sábado, 5 de junho de 2010

até...

Dia sim... dia não... dia sim... dia não...
Bem me quer... mal me quer... bem me quer... mal me quer...
Saltito nas margens daquele rio e faço saltar pequenos seixos redondinhos por cima da água... até mergulharem e desaparecerem.
Molho os pés... as pernas até ao joelhos. Só até aos joelhos. E as calças.
Aquele fresco de uma água que segue o seu caminho sem olhar para trás entra-me pelo corpo e aquece-me estranhamente a alma... mas refresca-me a pele... a cara... os braços... as mãos.
Molho o cabelo e atiro-o para trás das costas. E o passado fica lá... atrás das minhas costas com o cabelo molhado e uma frescura subitamente inexplicável.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Abraço

Dá-me um abraço, sem me tocares. Não me apertes. Mantem a distancia entre o teu eu e o meu... ao mesmo tempo que os dois se entrelançam e vibram numa dança sem sentido...descompassada.
Abraça-me sempre e para sempre... lá... onde o eu sou eu e o tu és tu. Lá... onde o eus se encontram. Lá... naquele ponto... no equilibrio.
Abraça-me onde os sorrisos se unem, os dedos se tocam e os eus se conhecem... de olhos bem fechados.
Abraça-me ao pôr do sol... até ele voltar a nascer. Dias, meses, anos... o tal sempre... e para sempre.
Abraça-me... simplesmente.

Memórias

Durante anos fui guadando tudo, numa pequena caixa de sapatos ortopédicos que foi crescendo com o tempo.
Guardei areia de praias e pedras e conchas.
Guardei os brindes do bolo rei.
Guardei amores e desamores... paixões e desilusões.
Guardei carinhos. Guardei miminhos. Guardei pontapés e pedradas.
Guardei sorrisos e lágrimas. Arrepios de frio. Peles de galinha.
Guardei sonhos, esperanças.
E vivi e fui vivendo. Em luta para respeirar, sempre por mim.
Em luta... quase sempre... quase sempre comigo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Estiquei a minha mão...

Estiquei a minha mão... queria apanhar a chuva toda, mas só caiu um pingo. Um único pingo.
Um pingo que se diluiu... desapareceu... no meio a sangue que me escorre por entre os dedos.
Fico assim... de mão esticana para o nada durante uma existência.
Só depois a envolvo num lenço encarnado, que esconde o sangue, o pingo de chuva e a dor imensa... encosto a mão ao peito e petrifico-me assim, durante mais uma existência.
E assim... em ciclo... circulos... pequenas corridas... e muito mais... se chegá lá. Ao fim!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pessoas... vidas... nas vidas.

É impressionante... fascinante até... como as pessoas entram na nossa vida...rodopiam nela.
Umas ficam... outras partem sem regresso anunciado.
Umas fazem caminhos ao nosso lado... outras caminhos paralelos... diametralmente opostos.
E eu rodopio na minha vida... a mil... a mil e um.
Entro e saio da minha vida... da vida dos outros... num bailado desconcertante... até para mim.
A vida é assim, feita de múltiplos bailados que se cruzam e abarçam até sempre... até nunca.
A vida. The end!!!

Até breve... até sempre

Ironicamente bom... um dia tudo isto acaba.
As dores, as amarguras, vão-se como que por magia e ficam dispersas no ar, misturadas entre cheiros.
Comigo vão os momentos felizes... os pensamentos felizes. São eles que nos fazem voar. São só eles que eu quero no meu bolso.

sábado, 22 de maio de 2010

Para sempre

Uma lágrima de apreensão desce-me vagarosamente pela cara....e pára mesmo no canto esquerda dos lábios. Paira por ali durante umas boas horas. Contorna a boca... desce pelo queixo e perde-se no vazio do felizes para sempre, no meio de um sorriso pequeno e assustado.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Questiono (me)

Questiono (me) qual o sentido de tudo isto. O porquê das alegrias... das dores... dos sorrisos... das lágrimas.
Questiono (me) para que serve tudo o que me envolve... onde vou eu chegar.
Questiono (me) se quero chegar... e onde.
E a cada questão sem resposta, mais um ponto de partida para uma busca... mais um ponto de partida para caçar un sorrisos e trazer para casa uns quantos murros no estômago.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dar (me)

Ás vezes ouso espreitar cá para fora, insisto em mostrar-me um pouco mais.
Mas rapidamente volto para dentro. E faço a festa aqui, comigo, com quem realmente está.
E é tão bom.
Fujo das hipocrisias, cada vez mais... sou alérgica a falsos sorrisos. Detesto abracinhos de momento.
Dou-me a quem quero... quando acho que sim...
Mas acima de tudo, dou-me a mim mesma todos os dias.
E isso é paixão... acima de tudo paixão... vida.


Texto sobre o tema PAIXÃO, para o desafio de Maio da Fábrica das Letras

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lógicas

Movo um pé devagarinho e depois outro.
Pela ribanceira de ervas rolam minúsculas pedrinhas.
Tento não acordar o Mundo... não o incomodar.
Respira tão traquilo...
Mantenho-me imóvel a escutar.
O seu coração bate dentro da normalidade... uma normalidade dentro da sua imensidão.
Sento-me no chão de terra húmida, encosto-me a uma árvore.
E tento nunca adormecer... para ver tudo... sentir tudo e cheirar tudo.
Não posso perder aquele fio de água que corre ao meu lado, para mais à frente se transformar numa torrente imensa.
Não posso perder o som dos pássaros, das pequenas lagartichas que serprenteiam por aqui, das maçãs que caiem descompassadas da árvore a que me encostei.
Tudo ao seu ritmo, na sua lógica que pareço não compreender... mas aceito.
E quando aceito... com um sorriso, mas sem resignações... volto a respirar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

...de mim...

Vou ter saudades de mim... mas... é impossivel voltar... recuar.
Vou sentar-me naquele banquinho... ali ao canto... e adormecer... e sonhar... comigo.
Terei para sempre orgulho... do que fui... do que sou... do que serei.
As manchas do tempo não saiem.
Vou enrolar-me no cantinho... tipo bichinho de conta... e viver... comigo... com o meu sorriso.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vamos comemorar!!!

Vamos comemorar a vida. Brindemos aos dias felizes, às gargalhadas genuinas, aos sorrisos inocentes.
Vamos comemorar, pura e simplesmente comemorar... porque nos apetece... sem razão especial e por todas as razões do Mundo. Brindemos aos amores eternos, às amizades verdadeiras, à lealdade.
Façamos manifestos contra a mediocridade... pintemos os muros com palavras de ordem... deitemos abaixo os preconceitos... derrotemos os hipócritas.
Vamos comemorar a liberdade de pensamento... vamos comemorar a capacidade de pensar... mesmo que isso irrite o Mundo dos Mundos.

sábado, 1 de maio de 2010

Canetas

Doiem-me as mãos, mas não consigo parar de escrever. É um impulso, não largo a caneta. Um manifesto.
E no dia em que morrer quero ser enterrada com um caderno e uma caneta... e de chinelas. Essa sou eu... essa serei eu.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Filtros

Sento-me no chão em frente à janela. Um vidro muito limpo tenta não distorcer o que se vê do outro lado.
Através da janela vejo a relva crescer, os pequenos insectos a começar o dia, as florinhas abrir as pétalas com o sol da manhã que parece irradiar uma alegria cansada.
Um pé gigante passa e esmaga tudo à sua passagem... que murcha... uma nuvem escura paira agora.
Abro a janela... depressa... tudo passou...

domingo, 25 de abril de 2010

descalça

Juntei os pés e cheguei-os à pontinha do muro. Durante horas olhei para os meus pés. Durante horas mantive-me sentada na beira do muro. O mar em baixo. O céu ao fundo. Um barco... dois.
E depois do sol se pôr... bem lá ao fundo... levantei-me e fui-me embora. Descalça.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sentidos

O medo vem... vai. Impede-nos de saltar... faz-nos temer o depois... de não saltar.
A confiança vai... e vem. Faz-nos sorrir, seguir, continuar... mesmo depois de saltar.
O sorriso vem... fica... vai... volta. Faz-nos lembrar que saltámos... ou não. Faz o nosso sol brilhar... sempre.
A dor obriga-nos... a cair, a levantar, a ser, a estar, a sentir... a sentirmo-nos... a estarmo-nos.
Até que se descobre um sentido... o sentido... o nosso.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Os melhores beijos do Mundo

Um beijo terno fê-lo despertar. Resmungou, refilou pela janela aberta e voltou a tapar-se até às orelhas. O despertador tocou, começou a sentir-se o movimento, a preciana a abrir. Mais um beijo.
Beijos dados, beijos retribuidos... com doçura... com amor... com paixão. Com garra, muita garra pela vida vivida e pela vida para viver.
O que ficou por viver foram somente promessas vãs ou então sonhos desfeitos, que se recompuseram noutros... que caminharam com bases a cada dia mais sólidas.
Poderemos fingir que voltamos atrás... para dar o beijo esquecido. Mas até aí estamos a andar para a frente.

sábado, 10 de abril de 2010

english experience

save me... save me from me... save me from everything.
put me in a safe place... maybe at a pedestal... ou simplesmente num lugar bem alto... bem longe. where anyone, even you, even me, can't reach.
smile for me... everyday... everytime... ou simplemente sorri. a smile from inside, from my heart. betting anxiously for me... from me.

muros

Um muro grande, branco, brilhante... algumas manchas escuras... que se esbatem ou escurecem ao ritmo das batidas de um coração. Ao ritmo dos ritmos. Ao ritmo da vida... das vidas.
Escorregamos ao sabor da chuva, em compassos de cheiros e sentidos... pequenos toques... as mãos fecham-se uma na outra... apertam-se.
A mentes voam muito além... numa só... soltas. O corpo enrodilhado naquela beira de muro e de estrada... ao lado de uma papoila minúscula.
A alma vai e volta... rodopia... desliza...cruza-se.
E o sol brilha sempre e muito. Obriga-nos a fechar os olhos... a serrar os punhos... e a seguir sorrindo.

domingo, 4 de abril de 2010

Acreditar

Um vento Norte soprou-me de mansinho e obrigou-me a fechar os olhos. Rodopiei sobre mim mesma e em mim mesma horas a fio.
E agora? E se abro os olhos? Tento em vão faze-lo... mas tudo continua a rodopiar à minha volta. Sinto uma náusea... estatelo-me no chão. E ao mesmo tempo volto a cerrar os olhos.
Talvez até o vento abrandar... talvez para sempre.
Mantenho os olhos fechados e aprendo a ver assim. Vou tateando até conhecer as cores do Mundo pela ponta dos dedos. Reaprendo a viver. Reaprendo a sorrir. Reaprendo tudo, menos a acreditar.
Voltar a acreditar parece-me uma impossibilidade. Voltar a acreditar está ali... à distância de um passo... um passo para mais um abismo!?!?

Texto para a Fábrica das Letras - O Abismo