sexta-feira, 7 de agosto de 2009
E vai ser sempre assim...
E a história é a assim... repete-se... em ciclos.
E a cabeça é assim... cresce... muda... volta a crescer... mantém as bases.
E alma é assim... volta... revolta-se... revira-se... serena e agita-se... ama... adora... morre e ressuscita... vive!!!
E o sorriso é assim... abre... esmorece... volta... perde-se e acha-se... resgata-se.
E a honestidade é assim... está cá sempre, ao lado da almofada... doa a quem doer.
E o corpo cresce, move-se, contorce-se, torna-se maior, mais pequeno, engrandesse à medida da alma... à medida da honestidade... à medida de um todo... à medida de um Mundo.
E vai ser sempre assim...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Gostava
Gostava de escrever sentido e sentindo, mas caramba o copo meio vazio teima em ganhar força. E olho para o meio cheio e por momentos o ânimo espalha-se pelos meus vazios. E tenho a ousadia de tentar encher o copo todo. E por momentos consigo.
Ciclos, ciclicos em ciclos...
E agarro-me aos pensamentos felizes, porque os pensamentos felizes permitem-me voar (isso ou pó de fada). E eles permanecem e desaparecem à mesma velocidade estonteante em que vou vivendo... a viver.
E será sempre assim...
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Ao cimo de mim
Rastejar??? Nunca... fiquei imóvel até os ossos colarem.
Rasguei o meu Mundo e outros Mundos... enchi-me de nódoas negras... sangrei e chorei (finalmente).
Cicatrizes??? Coberta delas. Algumas completamente fechadas, outras que ainda vão rebentando. Mas sempre e sempre sem problemas de coluna.
Acreditar??? Ainda não, ainda não dá, ainda é muito cedo... ou talvez já seja tarde demais.
Mas mantem-se uma teimosia surda... e por vezes cega... em chegar lá, mesmo sabendo que isso levará mais que uma vida e já vem das outras vidas.
E vai ser sempre assim...
"Teimoso subi, ao cimo de mim, e no alto rasgei, as voltas que dei", Beijo Leve Triste, Paulo Gonzo
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Procura(mo-nos)
Levanto uma pedra, e depois outra, e mais uma, e ainda aquela ali mais há frente. Afasto uns quantos arbustos. Desvios uns cortinados. Vejo debaixo do colchão. Viro a mala em cima da mesa e remexo em tudo.
Tento saber quem sou e acima de tudo o que sou.
Vejo-me e revejo-me ao espelho, em vários ângulos, qual narciso... espiolho-me da cabeça aos pés. E nada.
Tento que vejas quem eu sou... desesperadamente. Levo uma vida a tentar que vejam quem eu sou. E nada. Que angustia, que esforço inglório, que luta... perco as forças. E é aí, quando se perdem as forças, que está a resposta. É aí o fim do arco-íris. É aí que está o pote de ouro.
A cada misunderstanding é um passo atrás, um recuo, um fechar na concha. E aprendo a viver assim e deixo de querer que me conheçam, que me compreendam. Passo a fazer questão que não me conheçam. É ponto de honra... arrongante.
E compreendo que eu é que tenho de me compreender e aceitar. E passo a olhar para dentro, sem egoísmos finalmente, e a gostar do que vejo. Genuína... sempre.
"And I don't want the world to see me, Cause I don't think that they'd understand. When everything's made to be broken, I just want you to know who I am ", Iris, Goo Goo Dools
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Apertos
Sei que um dia volto, tenho essa certeza inabalável.
Até lá vou ouvindo relatos, revivendo memórias e roendo imaginariamente as unhas, até não poder mais... e sonhando com o meu regresso.
Até lá vou despertando outros sorrisos e noutros sorrisos e com outros sorrisos.
E aprender a paciência... a calma... no meio da luta e das lutas.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Abandonos
Um abandono que mistura a calma com aquela pequena dor que nos conforta. E vamo-nos deixando andar assim, até pairarmos no incerto.
E quando damos por nós entregámo-nos em definitivo a esse abandono de tudo, de todos, de nós próprios.
E é aí que estamos lá. Que chegámos. Sem descansos.
Quando esse abandono se torna consciente e feliz.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Ver
Passou por cima de muitos dos meus quereres...
Passou por cima de alguns sentires profundos...
E arrasou com grande parte do que demorei mais de 30 anos a construir.
Só tu não viste a dimensão desse amor!
Muitos não o compreenderam.
Só tu não percebeste que Tavira passou a ser uma opção.
Só tu não percebeste que troquei as Bahamas pela Jamaica.
Só tu não percebeste que passei a ter 3 filhos e que voltei a gostar de basket.
Só tu não viste que larguei a vida... soltei-me dela... desprendi-me.
Pairei simplesmente durante meses a fio...
Se me arrependo? Não. Só de não ter voltado a mim mesma mais cedo no tempo.
De resto... voltaria muito provavelmente a repetir tudo.
Porquê? Porque agora me ergo mais forte, mais capaz, de coluna mais direita ainda... com um sorriso renovado... independentemente de todo o socialmente condenável. Disso nem quero saber. Sempre fui uma outsider, para alguns a esquisita... e continuarei a ser.
Com o tempo ficarão só as boas lembraças. E não será complicado, também não são assim tantas. Muitas foram esmagadas por uma das dores mais profundas que alguma vez senti.
Soltei-me e perdi-me de mim. Estou a regressar...
E como eu adoro regressos!!!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Vou arrumar as chuteiras
E isso não tem de ser necessáriamente mau... pelo contrário. E sempre nos preservamos de alguns pontapés nas canelas (e nos rins) desnecessários. Já basta os que não podemos de todo evitar.
Eu estou nessa fase!!!
Estou sentada no banco, de chuteiras na mão a ver tudo... a observar tudo. E a aguardar pacientemente que "o" treinador sinta que eu estou capaz de entrar em campo como membro válido para a equipa.
Enquanto isso vou enchendo as minhas prateleiras com mais e mais livros, que cada vez menos penso em afastar de onde estão. Livros que são meus, num espaço muito umbilicalmente meu.
Num espaço onde cada particula de pó tem uma história feita da minha história e de outras histórias de outros.
E aguardo... também é bom poder estar só a ver.
domingo, 12 de julho de 2009
Amêndoa Amarga
Encosta-se ao balcão e pede uma amêndoa amarga, que afinal é doce, e bebe de um gole. Pede outra, sem gelo. E bebe o mais devagar que consegue, o mais devagar que sabe, tão devagar pela primeira vez no seu quase meio século de existências.
E ali está e ali fica e ali perde a noção do tempo e do espaço, que nunca teve, que nunca quiz ter. E dali parte na sua última viagem, numa caminhada sem rumo definido e com linhas bem traçadas. Sem se desencostar do balcão, daquele balcão que poderia ser outro qualquer.
Encostada áquele balcão, onde todos os olhos fingem não a olhar, onde todos os olhos não a conseguem ver, perde-se... e encontra-se...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Um dia (destes)...
Um dia (destes)... viajo no tempo e uso o teletranporte.
Um dia (destes)... apanho a boleia do mar e dos ventos.
Um dia (destes)... volto a sentir o aconceho de uns braços e o coração a querer saltar.
Um dia (destes)... breve... estão de volta.
Um dia (destes)... abraço o Mundo e os Mundos... sem dor.
Um dia (destes)... a culpa vai-se e esvai-se por completo.
Um dia (destes)... o sorriso a espaços permanece e o acreditar de corpo e alma regressa a casa.
Um dia (destes)... a vibração sobe ao limite, sem limites.
Um dia (destes)... os ténuos limites do limite alargam-se até se esfumarem no nada do todo.
Esse dia não é hoje... mas começa hoje... e é uma certeza no tempo e no espaço.
terça-feira, 30 de junho de 2009
E quando...
E quando os amigos são mesmo amigos e sentimos isso de uma forma muito forte...
E quando há sempre alguém cá e lá para nós...
E quando recebemos sorrisos do lado de lá de um vidro baço...
E quando partilhamos enormes pequenezas da vida com pessoas muito grandes durante dias seguidos, que ameaçam tornar-se em anos...
E quando recebemos convites alegremente inesperados...
E quando recebemos ombros e somos ombros...
E quando os desabafos e as palavras mais simples nos unem...
É quando voltamos a Acreditar...
É quando a palavra Partilha faz todo o sentido na vida... finalmente!!!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Tapete voador
Quando o escolheu era menina do tamanho de uma ervilha e o seu tapete novo, novo e pouco maior que uma ervilha.
Maria foi crescendo e o tapete com ela. Maria atravessou ventos e tempestades, marés e brisas mais suaves, calores fortes com direito a escaldões, chuvas, chuviscos e neves... tudo com o seu tapete... tudo no seu tapete.
A meio da caminhada , mesmo a meio, já os dois tinham poeira entranhada na pele e rasgões, muitos, uns mais remendados que outros... já os dois tinham histórias para contar... já os dois tinha estórias para partilhar...um com o outro... com o Mundo.
E por esta vida, e quem sabe numa outra, acima de tudo ousaram sonhar!
(Abraço enorme Maria...ia. E obrigada pelo Rabisco)
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Espinhos
E com medo não espreita. E com medo não toca.
Até que um enorme espelho a obriga a ver o espinho que tem cravado nas costas desde a eternidade.
Mas continua a não lhe mexer. Doi? Cada vez mais e mais. Mas aquela dor já a conhece por dentro e por fora. E a sua presença acaba por ser confortável de tão familiar.
E até a coragem vir assim será.
E quando a coragem veio, embalada pelos amores e desamores, arrancou finalmente a dor. E seguiu, diferente e indiferente às proximas dores.
Espinhos cravados nas costas que se enraizam e emaranham no corpo?!?!?
domingo, 21 de junho de 2009
Amigos ;)
Partilhamos vidas, partilhamos risos, partilhamos interiores.
Encostamos ombros, trocamos palavras... são os únicos a quem realmente nos damos... são os únicos que realmente se dão.
E eles estão sempre cá e nós estamos sempre lá.
E por mais que banalizemos a palavra... amigo... no fundo sabemos sempre quem eles são.
E esses mantemos sempre bem junto de nós... da nossa alma... do nosso coração... das nossas lembranças... das nossas histórias.
E é com eles que vamos fazendo...sempre...história.
E é com eles que o sempre ganha um sentido eterno!
("E é então que amigos nos oferecem leito, entra-se cansado e sai-se refeito, luta-se por tudo o que se leva a peito"; Primeiro Dia, Sérgio Godinho)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Fôlegos
E aceito isso... respeito... e sorrio.
Mesmo que e quando os outros não percebem, não respeitam, não sorriem.
E sei que conseguirei sempre esticar esse máximo, mas já sem me violentar.
E espero por um amor feliz, sem o procurar e no meio dos meus amores felizes.
E volto a inspirar bem fundo, de um fôlego só. E volto a reter o ar o máximo que posso. E volto a sorrir.
E sei que vai ser assim esta vida e outra e outra.
E pela primeira vez nesta vida isso agrada-me.
domingo, 14 de junho de 2009
Espaços
E pelo caminho a música fica lá longe, entre um ouvido e o outro, e a vida mais próxima corre em zumbidos de uma ponta à outra... do carro... da mala... da cabeça... das memórias.
E de repente aparece um espacinho para ti, que não se quer deixar crescer por medo. Sim, admito, por medo? É uma fraqueza, que o seja, não quero nem saber. E em tudo se vê sinais, daqueles que mandam parar, daqueles que alertam para que nem vale a pena voltar a tentar, que o resultado final será sempre uma cara em ferida.
Vou tentando lutar contra isso, mas é um esforço bem fraco... eu sei.
E a concha fecha e eu atiro-me lá para dentro no segundo anterior.
E está quentinho lá dentro. E isso é... seguro.
O carro pára onde é suposto parar e os únicos braços que não ferem enrolam-se no meu pescoço... e eternizo-me assim.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Tempos no tempo do tempo
De poisar as palavras num canto, para que ressurjam mais à frente entre sorrisos e com mais garra.
É tempo de sentar com as pernas à chinês e simplesmente... pensar...parar.
É tempo de apanhar com o vento na cara, no cabelo e saber que isso é muito bom.
É tempo de limpar as armas para as guardar.
É tempo de lutar sem armas, com as as mãos e os risos e os sorrisos.
É tempo de deixar que o coração bata ao seu ritmo, nem que isso implique que ele páre a espaços.
É tempo de pestanejar e de deixar a poeira entranhar-se.
De sentir... e sentir... e deixar sentir.
De fintar os arranhões e lamber as lágrimas, que voltaram... para ficar...para escorregar pelo cantinho da cara.
É tempo de viver!!!
"É tempo de ser forte, atar os ténis com dois nós. Abraçar o vento norte, sorrir a quem se ri de nós", Susana Félix
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Pureza(s)
E tentamos , quase sempre em vão, agarrarmo-nos a qualquer coisa... qualquer coisa que nos tire da lama em que vivemos. Tentamos desesperadamente procurar e agarra o que resta, para sabermos quem somos... se é este o caminho.
E a lama vai subindo, e pomo-nos em bicos de pés numa luta para manter a cabeça de fora.
Tiramos do nariz e dos olhos, vezes sem conta, aquela massa castanha e mal cheirosa que nos rodeia.
Até que... desistimos de lutar... e aprendemos a viver na lama e com a lama...
...ou não!!! Nunca!!!
terça-feira, 2 de junho de 2009
ping...pong...ping...
Cá e lá... Um ontem e um hoje. E o amanhã, quando virá? Virá... virá... virá...
Aqui e ali... Intemporalidade infindável. Respeito.
Que sede... água... água...só água mata a sede. Esta sede.
E o corpo exausto repousa ligeiramente poisado nos lençois brancos de Verão. Já nem deixa marca, os vincos vão-se apagando.
Ping...ping...ping...pong.
Asas suspendem, presas nas costas, fora da caixa.
Pés a exactamente 1 cm do chão... nem mais... nem menos... 1 cm exacto, calculado milimetricamente... por hoje.
Mãos que picam, borbulham, aquecem... e aquecem-nos. Uma chama invisível que descansa na ponta de cada um dos 10 dedos. Mindinho... Seu vizinho... Pai de todos... Fura bolos... e Mata piolhos.
Em lenga-lenga, em alvoroço, em gargalhadas escancaradas.
Ping...ping...ping...pong.
Aqui e ali, agora ou nunca, sempre, para sempre e para depois...
Saltita aqui... Senta ali... ali debaixo do banco, da mesa, dá árvore. Saltita... saltita... saltita.
Pingos de luz pequeninos respingam e enchem um Mundo até transbordar.
E Lilliput desaparece, esfuma-se, fica ainda mais pequena, insignificante. Porque à volta o Mundo acrescenta-se e engrandece.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Saco de papel pardo
Todos os dias acrescentos novas palavras, arrumo-as lé dentro e volto a arrumar.
Componho-as, junto-as, troco-as de sítio... num verdadeiro jogo de prazer absoluto e absurdo viro-as do avesso e mudo-lhes o sentido, com o mesmo sentimento.
Encho a alma com as palavras daquele simples saco de papel pardo... já com nódoas... já com uns dois ou três buracos.
Mas julgam que as palavras caiem? Nunca.
Podem até fugir-me por entre os dedos, mesmo fechados, ou escorregar-me pela boca. Mas dali, daquele saco de papel pardo não saiem. É o seu aconchego, o seu porto seguro.
Ali vivem!