A dor da flecha lançada que se perde no ar, entre arvoredos e lagoas cristalinas.
A dor da flecha que se perde e vagueia sem lugar onde assentar a alma.
Alma errante. Em desassossegos vários. Em caminhos pedregosos, escondidos por pequenas ervas e musgos. Um tropeção... dois.
Um caminho encontrado... outro perdido. Uma flecha que se lança sem retorno possível. E tudo parece perdido juntamente com a felcha esquecida, despresada, ignorada... erradamente ignorada?... fingidamente ignorada?... propositadamente ignorada?... medo, por muito medo. Uma cegueira escolhida. Arrependida.
sábado, 1 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Mais um ano cumprido
Mais um ano cumprido. Menos um ano desta vida.
Mais conquistas, mas também mais dores e desilusões a pesar no corpo.
Um corpo que já não responde à rapidez dos pensamentos.
E que venha o próximo ano, que cá o espero de braços abertos e mangas arregaçadas.
Com a certeza da chegada de novas vidas, novos amores, novas lutas e novas conquitas. Com a certeza de mais algumas dores e desilusões. Com a certeza de novas feridas abertas, de outras cicatrizes a marcar o tão afamado processo de crescimento.
No fundo, com um mar de incertezas no bolso do casaco, lado a lado com uma eperança cansada.
Mais conquistas, mas também mais dores e desilusões a pesar no corpo.
Um corpo que já não responde à rapidez dos pensamentos.
E que venha o próximo ano, que cá o espero de braços abertos e mangas arregaçadas.
Com a certeza da chegada de novas vidas, novos amores, novas lutas e novas conquitas. Com a certeza de mais algumas dores e desilusões. Com a certeza de novas feridas abertas, de outras cicatrizes a marcar o tão afamado processo de crescimento.
No fundo, com um mar de incertezas no bolso do casaco, lado a lado com uma eperança cansada.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Para sempre "indio"
Para sempre "indio"... rebelde... inconformada... e com o desassossego latente nas veias, que não deixa o desalento tomar conta de mim por muito tempo.
Alguns murros em pontas de facas, numa luta desmedida pela palavra mãe: honestidade.
Uma palavra que lateja em mim e me obriga a seguir este caminho e não outro, que me fosse mais suave, mais almofadado.
Uma sentir que me impele a lutar, que me atira para a frente, mesmo quando completamente só nas minhas causas.
Um viver por causas... nas causas.
Alguns murros em pontas de facas, numa luta desmedida pela palavra mãe: honestidade.
Uma palavra que lateja em mim e me obriga a seguir este caminho e não outro, que me fosse mais suave, mais almofadado.
Uma sentir que me impele a lutar, que me atira para a frente, mesmo quando completamente só nas minhas causas.
Um viver por causas... nas causas.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Tanto por dizer
Uma doce sensação de tristeza embala-me a alma e o corpo. Oiço-te do outro lado do fio e emudeço. Fica tanto por dizer. Por dentro fervilho. Agarro nos embrulhos e caminho, sempre em frente. E continuo. E tanto que ficou por dizer. Tanto...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Infinitamente
Há dias que se arrastam infinitamente sem percebermos os porquês das razões.
Fecho os olhos e tento distrair-me em mim. Mas aquelas imagens não se apagam.
E o dia arrasta-se infinitamente.
E com os dias as imagens esbatem-se... dão lugar a outras.
E a vida arrasta-se infinitamente num turbilhão de vontades. Numa pressa desmedida. Onde tudo passa ao ritmo de um enorme tropeção... infinitamente.
Fecho os olhos e tento distrair-me em mim. Mas aquelas imagens não se apagam.
E o dia arrasta-se infinitamente.
E com os dias as imagens esbatem-se... dão lugar a outras.
E a vida arrasta-se infinitamente num turbilhão de vontades. Numa pressa desmedida. Onde tudo passa ao ritmo de um enorme tropeção... infinitamente.
sábado, 20 de novembro de 2010
Em frente
Quedas... dor.. vontade de largar tudo.
E continuar sempre.
Saber que amanhã é outro dia... que daqui a sessenta minutos é outra hora... e que daqui a sessenta segundo outro minuto...
Manter a cabeça de fora...
O corpo em suspenso...
Pairar.
Manter sorrisos. Ganhar sorrisos.
Disfarçar dores... tapar as feridas... esconder as cicatrizes.
E seguir em frente.
Sempre em frente... nem sempre para a frente.
E continuar sempre.
Saber que amanhã é outro dia... que daqui a sessenta minutos é outra hora... e que daqui a sessenta segundo outro minuto...
Manter a cabeça de fora...
O corpo em suspenso...
Pairar.
Manter sorrisos. Ganhar sorrisos.
Disfarçar dores... tapar as feridas... esconder as cicatrizes.
E seguir em frente.
Sempre em frente... nem sempre para a frente.
Hoje preciso...
Hoje preciso que me puxes para ti... que me abraces no teu calor e me beijes os cabelos.
Hoje preciso que fiquemos assim... imóveis... no nosso canto. Com a cabeça no ar... e os pés bem assentes na terra.
Hoje preciso de ficar de olhos fechados... aninhada em nós... porque os sentidos são cinco e os sentimentos mais de mil.
Hoje preciso que me puxes para ti... só.
Hoje preciso que fiquemos assim... imóveis... no nosso canto. Com a cabeça no ar... e os pés bem assentes na terra.
Hoje preciso de ficar de olhos fechados... aninhada em nós... porque os sentidos são cinco e os sentimentos mais de mil.
Hoje preciso que me puxes para ti... só.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
...
Um sabor amargo tão conhecido está de volta. Sei que vai acabar por passar. Mas enquanto está... está mesmo.
Uma vontade de fechar os olhos por uns dias... e quando os abrir o efeito memória desapareceu. Mas não vai ser assim, nunca é.
E leio frases feitas que só nos animam quando não precisamos dela.
E remeto-me aos meus silêncios povoados de gargalhas ôcas e olhares tristes.
E a consciência volta a atraiçoar-me. E a doer.
Uma vontade de fechar os olhos por uns dias... e quando os abrir o efeito memória desapareceu. Mas não vai ser assim, nunca é.
E leio frases feitas que só nos animam quando não precisamos dela.
E remeto-me aos meus silêncios povoados de gargalhas ôcas e olhares tristes.
E a consciência volta a atraiçoar-me. E a doer.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Acreditar?
Acreditar?... É tão cada vez mais difícil...
Quando parece que sim, que pode ser, que talvez eu é que tenha estado enganada desde sempre o desânimo volta a assolar-me.
Uma onde que varre tudo... e deixa algumas algas e conchas... outra onda que volta.
Os braços voltam a baixar-se, num movimento abrupto e automático. Enrolo-me em mim, num gesto que tão bem conheço. E que me protege.
Nada a fazer. Parece que é assim mesmo.
Um névoa volta a rondar. Volto a ouvir as canções de sempre, dos poetas de sempre... e que vivem comigo sem sequer desconfiarem... sem medos, sem cobranças... sempre, sem súbitos e inexplicáveis desaparecimentos.
E é mais um vez isso a vida. Vidas que se cruzam com a minha e na minha... e saiem.
Quando parece que sim, que pode ser, que talvez eu é que tenha estado enganada desde sempre o desânimo volta a assolar-me.
Uma onde que varre tudo... e deixa algumas algas e conchas... outra onda que volta.
Os braços voltam a baixar-se, num movimento abrupto e automático. Enrolo-me em mim, num gesto que tão bem conheço. E que me protege.
Nada a fazer. Parece que é assim mesmo.
Um névoa volta a rondar. Volto a ouvir as canções de sempre, dos poetas de sempre... e que vivem comigo sem sequer desconfiarem... sem medos, sem cobranças... sempre, sem súbitos e inexplicáveis desaparecimentos.
E é mais um vez isso a vida. Vidas que se cruzam com a minha e na minha... e saiem.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
...
Dou-te a mão e sorrio aos teu lado. Puxas por mim e corremos no passeio... sem parar.
Pelo caminho aninho-te no meu colo, a espaços, seco-te as lágrimas e lambo-te as feridas.
Ensinas-me como se volta a sorrir... só por sorrires para mim.
E passamos a partilhar sorrisos... e risos... e abraços longos e apertado.
Pelo caminho aninho-te no meu colo, a espaços, seco-te as lágrimas e lambo-te as feridas.
Ensinas-me como se volta a sorrir... só por sorrires para mim.
E passamos a partilhar sorrisos... e risos... e abraços longos e apertado.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
...
Os olhos fechados... uma respiração suave... um pequeníssimo sorriso no canto da boca... cabelos em desalinho.
Sonha. De certeza que está a sonhar. E eu fico ali... horas... a sentir aquilo que nunca é demais sentir-se... a sentir aquilo que só eu consigo sentir. Está ali e é só meu... o cheiro, o calor, o sorriso.
Fecho os olhos e permaneço para sempre naquele momento.
Sonha. De certeza que está a sonhar. E eu fico ali... horas... a sentir aquilo que nunca é demais sentir-se... a sentir aquilo que só eu consigo sentir. Está ali e é só meu... o cheiro, o calor, o sorriso.
Fecho os olhos e permaneço para sempre naquele momento.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Empurrões
Mais um empurrão, tropeço, vou com o joelho esquerdo ao chão e sangro. Mas levanto-me e respondo. Os olhos brilham. Sim, são lágrimas. Admito.
Respondo bem alto, grito a minha justiça... com uma voz pausada... grave... serena.
E no final... No final o Mundo continua a girar sem sair da sua trajectória... como se nada fosse.
Respondo bem alto, grito a minha justiça... com uma voz pausada... grave... serena.
E no final... No final o Mundo continua a girar sem sair da sua trajectória... como se nada fosse.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
...
Chove lá fora. Mas uma promessa de sol espreita a um canto do Mundo.
O chão reflecte um falso brilho e as folhas acabadas de cair da árvore ainda sorriam à luz.
Nós continuamos o nosso caminho... repetido... diário.
Uma formiga atravessa-se à frente dos nosso pés a grande velocidade.
Travamos a marcha para não a pisar... voltamos a travar a marcha para respirar fundo os cheiros de mais um dia.
Texto escrito para o desafio sobre o Cheiro da Chuva, da Fábrica das Letras
O chão reflecte um falso brilho e as folhas acabadas de cair da árvore ainda sorriam à luz.
Nós continuamos o nosso caminho... repetido... diário.
Uma formiga atravessa-se à frente dos nosso pés a grande velocidade.
Travamos a marcha para não a pisar... voltamos a travar a marcha para respirar fundo os cheiros de mais um dia.
Texto escrito para o desafio sobre o Cheiro da Chuva, da Fábrica das Letras
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Estamos
Estamos mais velhos... mudados pelo correr da vida.
Trocamos sorrisos, que ainda sinto cúmplices ao fim de todos estes anos. Ou terão voltado a ser? Ou será uma ilusão?
Precisámos de uma pausa. Fizémos uma pausa.
Mas as dúvidas rodam sobre o que queremos... sobre o que quero.
Apetece-me meter a cabeça debaixo dos lençois e esperar. Mas, esperar o quê?
Por ti? Que passe?
Teremos sempre um nós bem vivos. E disso não podemos escapar... e eu não quero.
Trocamos sorrisos, que ainda sinto cúmplices ao fim de todos estes anos. Ou terão voltado a ser? Ou será uma ilusão?
Precisámos de uma pausa. Fizémos uma pausa.
Mas as dúvidas rodam sobre o que queremos... sobre o que quero.
Apetece-me meter a cabeça debaixo dos lençois e esperar. Mas, esperar o quê?
Por ti? Que passe?
Teremos sempre um nós bem vivos. E disso não podemos escapar... e eu não quero.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Hoje
Hoje... há 10 anos... tudo mudou.
Um sorriso entrou em mim... permanece.
Um sorriso além de todas as dores e todas as mágoas.
Um colo para dar... partilhar.
Hoje... há 10 anos... a minha vida (re)começou.
Um sorriso entrou em mim... permanece.
Um sorriso além de todas as dores e todas as mágoas.
Um colo para dar... partilhar.
Hoje... há 10 anos... a minha vida (re)começou.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Mudem...
Mudem... lutem... arregacem as mangas.
Dêem murros nas paredes e gritem em voz bem alta... arrombem portas.
Ponham a vida a arder, do avesso.
Façamos uma revolução... a sério.
Deixemos só de dizer e passemos a agir.
Não dá mais... o povo é sereno... mas tem limites.
Saibamos construir um Mundo melhor para nós.
Deixemos um Mundo melhor aos novos filhos... e filhos melhores ao nosso Mundo.
Deixemo-nos de hipocrisias fúteis.
Não nos deixemos ficar.
Dêem murros nas paredes e gritem em voz bem alta... arrombem portas.
Ponham a vida a arder, do avesso.
Façamos uma revolução... a sério.
Deixemos só de dizer e passemos a agir.
Não dá mais... o povo é sereno... mas tem limites.
Saibamos construir um Mundo melhor para nós.
Deixemos um Mundo melhor aos novos filhos... e filhos melhores ao nosso Mundo.
Deixemo-nos de hipocrisias fúteis.
Não nos deixemos ficar.
domingo, 17 de outubro de 2010
Mudar
Mudar, sempre a mudar... sempre em mudança.
Um dia estou cá... no outro não.
Um dia tenho a pele morena do sol... no outro dia branca, branca... e mantenho.
Uma certeza? Para nós não mudo mais... Por nós não mudo mais...e estarei cá sempre.
Se ainda (nos) quiseres.
Um dia estou cá... no outro não.
Um dia tenho a pele morena do sol... no outro dia branca, branca... e mantenho.
Uma certeza? Para nós não mudo mais... Por nós não mudo mais...e estarei cá sempre.
Se ainda (nos) quiseres.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Os cheiros do cheiro da chuva
É uma chuvinha delicada que se adensa com o passar das horas, mas sem perder por um segundo que seja a sua delicadeza.
Molha-me a ponta dos sapatos... vai-os ensopando até chegar aos ossos dos meus pés.
E sabe bem... sabe tão bem.
Faz-me sentir viva... disperta.
Inspiro bem fundo e tento absorver os cheiros desta chuva.
Castanhas assadas... terra molhada... relva fresca...
Volto a inpirar, mais fundo ainda.
Um perfume que passa ao meu lado... um tubo de escape de uma mota que acelera...
E a chuva que não pára, não abranda. Já prometeu que vai cair durante mais algumas horas. E vai cumprir.
Uma mão de criança cheia de gomas... um café quente... duas torradas com muita manteiga (... os meios ficam para o fim!)
E no final do dia é a todos estes cheiros... e a tantos outros... que cheira o cheiro da chuva.
Texto Escrito para a FÁBRICA DAS LETRAS (Desafio Outubro - "O Cheiro da Chuva")
Molha-me a ponta dos sapatos... vai-os ensopando até chegar aos ossos dos meus pés.
E sabe bem... sabe tão bem.
Faz-me sentir viva... disperta.
Inspiro bem fundo e tento absorver os cheiros desta chuva.
Castanhas assadas... terra molhada... relva fresca...
Volto a inpirar, mais fundo ainda.
Um perfume que passa ao meu lado... um tubo de escape de uma mota que acelera...
E a chuva que não pára, não abranda. Já prometeu que vai cair durante mais algumas horas. E vai cumprir.
Uma mão de criança cheia de gomas... um café quente... duas torradas com muita manteiga (... os meios ficam para o fim!)
E no final do dia é a todos estes cheiros... e a tantos outros... que cheira o cheiro da chuva.
Texto Escrito para a FÁBRICA DAS LETRAS (Desafio Outubro - "O Cheiro da Chuva")
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Chovia muito...
Chovia muitoooooo... imenso.
Uma rosa no parabrisas do carro... vermelha... despedaçada... anónima.
Uma carta de amor... A primeira de sempre... A última para sempre.
E o cheiro da chuva confunde-se nos dias mais longos e nos amores mais amores. Troca-me as voltas, bem à última da hora. Faz-me sentir perdida no meio de uma imensidão de cheiros.
E no final... afinal, a que cheira a chuva?
Texto Escrito para a FÁBRICA DAS LETRAS (Desafio Outubro - "O Cheiro da Chuva")
Uma rosa no parabrisas do carro... vermelha... despedaçada... anónima.
Uma carta de amor... A primeira de sempre... A última para sempre.
E o cheiro da chuva confunde-se nos dias mais longos e nos amores mais amores. Troca-me as voltas, bem à última da hora. Faz-me sentir perdida no meio de uma imensidão de cheiros.
E no final... afinal, a que cheira a chuva?
Texto Escrito para a FÁBRICA DAS LETRAS (Desafio Outubro - "O Cheiro da Chuva")
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
...
A desilusão é um pequeno espinho que se crava entre a alma e o coração.
A infecção alastra... e aí começa a doer... muito... muito.
Arranca-se o espinho... o corpo contorce-se... purga o veneno e a infecção... a dor fica por mais tempo... muito. A cicatriz ficará para sempre... ali colada entre o coração e alma.
A infecção alastra... e aí começa a doer... muito... muito.
Arranca-se o espinho... o corpo contorce-se... purga o veneno e a infecção... a dor fica por mais tempo... muito. A cicatriz ficará para sempre... ali colada entre o coração e alma.
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