei a gostar de basket.
Só tu não viste que larguei a vida... soltei-me dela... desprendi-me.
Pairei simplesmente durante meses a fio...
Se me arrependo? Não. Só de não ter voltado a mim mesma mais cedo no tempo.
De resto... voltaria muito provavelmente a repetir tudo.
Porquê? Porque agora me ergo mais forte, mais capaz, de coluna mais direita ainda... com um sorriso renovado... independentemente de todo o socialmente condenável. Disso nem quero saber. Sempre fui uma outsider, para alguns a esquisita... e continuarei a ser.
Com o tempo ficarão só as boas lembraças. E não será complicado, também não são assim tantas. Muitas foram esmagadas por uma das dores mais profundas que alguma vez senti.
Soltei-me e perdi-me de mim. Estou a regressar...
E como eu adoro regressos!!!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vou arrumar as chuteiras

Há alturas em que a decisão mais acertada pode ser mesmo arrumar as chuteiras e sentarmo-nos no banco a ver o jogo.
E isso não tem de ser necessáriamente mau... pelo contrário. E sempre nos preservamos de alguns pontapés nas canelas (e nos rins) desnecessários. Já basta os que não podemos de todo evitar.
Eu estou nessa fase!!!
Estou sentada no banco, de chuteiras na mão a ver tudo... a observar tudo. E a aguardar pacientemente que "o" treinador sinta que eu estou capaz de entrar em campo como membro válido para a equipa.
Enquanto isso vou enchendo as minhas prateleiras com mais e mais livros, que cada vez menos penso em afastar de onde estão. Livros que são meus, num espaço muito umbilicalmente meu.
Num espaço onde cada particula de pó tem uma história feita da minha história e de outras histórias de outros.
E aguardo... também é bom poder estar só a ver.

domingo, 12 de julho de 2009

Amêndoa Amarga

Arrasta os pés, do corpo pinga suor, os músculos parecem rasgados e a querer desistir, o calor invade-lhe o corpo para logo de seguida o abandonar. O cabelo que resta está desgrenhado e sujo, a pele áspera e as unhas das mãos e dos pés pintadas de fresco e negras.
Encosta-se ao balcão e pede uma amêndoa amarga, que afinal é doce, e bebe de um gole. Pede outra, sem gelo. E bebe o mais devagar que consegue, o mais devagar que sabe, tão devagar pela primeira vez no seu quase meio século de existências.
E ali está e ali fica e ali perde a noção do tempo e do espaço, que nunca teve, que nunca quiz ter. E dali parte na sua última viagem, numa caminhada sem rumo definido e com linhas bem traçadas. Sem se desencostar do balcão, daquele balcão que poderia ser outro qualquer.
Encostada áquele balcão, onde todos os olhos fingem não a olhar, onde todos os olhos não a conseguem ver, perde-se... e encontra-se...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um dia (destes)...

Um dia (destes)... vou à disney e a Paris e a Praga... e ao Vietnam e Cambodja... e a Barcelona, Viena e ilhas gregas.
Um dia (destes)... viajo no tempo e uso o teletranporte.
Um dia (destes)... apanho a boleia do mar e dos ventos.
Um dia (destes)... volto a sentir o aconceho de uns braços e o coração a querer saltar.
Um dia (destes)... breve... estão de volta.
Um dia (destes)... abraço o Mundo e os Mundos... sem dor.
Um dia (destes)... a culpa vai-se e esvai-se por completo.
Um dia (destes)... o sorriso a espaços permanece e o acreditar de corpo e alma regressa a casa.
Um dia (destes)... a vibração sobe ao limite, sem limites.
Um dia (destes)... os ténuos limites do limite alargam-se até se esfumarem no nada do todo.
Esse dia não é hoje... mas começa hoje... e é uma certeza no tempo e no espaço.