E porque nem tudo tem de doer, hoje saí para a rua com o meu sorriso mais genuíno.
Afinal é Natal!
E que importa se não posso comprar todos os brinquedos que eles querem.. se podemos fazer juntos bolinhos de côco?
E o que interessa que as minhas botas já estejam rotas... se estamos juntos a fazer a nossa árvore de Natal?
E sim, gosto do Natal e quero-o todos os anos... a chegar de mansinho na noite de dia 24 e a instalar-se até ao ano que vem no dia 25. É das poucas coisas que me está garantida... O Natal... Sempre... Todos os anos entre 24 e 25 de Dezembro.
Por isso aproveito-o até ao limite. E se possível, todos os anos, vejo a "Música no Coração" como se fosse a primeira vez.
E porque nem tudo tem que doer, abraço os natais passados e vou construindo os do futuro.
Para Fábrica das Letras - Natal
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Para chegar onde?
Corro, corro, corro, corro...e chego onde? Ali? Aqui? Cá e lá?
E volto a correr... não sei parar... não consigo.
E ignoro o cançaso que me sobe pelas pernas e me apanha o corpo todo.
Rio-me dele, na cara dele... Mas é um cansaço que não desiste.
E eu persisto em correr.
E curo as nódoas negras com o peso de outras que vão surgindo.
Uma esquina de uma mesa... um carrinho cheio de compras... um tropeção... dois... ombreiras das portas que ganham subitamente vida.
Uma desilusão... duas... um amigo que desaparece... um amor que não volta e se perde nos escombros da vida.
Corro, corro, corro corro... para no fim, bem lá no fim, chegar a mim!!!
E volto a correr... não sei parar... não consigo.
E ignoro o cançaso que me sobe pelas pernas e me apanha o corpo todo.
Rio-me dele, na cara dele... Mas é um cansaço que não desiste.
E eu persisto em correr.
E curo as nódoas negras com o peso de outras que vão surgindo.
Uma esquina de uma mesa... um carrinho cheio de compras... um tropeção... dois... ombreiras das portas que ganham subitamente vida.
Uma desilusão... duas... um amigo que desaparece... um amor que não volta e se perde nos escombros da vida.
Corro, corro, corro corro... para no fim, bem lá no fim, chegar a mim!!!
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Curta metragem...a preto e branco
Deu-lhe a mão e tentou puxá-lo para cima... consigo.
O contrapeso estatelou-a naquela chão de vidros e gravilha.
Mas insistia em lhe dar a mão... sempre, porque vinha de sempre... e apesar do sangue que lhe escorria dos cortes e se misturava com as sua lágrimas secas e salgadas.
Tentou mover-se durante eternos momentos... e só conseguiu mais cortes... mais arranhões.
Quando os eternos momentos terminaram no tempo e no espaço... ergueu-se... finalmente.
Curou as feridas, os arranhõe e até as dores.
Rebuscou lá bem no fundo e resgatou um sorriso... que a espaços se vai abrindo no Mundo.
Mas manteve para sempre a sua pequena mão na mão dele.
O contrapeso estatelou-a naquela chão de vidros e gravilha.
Mas insistia em lhe dar a mão... sempre, porque vinha de sempre... e apesar do sangue que lhe escorria dos cortes e se misturava com as sua lágrimas secas e salgadas.
Tentou mover-se durante eternos momentos... e só conseguiu mais cortes... mais arranhões.
Quando os eternos momentos terminaram no tempo e no espaço... ergueu-se... finalmente.
Curou as feridas, os arranhõe e até as dores.
Rebuscou lá bem no fundo e resgatou um sorriso... que a espaços se vai abrindo no Mundo.
Mas manteve para sempre a sua pequena mão na mão dele.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Que me apetece...
Que me apetece... hummm... tanta coisa boa...
Passear na praia descalça, enquanto os miúdos correm à minha volta... à minha frente.
Sentar-me na areia molhada a refazer castelos.
Abrir a cesta do pic-nic e... simplesmente abrir a cesta do pic-nic.
Enrolar-me num cadeirão, com uma manta quentinha em volta dos ombros... a ler... a ouvir o falar do mar... e conversar com ele. E a beber um chocolate quente.
Sentir o teu cheiro... saber-te a respirar ao meu lado.
Dar-te a mão horas a fio... em silêncio... como o fizémos tantas vezes... como o sonhámos tantas outras...
As nossas lágrimas secas enrolam-se umas nas outras e escorregam-me sem preocupações pela cara.
Desaprendi tudo.
Passear na praia descalça, enquanto os miúdos correm à minha volta... à minha frente.
Sentar-me na areia molhada a refazer castelos.
Abrir a cesta do pic-nic e... simplesmente abrir a cesta do pic-nic.
Enrolar-me num cadeirão, com uma manta quentinha em volta dos ombros... a ler... a ouvir o falar do mar... e conversar com ele. E a beber um chocolate quente.
Sentir o teu cheiro... saber-te a respirar ao meu lado.
Dar-te a mão horas a fio... em silêncio... como o fizémos tantas vezes... como o sonhámos tantas outras...
As nossas lágrimas secas enrolam-se umas nas outras e escorregam-me sem preocupações pela cara.
Desaprendi tudo.
Ping...
ping...ping...ping...
Reviro-me na cama sem conseguir voltar a adormecer.
Culpo a torneira... ping... que não não consigo fazer parar de pingar.
Culpo o barulho do motor do frigorífico que também acordou.
Culpo a corrente de ar que abana a porta que bate baixinho em pancadas secas.
ping... ping...ping...
A cabeça vazia contorce-se em pensamentos agri-doces.
E tenho saudades do que é era suposto ter sido... e ficou suspenso.
Reviro-me na cama sem conseguir voltar a adormecer.
Culpo a torneira... ping... que não não consigo fazer parar de pingar.
Culpo o barulho do motor do frigorífico que também acordou.
Culpo a corrente de ar que abana a porta que bate baixinho em pancadas secas.
ping... ping...ping...
A cabeça vazia contorce-se em pensamentos agri-doces.
E tenho saudades do que é era suposto ter sido... e ficou suspenso.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Orgulho ferido em troco de paz.
Orgulho engolido em troco de serenidade.
O peito crivado de espinhos que teimam em contorcer-se na pele... na carne... e avançam direitos ao coração... que gela.
Lágrimas secas escorrem pela face... teimosamente.
O andar acelera... entorpece... escorrega...volta a acelerar. Sem nunca sair de onde está.
Porque está preso a um chão... a este chão. ´
Uma húmidade entranha-se pelas solas dos pés e escorrega corpo acima... até à pontinha dos dedos. Que se enternecem com o calor que tenta trespassar a pele... e não consegue... não consegue... não consegue.
Orgulho engolido em troco de serenidade.
O peito crivado de espinhos que teimam em contorcer-se na pele... na carne... e avançam direitos ao coração... que gela.
Lágrimas secas escorrem pela face... teimosamente.
O andar acelera... entorpece... escorrega...volta a acelerar. Sem nunca sair de onde está.
Porque está preso a um chão... a este chão. ´
Uma húmidade entranha-se pelas solas dos pés e escorrega corpo acima... até à pontinha dos dedos. Que se enternecem com o calor que tenta trespassar a pele... e não consegue... não consegue... não consegue.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Receita para Principes
Ingredientes:
1 sapo gordo e reluzente
2 doses de inteligência
1 dose de perspicácia
Muito bom sentido de humor
Algum estilo
Saber falar português
Gosto pela leitura
2 doses de paciência
1 dose de tolerância
1 sorriso lindo e genuino
1 par de mãos lindas
Mistura-se tudo, polvilha-se com muito saber falar português e gosto pela leitura, e dá-se um beijo no final.
Quem sabe... Talvez resulte...
1 sapo gordo e reluzente
2 doses de inteligência
1 dose de perspicácia
Muito bom sentido de humor
Algum estilo
Saber falar português
Gosto pela leitura
2 doses de paciência
1 dose de tolerância
1 sorriso lindo e genuino
1 par de mãos lindas
Mistura-se tudo, polvilha-se com muito saber falar português e gosto pela leitura, e dá-se um beijo no final.
Quem sabe... Talvez resulte...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Em mim
Ando, ando, ando... às voltas... em circulos. Sem sair do lugar.
Primeiro tenho um pé preso... depois os outro. As mãos dormentes. Branca... muito branca cambaleio até ao pontão. Em tropções abruptos e descoordenados.
E enrolo-me em mim. Talvez uns dois dias.
E renasço vezes sem conta... sempre ao primeiro amanhecer.
Primeiro tenho um pé preso... depois os outro. As mãos dormentes. Branca... muito branca cambaleio até ao pontão. Em tropções abruptos e descoordenados.
E enrolo-me em mim. Talvez uns dois dias.
E renasço vezes sem conta... sempre ao primeiro amanhecer.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Wallyyyy!!!!!!
Um saco de berlindes... um pião... um livro... tudo dentro do bolso da camisa.
A praia deserta... gaivotas em terra, tempestade no mar.
"Wallyyyyy!!!!!!!!! Wallyyyyyyyy!!!"... um grito rasgado com o mar como pano de fundo.
Cheiro a sal, areia nos pés... onde estão os peúgos?... e a manta?...
E o pufe num canto eterniza a espera. A espera de um olhar parado, de uma naúsea sentida. A espera de um rasgão, de uma gota de sangue que escorre e se mistura nas lágrimas.
"Wallyyyy!!!"... susurra.
A praia deserta... gaivotas em terra, tempestade no mar.
"Wallyyyyy!!!!!!!!! Wallyyyyyyyy!!!"... um grito rasgado com o mar como pano de fundo.
Cheiro a sal, areia nos pés... onde estão os peúgos?... e a manta?...
E o pufe num canto eterniza a espera. A espera de um olhar parado, de uma naúsea sentida. A espera de um rasgão, de uma gota de sangue que escorre e se mistura nas lágrimas.
"Wallyyyy!!!"... susurra.
domingo, 18 de outubro de 2009
Lisboa
Olha só para ti!!! Olha só para mim!!!
Consegues olhar para dentro de nós??? De ti??? De mim???
Ainda consegues???
Ainda consegues ver alguma coisa???
Eu??? Um farrapo a cada lembrança... a cada sonho destruído... a cada esperança roubada.
Uma sombra do que fui... por opção... por escolha própria.
Eu??? Uma mar de luta... de revolta... de brusquidão...
Uma sombra do que sou a vaguear por esta Lisboa que partilhamos.
O que resta de um nós... Lisboa.
Consegues olhar para dentro de nós??? De ti??? De mim???
Ainda consegues???
Ainda consegues ver alguma coisa???
Eu??? Um farrapo a cada lembrança... a cada sonho destruído... a cada esperança roubada.
Uma sombra do que fui... por opção... por escolha própria.
Eu??? Uma mar de luta... de revolta... de brusquidão...
Uma sombra do que sou a vaguear por esta Lisboa que partilhamos.
O que resta de um nós... Lisboa.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Onde?
A saudade no futuro, de um passado... num presente entorpecido e enublado... vivido entre trambolhões e sorrisos.
Joelhos esfolados, pernas carregadas com nódoas negras... um história em cada uma... uma vida... uma vivência.
A saudade no presente, do passado... num futuro idealizado... a dois... a quatro mãos... sozinha... afinal sempre comigo.
Unhas partidas e cravadas na terra húmida... e escorregadia. Cabelo molhado pela força das lágrimas.
A saudade no passado, do futuro... num presente feliz. Uma saudade que acabará por ficar por lá... num passado preenchido a espaços... completo aqui e ali.
E aquele vazio tão cheio sempre de volta.
"Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?"
(Sozinho, Caetano Veloso)
Joelhos esfolados, pernas carregadas com nódoas negras... um história em cada uma... uma vida... uma vivência.
A saudade no presente, do passado... num futuro idealizado... a dois... a quatro mãos... sozinha... afinal sempre comigo.
Unhas partidas e cravadas na terra húmida... e escorregadia. Cabelo molhado pela força das lágrimas.
A saudade no passado, do futuro... num presente feliz. Uma saudade que acabará por ficar por lá... num passado preenchido a espaços... completo aqui e ali.
E aquele vazio tão cheio sempre de volta.
"Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?"
(Sozinho, Caetano Veloso)
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Improbilidades prováveis
Um epaço vazio...
Uma linha em branco... muitas...
Uma inexistência sentida ao limite das gotas de suor.
E um sorriso arrancado à pedrada das entranhas de um ser.
Um vento que sopra em tom de brisa, suavizando os dias cinzentos.
A poeira que se levanta e roça na pele sem autorização prévia.
O cheiro a terra na palma das mãos e as unhas sujas de lama.
Um sol a queimar a pela ressequida pelo sal do mar... enquanto as ondas batem suavemente nas rochas para não acordar o Mundo.
Uma nuvem a passear de mão dada com outra... em bicos de pés.
Quero estar lagarta e vou guardá-la numa caixa... também ela verde... verde clara!!!
Uma linha em branco... muitas...
Uma inexistência sentida ao limite das gotas de suor.
E um sorriso arrancado à pedrada das entranhas de um ser.
Um vento que sopra em tom de brisa, suavizando os dias cinzentos.
A poeira que se levanta e roça na pele sem autorização prévia.
O cheiro a terra na palma das mãos e as unhas sujas de lama.
Um sol a queimar a pela ressequida pelo sal do mar... enquanto as ondas batem suavemente nas rochas para não acordar o Mundo.
Uma nuvem a passear de mão dada com outra... em bicos de pés.
Quero estar lagarta e vou guardá-la numa caixa... também ela verde... verde clara!!!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Nunca
Separam-nos simples minutos... eternos segundos. Estaremos para sempre separados sem assim o termos desejado. A vida afastou-nos, mesmo quando sentados no mesmo sofá e a dividir a mesma manta, mantendo-nos ligados para sempre numa infinita ironia!!! A vida a fazer troça de nós...
Encostada a ti consegui sonhar. Mas... para quê? Para me esborrachar no chão de pedra no minuto seguinte. Vezes sem conta. E me levantar outras tantas vezes sem conta, com a boca cheia de sangue e a tentar ir ao fundo das minhas entranhas buscar a vontade de voltar a acreditar sempre?
Vale sempre a pena... dizem que sim... dizem que estamos vivos... irra! Estou cansada de viver de muletas na alma...
Até que se deixa de acreditar. Apesar de se voltar a sorrir.
Marcas profundas... feridas que nunca vão fechar. Nunca.
Encostada a ti consegui sonhar. Mas... para quê? Para me esborrachar no chão de pedra no minuto seguinte. Vezes sem conta. E me levantar outras tantas vezes sem conta, com a boca cheia de sangue e a tentar ir ao fundo das minhas entranhas buscar a vontade de voltar a acreditar sempre?
Vale sempre a pena... dizem que sim... dizem que estamos vivos... irra! Estou cansada de viver de muletas na alma...
Até que se deixa de acreditar. Apesar de se voltar a sorrir.
Marcas profundas... feridas que nunca vão fechar. Nunca.
sábado, 26 de setembro de 2009
Espinhos ao sol
Os espinhos cravaram-se-lhe primeiro numa mão... acabando por se alastrar ao resto do corpo durante toda uma vida sempre de luta, sempre com a armadura vestida. Excepção para um dia, um único dia em que viu uma nesga de sol e resolveu vivê-lo. Sem dúvidas que o viveu na sua plenitude. Respirou sem filtros, olhou sem máscaras, correu sem atilhos nas pernas, abraçou sem limites, beijou e beijou e tornou a beijar até ficar sem fôlego. No final do dia, quando confiou, quando acreditou que poderia guardar o fato de guerra... deu o seu último suspiro depois de ser apunhalada... de frente, no peito.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Vou morrer...
Vou morrer com uma pétala branca, de rosa branca, cravada no peito. Vou morrer com um ligeiro suspiro que solto, numa performance ensaiada durante anos... e repetida milhares de vezes até ter a certeza de que naquele dia correrá de forma perfeira. Porque não haverá encore...
Sei muitas coisas, sei muitas coisas que vão comigo e muitas coisas que por cá ficarão. Só não sei se sei as mesmas coisas que tu, só não sei se soube aprender contigo. Porque não tenho a ousadia de querer ensinar.
Quero egoisticamente aprender, beber dos outros e de ti. Lamber até à ultima gota o Mundo. Este Mundo de lama e sangue, de suor e dor, de alguns sorrisos... forçados... onde me mantenho erguida à força de pulso.
Procuro incessantemente um pouco de almas genuínas... e sempre que estou a um ponto de apanhar uma e a agarrar... ela escorrega-me por entre os dedos... e começa tudo outra vez.
Vou morrer num suspiro breve de uma felicidade cansada.
Sei muitas coisas, sei muitas coisas que vão comigo e muitas coisas que por cá ficarão. Só não sei se sei as mesmas coisas que tu, só não sei se soube aprender contigo. Porque não tenho a ousadia de querer ensinar.
Quero egoisticamente aprender, beber dos outros e de ti. Lamber até à ultima gota o Mundo. Este Mundo de lama e sangue, de suor e dor, de alguns sorrisos... forçados... onde me mantenho erguida à força de pulso.
Procuro incessantemente um pouco de almas genuínas... e sempre que estou a um ponto de apanhar uma e a agarrar... ela escorrega-me por entre os dedos... e começa tudo outra vez.
Vou morrer num suspiro breve de uma felicidade cansada.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Lembro-me...
Lembro-me tão bem... "vou estender a roupa. quem quer vir?". E lá ia eu de bola debaixo do braço, enquanto a minha irmã ficava em casa a brincar aos crescidos.
E eram momentos mágicos aqueles... Eu ia buscar as molas e as pequenas peças de roupa, que ela estendia. "uma camisola minha. Mais uma camisola minha. Umas calças gannndessss". Corria por entre a roupa e chutava a bola com força... "gooollloooooooo!".
Lembro-me de me aninhar no colo dela e lhe chamar "minha rainha", enquanto ela me apertava e me chamava "paixão".
Lembro-me de correr todas as manhãs para a cama dela, a que eu chamava "o teu mimo", para me aninhar nela, que estava sempre quentinha, e voltar a adormecer... ou conversar até a fome fazer doer o estômago.
Lembro-me de estender o guardanapo com bolinhos imaginários, feitos pela avó... e ela os comer deliciada.
Lembro-me tanto e de tanta coisa... Lembro-me de aprender a andar de patins com ela e do dia em que me tirou as rodinhas da bicicleta e me ensinou a andar.
Lembro-me quando me ia buscar à escola e me ouvia a contar o meu dia.
Lembro-me que tinha uma canção só para mim e ma cantava ao ouvido, quando me pegava ao colo como a um principe, e me contava as histórias do pirata dentolas e dos senhores do wresttling mesmo antes do adormecer.
"boa noite minha rainha!"
E eram momentos mágicos aqueles... Eu ia buscar as molas e as pequenas peças de roupa, que ela estendia. "uma camisola minha. Mais uma camisola minha. Umas calças gannndessss". Corria por entre a roupa e chutava a bola com força... "gooollloooooooo!".
Lembro-me de me aninhar no colo dela e lhe chamar "minha rainha", enquanto ela me apertava e me chamava "paixão".
Lembro-me de correr todas as manhãs para a cama dela, a que eu chamava "o teu mimo", para me aninhar nela, que estava sempre quentinha, e voltar a adormecer... ou conversar até a fome fazer doer o estômago.
Lembro-me de estender o guardanapo com bolinhos imaginários, feitos pela avó... e ela os comer deliciada.
Lembro-me tanto e de tanta coisa... Lembro-me de aprender a andar de patins com ela e do dia em que me tirou as rodinhas da bicicleta e me ensinou a andar.
Lembro-me quando me ia buscar à escola e me ouvia a contar o meu dia.
Lembro-me que tinha uma canção só para mim e ma cantava ao ouvido, quando me pegava ao colo como a um principe, e me contava as histórias do pirata dentolas e dos senhores do wresttling mesmo antes do adormecer.
"boa noite minha rainha!"
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Quem perdeu...
Os dados voltaram a rolar em cima da mesma toalha de plástico com flores garridas de sempre. Onde sempre foi perdendo.
Uma mesa redonda onde há anos perde a paz, a calma, a serenidade... ou terão só sido alguns meses? Perdeu a conta ao tempo, que lhe trocou as voltas... naquela sala escura e com cheiro a tabaco... onde semana após semana esborratou o baton e o rimel cuidadosa e meticulosamente posto para o momento.
Os dados rolaram mais um vez... e mais uma vez pôs em cima da mesa de madeira da avó o sorriso, o acreditar, a alma... que tantas vez perdeu e recuperou, entre uma passa num cigarro amarfanhado e um golo de amêndoa amarga.
E fechou os olhos e esperou...desta vez não houve lágrimas a atraiçoarem-na.
Os dados pararam... finalmente.
Já não suporta o barulho dos dados a girar que se agiganta ensudecedouramente à frente dos seus olhos. Por isso os fecha... numa tentativa patética de não ouvir aquele barulho que a fere.
Os dados pararam... mas aquele silêncio era ainda mais ensurdecedor que o girar daqueles dois cubos gastos pelos ventos dos anos.
Teve medo, tanto medo de abrir os olhos e ter de entregar a serenidade outra vez... abriu os olhos ligeiramente e suspirou... por agora a sernidade continuava na sua mão.
E sente que poderá... talvez... recuperar o acreditar que continua do lado de lá.
"A noite acabou
O jogo acabou
Para mim aqui
Quando acordar
Já te esqueci
O filme acabou
O drama acabou
Acabou-se a dor
Tu sempre foste um mau actor
Fizeste de herói no papel principal
Mas representaste e mentiste tão mal
Quem perdeu foste tu só tu e nunca eu
Afinal hoje o papel principal é meu e só meu"
(Adelaide Ferreira - Papel Principal)
Uma mesa redonda onde há anos perde a paz, a calma, a serenidade... ou terão só sido alguns meses? Perdeu a conta ao tempo, que lhe trocou as voltas... naquela sala escura e com cheiro a tabaco... onde semana após semana esborratou o baton e o rimel cuidadosa e meticulosamente posto para o momento.
Os dados rolaram mais um vez... e mais uma vez pôs em cima da mesa de madeira da avó o sorriso, o acreditar, a alma... que tantas vez perdeu e recuperou, entre uma passa num cigarro amarfanhado e um golo de amêndoa amarga.
E fechou os olhos e esperou...desta vez não houve lágrimas a atraiçoarem-na.
Os dados pararam... finalmente.
Já não suporta o barulho dos dados a girar que se agiganta ensudecedouramente à frente dos seus olhos. Por isso os fecha... numa tentativa patética de não ouvir aquele barulho que a fere.
Os dados pararam... mas aquele silêncio era ainda mais ensurdecedor que o girar daqueles dois cubos gastos pelos ventos dos anos.
Teve medo, tanto medo de abrir os olhos e ter de entregar a serenidade outra vez... abriu os olhos ligeiramente e suspirou... por agora a sernidade continuava na sua mão.
E sente que poderá... talvez... recuperar o acreditar que continua do lado de lá.
"A noite acabou
O jogo acabou
Para mim aqui
Quando acordar
Já te esqueci
O filme acabou
O drama acabou
Acabou-se a dor
Tu sempre foste um mau actor
Fizeste de herói no papel principal
Mas representaste e mentiste tão mal
Quem perdeu foste tu só tu e nunca eu
Afinal hoje o papel principal é meu e só meu"
(Adelaide Ferreira - Papel Principal)
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Cigarro
Acorda cinco segundos exactos antes do despertador do telefone querer tocar. Faz um sorriso porque mais uma manhã em que lhe trocou as voltas e o desligou sem o deixar acordá-la em sobressalto. Levanta-se com o cabelo em desalinho e a boca empastada, a saber mal. Toma os comprimidos da manhã e enrola um cigarro, enquanto bebe um copo de leite com chocolate.
Acende o cigarro com o mesmo fósforo que usa para acender o fogão onde aquece a água com que se lava.
Toma um banho apressado enquanto um refogado que começou de forma despreocupada quase queima; entorna a carne lá para dentro e vai-se vestir. O cigarro seguinte é acendido no bico do fogão e é partilhado com uma fatia de pão com manteiga e uma festa no gato.
O cheiro a tabaco e a cebola mistura-se-lhe nas mãos... pontas dos dedos amarelecidas... unhas queimadas.
Uma hora depois sai de casa.
Volta ao fim do dia depois de mais uma rotina cumprida.
E ali fica... cigarro colado entre os dedos...
E ali fica a equilibrar-se na ponta da vida... de uma vida.
O cheiro a cebola e tabaco ainda não saiu das mãos.
Acende o cigarro com o mesmo fósforo que usa para acender o fogão onde aquece a água com que se lava.
Toma um banho apressado enquanto um refogado que começou de forma despreocupada quase queima; entorna a carne lá para dentro e vai-se vestir. O cigarro seguinte é acendido no bico do fogão e é partilhado com uma fatia de pão com manteiga e uma festa no gato.
O cheiro a tabaco e a cebola mistura-se-lhe nas mãos... pontas dos dedos amarelecidas... unhas queimadas.
Uma hora depois sai de casa.
Volta ao fim do dia depois de mais uma rotina cumprida.
E ali fica... cigarro colado entre os dedos...
E ali fica a equilibrar-se na ponta da vida... de uma vida.
O cheiro a cebola e tabaco ainda não saiu das mãos.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
S.O.S.
Um guilty pleasure?
Um ponto final? Mais um? Uma virgula? Um ponto e virgula?
A vida regida pela gramática. Na ponta de um lápis de carvão que se esborrata ao sabor de uma lágrima teimosa. E tudo recomeça depois de um ponto final e parágrafo. Com travessão. Há uma palavra a dizer.
E as palavras começam a escorregar pela ponta do tal lápis de carvão... e rodopiam no sentido da mão. E descem incontroláveis, ao ritmo de um único sentimento... a honestidade que rege.
Apagar? Apagar para recomeçar? Onde está a minha borracha? Tinha tantas... vindas de Espanha... ineficazes.
Uma luta, mais uma?... num recomeço, de muitos recomeços.
Um S.O.S.?
"Where are those happy days, they seem so hard to find
I try to reach for you but you have closed your mind
What ever happened to our love?
I wish I understood
It used to feel so nice, it used to be so good
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, well I try, how can I carry on?
You seem so far away but you are standing nearer
You make me feel alive but something died I fear
I really tried to make it out
I wish I understood
What happened to our love, it used to be so good
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, ooh I try, how can I carry on?
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, ooh I try, how can I carry on?
When you're gone, how can I even try to go on?When you're gone, ooh I try, how can I carry on?"
(S.O.S., ABBA)
Um ponto final? Mais um? Uma virgula? Um ponto e virgula?
A vida regida pela gramática. Na ponta de um lápis de carvão que se esborrata ao sabor de uma lágrima teimosa. E tudo recomeça depois de um ponto final e parágrafo. Com travessão. Há uma palavra a dizer.
E as palavras começam a escorregar pela ponta do tal lápis de carvão... e rodopiam no sentido da mão. E descem incontroláveis, ao ritmo de um único sentimento... a honestidade que rege.
Apagar? Apagar para recomeçar? Onde está a minha borracha? Tinha tantas... vindas de Espanha... ineficazes.
Uma luta, mais uma?... num recomeço, de muitos recomeços.
Um S.O.S.?
"Where are those happy days, they seem so hard to find
I try to reach for you but you have closed your mind
What ever happened to our love?
I wish I understood
It used to feel so nice, it used to be so good
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, well I try, how can I carry on?
You seem so far away but you are standing nearer
You make me feel alive but something died I fear
I really tried to make it out
I wish I understood
What happened to our love, it used to be so good
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, ooh I try, how can I carry on?
So when you're near me, darling can't you hear me S.O.S.
The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.
When you're gone, how can I even try to go on?
When you're gone, ooh I try, how can I carry on?
When you're gone, how can I even try to go on?When you're gone, ooh I try, how can I carry on?"
(S.O.S., ABBA)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Thanks Frank
Perto dos 38 despeço-me dos 37 dedicando-me este "poema".
Sim, mereço... se mereço!
Porque cada etapa da nossa vida deve ser comemorada e homenageada. Pelos erros e conquistas, pelas alegrias e dores... pelo que crescemos... pelos sorrisos e lágrimas que espalhamos.
Porque olho para trás e vejo-me com orgulho... E por que olho para a frente e vejo-me com esperança.
Sim... Mereço!
"And now
the end is near
And so I face
the final curtain
My friend, I'll make it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full
traveled each and every highway
But more, more than this
I did it my way
Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
I saw it through without exemption
I planned each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way
Yes there were times,
I guess you knew
When I bit off more than I could chew
And with it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I grew tall
throught it all
And did it my way
I've loved, laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
But now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
no, no, not me
I did it my way
For what is a man, what has he got?
If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows, I took the blows
And did it my way"
(MY WAY - FRANK SINATRA)
Sim, mereço... se mereço!
Porque cada etapa da nossa vida deve ser comemorada e homenageada. Pelos erros e conquistas, pelas alegrias e dores... pelo que crescemos... pelos sorrisos e lágrimas que espalhamos.
Porque olho para trás e vejo-me com orgulho... E por que olho para a frente e vejo-me com esperança.
Sim... Mereço!
"And now
the end is near
And so I face
the final curtain
My friend, I'll make it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full
traveled each and every highway
But more, more than this
I did it my way
Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
I saw it through without exemption
I planned each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way
Yes there were times,
I guess you knew
When I bit off more than I could chew
And with it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I grew tall
throught it all
And did it my way
I've loved, laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
But now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
no, no, not me
I did it my way
For what is a man, what has he got?
If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows, I took the blows
And did it my way"
(MY WAY - FRANK SINATRA)
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