O relógio marca o companso... mesmo o digital. Numa era de autómatos cruéis que se movem cegos pelas ruas.
Procuro uma réstia de humanidade e lá vou encontrando a espaços. Um erva verde entre dois muros de betão, uma flor amarelinha no cimento e uma outra mais à frente, que finta os carros numa qualquer beira de estrada.
... um ser humano minúsculo que se engrandece e arrasta consigo uma pequena horda de cabeças pensantes... espécie em vias de extinção.
Um relógio gigantesco marca as horas, marca os ritmos... e ai de quem daí se desvia... ai de quem sai fora da linha... ai de que se humaniza.
É a escolha, a derradeira escolha... ali, na fila, aceite entre os demais... ou... eternamente só, numa luta desigual e sangrenta e eternamente perdida... para quem fica na linha.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Vozes
Uma voz tão doce encosta-se a mim e permanece breves minutos. Queria parar o tempo, os movimentos... mas guardo para sempre o momento... as fotos mentais que se vão esbatendo nos meandros da minha memória.
Queria até morrer assim. Abraçada em ti... em vocês... e nas recordações doces das nossas vidas.
Queria até morrer assim. Abraçada em ti... em vocês... e nas recordações doces das nossas vidas.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Presentes
O Natal é hoje, chegam os presentes. Mal dormi. Revirei-me na cama horas a fio até adormecer num sono entrecortado, agitado por sonhos mil dos quais já nem me lembro. Não contam. Não interessam.
A noite passou.
Acordei de manhã naquela ansia de saber que hoje é Natal.
Já programei tudo e desprogramei umas mil vezes... pelo menos.
Sei que nada vai ser como o esperado. Sei que vai ser sempre muito melhor.
E espero o dia a passar.
A noite passou.
Acordei de manhã naquela ansia de saber que hoje é Natal.
Já programei tudo e desprogramei umas mil vezes... pelo menos.
Sei que nada vai ser como o esperado. Sei que vai ser sempre muito melhor.
E espero o dia a passar.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Mais um dia
E pronto, já está mais um dia... e começa o dia. Entro no carro, tranco as portas, ponho o cinto, ligo o rádio... gestos automáticos... todos os dias, mais ou menos à mesma hora. Até já os deuses se habituaram e esperam que eu acabe o meu ritual e me ponho a caminho para me assaltarem o pensamento.
E penso nos meus amores... e invariavelmente em ti. De mansinho... um quilometro mais à frente que no dia anterior ou uns metros mais atrás lá chegas tu de mansinho. E ficas, pelo menos até à curva seguinte.
E penso nos meus amores... e invariavelmente em ti. De mansinho... um quilometro mais à frente que no dia anterior ou uns metros mais atrás lá chegas tu de mansinho. E ficas, pelo menos até à curva seguinte.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Ainda aí estás?
Agito os braços no ar, na ânsia de que me vejas... de que alguém me veja.
Mas já não me vês... eu não sei por onde andas... e cruzo-me diariamente com simpáticos estranhos que me sorriem.
As minhas dores conheço-as eu... as alegrias também.
Vou soltando risos para o ar... guardando sorriso... encolhendo as lágrimas que são só minhas.
Cada vez mais numa concha pequenina só minha... aberta a espaços para o Mundo.
Ainda estás aí?
Mas já não me vês... eu não sei por onde andas... e cruzo-me diariamente com simpáticos estranhos que me sorriem.
As minhas dores conheço-as eu... as alegrias também.
Vou soltando risos para o ar... guardando sorriso... encolhendo as lágrimas que são só minhas.
Cada vez mais numa concha pequenina só minha... aberta a espaços para o Mundo.
Ainda estás aí?
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Xiuuuuu... é segredo.
Não contes nada a ninguém... sussuro.
Xiuuuuuuu... é segredo... digo baixinho.
É só meu.
É segredo que ainda te amo e que as nossas memórias me acompanham todos os dias nos percursos de carro... nas músicas partilhadas... nos passeios de mãos dadas... nos pés descalços pela praia.
É este o meu segredo... as nossas memórias no fundo da mala... e da alma.
Uns dirão que sou louca... que o tempo tudo apaga. Outros encolherão os ombros. Outros ainda acharão que não vivo aqui, neste mundo.
Por isso é segredo. Podem até achar-me louca... descabelada... de pés fora da terra e cabeça no ar. Podem até encolher os ombros.
Mas estas memórias boas não permito esquecer-me. Embalo-as entre sorrisos e saudades. E um grande amor nunca se pode perder de vista... nem que seja nas memórias.
Por isso... xiuuuuuuuu... é o meu segredo.
Tema para o desafio de Julho da Fábrica das Letras - "Segredo"
Xiuuuuuuu... é segredo... digo baixinho.
É só meu.
É segredo que ainda te amo e que as nossas memórias me acompanham todos os dias nos percursos de carro... nas músicas partilhadas... nos passeios de mãos dadas... nos pés descalços pela praia.
É este o meu segredo... as nossas memórias no fundo da mala... e da alma.
Uns dirão que sou louca... que o tempo tudo apaga. Outros encolherão os ombros. Outros ainda acharão que não vivo aqui, neste mundo.
Por isso é segredo. Podem até achar-me louca... descabelada... de pés fora da terra e cabeça no ar. Podem até encolher os ombros.
Mas estas memórias boas não permito esquecer-me. Embalo-as entre sorrisos e saudades. E um grande amor nunca se pode perder de vista... nem que seja nas memórias.
Por isso... xiuuuuuuuu... é o meu segredo.
Tema para o desafio de Julho da Fábrica das Letras - "Segredo"
terça-feira, 5 de julho de 2011
Passos
Fechei a porta devagar e saí em silêncio. O som dos meus passos foi a minha companhia durante algumas horas. Ritmados, lentos, ajudaram-me a reorganizar-me. O tempo que precisei deles, estiveram lá, a marca compassos.
Depois... depois peguei-lhes ao colo e continuei a caminhar. Porque não dá para parar.
Depois... depois peguei-lhes ao colo e continuei a caminhar. Porque não dá para parar.
terça-feira, 17 de maio de 2011
xiuuuuuuuu!!!
Xiuuuuuuuuuuuu... Não digas nada. Limita-te a permanecer por aqui.
Voltámos de costas voltadas... para reaprender aquele amor. Lentamente. Permanecendo.
As palmas das mãos feridas, os pés em chamas e tudo o resto em pedaços.
Sim, talvez juntos...
Lentamente. Sem uma pressa apressadíssima, que os dias estão a acabar.
Ficámos assim... quietos... pele com pele. A respirar baixinho. Xiuuuuuuuuuuu... Não digo nada. Limito-me a permanecer por aqui.
Voltámos de costas voltadas... para reaprender aquele amor. Lentamente. Permanecendo.
As palmas das mãos feridas, os pés em chamas e tudo o resto em pedaços.
Sim, talvez juntos...
Lentamente. Sem uma pressa apressadíssima, que os dias estão a acabar.
Ficámos assim... quietos... pele com pele. A respirar baixinho. Xiuuuuuuuuuuu... Não digo nada. Limito-me a permanecer por aqui.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
E afinal?...
E afinal tanto tempo para depois tudo se esvaziar em silêncios cortantes e eternas ausências.
Propósitos insanos juntam-nos... e afastam-nos.
Alguém, algures, nos manobra de forma preversa, sem dó das dores causadas.
Esticamos os braços o mais que podemos, mas já não nos alcançamos.
Está criado o pior de todos os vazios... o da falta de partilha partilhada.
Propósitos insanos juntam-nos... e afastam-nos.
Alguém, algures, nos manobra de forma preversa, sem dó das dores causadas.
Esticamos os braços o mais que podemos, mas já não nos alcançamos.
Está criado o pior de todos os vazios... o da falta de partilha partilhada.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Memórias das memórias
A memória é um ser vil, que nos atraiçoa. Faz-nos sonhar... faz-nos voar... e no final... nada foi bem assim.
Quando foi a última vez que me aconchegas-te a roupa na cama e me deste um beijo de boa noite? Não me lembro de nenhuma vez.
Quando brincas-te comigo de gatas no chão, entre as bonecas e os tachinhos ou os jogos de memória? Não sei, não me lembro.
Mas tenho tantas boas memórias de nós.
E no dia em que tudo passar... até a memória... irei agarrada às memórias de todos nós.
Quando foi a última vez que me aconchegas-te a roupa na cama e me deste um beijo de boa noite? Não me lembro de nenhuma vez.
Quando brincas-te comigo de gatas no chão, entre as bonecas e os tachinhos ou os jogos de memória? Não sei, não me lembro.
Mas tenho tantas boas memórias de nós.
E no dia em que tudo passar... até a memória... irei agarrada às memórias de todos nós.
Luz
Será que ainda sei escrever? Se é que alguma vez o soube...
Meia dúzia de rabiscos no meio de uma solidão povoada de gentes. Vou deixando vidas pelo caminho, vou agarrando outras. Todas minhas... nenhuma verdadeiramente minha.
Até que se muda de luz... num dia de sol tempestuoso.
Meia dúzia de rabiscos no meio de uma solidão povoada de gentes. Vou deixando vidas pelo caminho, vou agarrando outras. Todas minhas... nenhuma verdadeiramente minha.
Até que se muda de luz... num dia de sol tempestuoso.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Um sol
Um sol imenso invadiu-me o olhar e deixou-me o corpo num torpor maravilhoso. Um torpor que se alastrou até à pontinha dos dedos dos pés... que são pequenos... redondinhos.
Um sol imenso sorriu-me hoje de manhã e vai sorrir-me ao fim da tarde e antes de adormecer... cansada.
Um sol imenso leva-me pelo sonhos de quem não se conforma, de quem mesmo a dormir vive acordada.
Um sol imenso recebe-me e abraça-me todas as manhãs... mesmo quando eu, de casmurra, insisto em não o querer.
Deito-me neste sol imenso, que me vem envolvendo pela vida... e viajo.
Um sol imenso sorriu-me hoje de manhã e vai sorrir-me ao fim da tarde e antes de adormecer... cansada.
Um sol imenso leva-me pelo sonhos de quem não se conforma, de quem mesmo a dormir vive acordada.
Um sol imenso recebe-me e abraça-me todas as manhãs... mesmo quando eu, de casmurra, insisto em não o querer.
Deito-me neste sol imenso, que me vem envolvendo pela vida... e viajo.
terça-feira, 1 de março de 2011
...
Entrelaçados. Assim ficámos. Meia hora? Uma? Dias eternos? Não sei, nem procuro saber. Limito-me a viver. A arrancar sorrisos, alguns a ferros em brasa. A soltar gargalhadas sonoras que abafem a dor. E a aceitar as suavidades que se soltam a espaços e me suavizam o ser.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
...
Continua a marcar o compasso. Ali. Sem se mover. Uma peça de museu. Ali. Esquecida de todos menos de si própria.
Os solavancos sulcaram-lhe o destino, que agarrou com força até se ferir. E mesmo assim nunca baixou os braços. Nunca abrandou o passo. Um ritmo ao ritmo dos ritmos. E mesmo assim está lá... ali.
Os solavancos sulcaram-lhe o destino, que agarrou com força até se ferir. E mesmo assim nunca baixou os braços. Nunca abrandou o passo. Um ritmo ao ritmo dos ritmos. E mesmo assim está lá... ali.
Loucuras
Uma loucura apodera-se de mim e corro mundo com o mundo às costas. Espalho sorrisos, transporto alegrias, transbordo energias.
E tudo roda a uma velocidade estonteante, sem nunca abrandar. E continuamos formigas errantes, num rumo sem sentido... com os nossos sentidos.
E tudo roda a uma velocidade estonteante, sem nunca abrandar. E continuamos formigas errantes, num rumo sem sentido... com os nossos sentidos.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Noites brancas
Noites brancas. Um livro na cabeceira. Aberto. E a história continua a viver, dentro daquelas páginas. Não pára. Sorrisos abertos, lágrimas em forma de chuva. Correrias aos gritos, silêncios perturbadores. Canções de embalar, choros sentidos... e sumidos... no ar de uma noite branca.
E o livro fica ali, aberto na eternidade... na imensidão.
A espaços uma página vira-se... respira em mim... aconchega-me.
Mais uma aventura, mais uma flor atirada pelo caminho. E o marcador descansa enfim... durante algumas horas... numa noite branca cheia de vazios com muito sentido... com todos os sentidos.
E o livro fica ali, aberto na eternidade... na imensidão.
A espaços uma página vira-se... respira em mim... aconchega-me.
Mais uma aventura, mais uma flor atirada pelo caminho. E o marcador descansa enfim... durante algumas horas... numa noite branca cheia de vazios com muito sentido... com todos os sentidos.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
...
Ali estás tu, naquele canto. Vejo-te, sinto-te a respiração e os suspiros. Quero falar-te. Tento falar-te. E não consigo. Não sai nada. Só um lágrima que escorre e me deixa os olhos brilhantes. Já não me vês.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Ser ingénua
Será ingenuidade querer o bem dos outros?
Será ingenuidade achar que adianta não baixar os braços?
Será ingenuidade continuar a lutar?
Será ingenuidade reger a vida em torno do conceito de honestidade?
Será ingenuidade achar que ainda vamos a tempo de sermos melhores e de fazermos mais e melhor?
Será ingenuidade querer continuar a fazer a diferença pela positiva?
Será ingenuidade querer a verdadeira justiça?
Será ingenuidade acreditar na amizade?
Se é ingenuidade... Se isso é ser-se ingénua... então, ainda bem que sou ingénua.
Será ingenuidade achar que adianta não baixar os braços?
Será ingenuidade continuar a lutar?
Será ingenuidade reger a vida em torno do conceito de honestidade?
Será ingenuidade achar que ainda vamos a tempo de sermos melhores e de fazermos mais e melhor?
Será ingenuidade querer continuar a fazer a diferença pela positiva?
Será ingenuidade querer a verdadeira justiça?
Será ingenuidade acreditar na amizade?
Se é ingenuidade... Se isso é ser-se ingénua... então, ainda bem que sou ingénua.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Felizes para sempre
Onde está o ...e foram felizes para sempre?... Em que caixa o guardaram.
Já virei tudo de pernas para o ar... do avesso... ao contrário. E nada.
Desapareceu. Perdeu-se nos escombras de várias vidas.
Nunca existiu.
Já virei tudo de pernas para o ar... do avesso... ao contrário. E nada.
Desapareceu. Perdeu-se nos escombras de várias vidas.
Nunca existiu.
...
A dor da flecha lançada que se perde no ar, entre arvoredos e lagoas cristalinas.
A dor da flecha que se perde e vagueia sem lugar onde assentar a alma.
Alma errante. Em desassossegos vários. Em caminhos pedregosos, escondidos por pequenas ervas e musgos. Um tropeção... dois.
Um caminho encontrado... outro perdido. Uma flecha que se lança sem retorno possível. E tudo parece perdido juntamente com a felcha esquecida, despresada, ignorada... erradamente ignorada?... fingidamente ignorada?... propositadamente ignorada?... medo, por muito medo. Uma cegueira escolhida. Arrependida.
A dor da flecha que se perde e vagueia sem lugar onde assentar a alma.
Alma errante. Em desassossegos vários. Em caminhos pedregosos, escondidos por pequenas ervas e musgos. Um tropeção... dois.
Um caminho encontrado... outro perdido. Uma flecha que se lança sem retorno possível. E tudo parece perdido juntamente com a felcha esquecida, despresada, ignorada... erradamente ignorada?... fingidamente ignorada?... propositadamente ignorada?... medo, por muito medo. Uma cegueira escolhida. Arrependida.
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