quarta-feira, 5 de maio de 2010

...de mim...

Vou ter saudades de mim... mas... é impossivel voltar... recuar.
Vou sentar-me naquele banquinho... ali ao canto... e adormecer... e sonhar... comigo.
Terei para sempre orgulho... do que fui... do que sou... do que serei.
As manchas do tempo não saiem.
Vou enrolar-me no cantinho... tipo bichinho de conta... e viver... comigo... com o meu sorriso.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vamos comemorar!!!

Vamos comemorar a vida. Brindemos aos dias felizes, às gargalhadas genuinas, aos sorrisos inocentes.
Vamos comemorar, pura e simplesmente comemorar... porque nos apetece... sem razão especial e por todas as razões do Mundo. Brindemos aos amores eternos, às amizades verdadeiras, à lealdade.
Façamos manifestos contra a mediocridade... pintemos os muros com palavras de ordem... deitemos abaixo os preconceitos... derrotemos os hipócritas.
Vamos comemorar a liberdade de pensamento... vamos comemorar a capacidade de pensar... mesmo que isso irrite o Mundo dos Mundos.

sábado, 1 de maio de 2010

Canetas

Doiem-me as mãos, mas não consigo parar de escrever. É um impulso, não largo a caneta. Um manifesto.
E no dia em que morrer quero ser enterrada com um caderno e uma caneta... e de chinelas. Essa sou eu... essa serei eu.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Filtros

Sento-me no chão em frente à janela. Um vidro muito limpo tenta não distorcer o que se vê do outro lado.
Através da janela vejo a relva crescer, os pequenos insectos a começar o dia, as florinhas abrir as pétalas com o sol da manhã que parece irradiar uma alegria cansada.
Um pé gigante passa e esmaga tudo à sua passagem... que murcha... uma nuvem escura paira agora.
Abro a janela... depressa... tudo passou...

domingo, 25 de abril de 2010

descalça

Juntei os pés e cheguei-os à pontinha do muro. Durante horas olhei para os meus pés. Durante horas mantive-me sentada na beira do muro. O mar em baixo. O céu ao fundo. Um barco... dois.
E depois do sol se pôr... bem lá ao fundo... levantei-me e fui-me embora. Descalça.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sentidos

O medo vem... vai. Impede-nos de saltar... faz-nos temer o depois... de não saltar.
A confiança vai... e vem. Faz-nos sorrir, seguir, continuar... mesmo depois de saltar.
O sorriso vem... fica... vai... volta. Faz-nos lembrar que saltámos... ou não. Faz o nosso sol brilhar... sempre.
A dor obriga-nos... a cair, a levantar, a ser, a estar, a sentir... a sentirmo-nos... a estarmo-nos.
Até que se descobre um sentido... o sentido... o nosso.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Os melhores beijos do Mundo

Um beijo terno fê-lo despertar. Resmungou, refilou pela janela aberta e voltou a tapar-se até às orelhas. O despertador tocou, começou a sentir-se o movimento, a preciana a abrir. Mais um beijo.
Beijos dados, beijos retribuidos... com doçura... com amor... com paixão. Com garra, muita garra pela vida vivida e pela vida para viver.
O que ficou por viver foram somente promessas vãs ou então sonhos desfeitos, que se recompuseram noutros... que caminharam com bases a cada dia mais sólidas.
Poderemos fingir que voltamos atrás... para dar o beijo esquecido. Mas até aí estamos a andar para a frente.

sábado, 10 de abril de 2010

english experience

save me... save me from me... save me from everything.
put me in a safe place... maybe at a pedestal... ou simplesmente num lugar bem alto... bem longe. where anyone, even you, even me, can't reach.
smile for me... everyday... everytime... ou simplemente sorri. a smile from inside, from my heart. betting anxiously for me... from me.

muros

Um muro grande, branco, brilhante... algumas manchas escuras... que se esbatem ou escurecem ao ritmo das batidas de um coração. Ao ritmo dos ritmos. Ao ritmo da vida... das vidas.
Escorregamos ao sabor da chuva, em compassos de cheiros e sentidos... pequenos toques... as mãos fecham-se uma na outra... apertam-se.
A mentes voam muito além... numa só... soltas. O corpo enrodilhado naquela beira de muro e de estrada... ao lado de uma papoila minúscula.
A alma vai e volta... rodopia... desliza...cruza-se.
E o sol brilha sempre e muito. Obriga-nos a fechar os olhos... a serrar os punhos... e a seguir sorrindo.

domingo, 4 de abril de 2010

Acreditar

Um vento Norte soprou-me de mansinho e obrigou-me a fechar os olhos. Rodopiei sobre mim mesma e em mim mesma horas a fio.
E agora? E se abro os olhos? Tento em vão faze-lo... mas tudo continua a rodopiar à minha volta. Sinto uma náusea... estatelo-me no chão. E ao mesmo tempo volto a cerrar os olhos.
Talvez até o vento abrandar... talvez para sempre.
Mantenho os olhos fechados e aprendo a ver assim. Vou tateando até conhecer as cores do Mundo pela ponta dos dedos. Reaprendo a viver. Reaprendo a sorrir. Reaprendo tudo, menos a acreditar.
Voltar a acreditar parece-me uma impossibilidade. Voltar a acreditar está ali... à distância de um passo... um passo para mais um abismo!?!?

Texto para a Fábrica das Letras - O Abismo

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sim, estou de mau humor...

Sim, estou de mau humor.
E então? Também tenho direito.
E quero estar assim.
Não tentem dissuadir-me porque quero estar como o tempo... cinzenta.
Pelo menos por hoje.
Não adianta malabarismos ou passes de magia... estou assim e ponto final.
Sim, estou de mau humor.
Não escolhi estar assim... mas escolho ficar assim... por um tempo.
Quanto? Sei lá?
Por algumas horas... por meses... para sempre. Com disfarces.
Quam sabe. Eu não. Nem me preocupo com isso.
Sim, hoje estou de mau humor.

quarta-feira, 24 de março de 2010

De regresso a mim

Estou de regresso a mim... finalmente... Num silêncio bom.
Andei por fora... tanto tempo... tantas vidas.
Minutos que pareceram anos... anos que foram segundos.
Rasguei-me, sem nunca me curvar.
Cresci... metros a fio.
Juntei novos companheiros nesta caminhada... deixei outros pelo caminho... e outros ainda nos seus caminhos.
Respeito... respeitos mil.
Finalmente... de regresso a mim... em silêncio.

Para Fábrica das Letras - "Silêncio"

terça-feira, 16 de março de 2010

Tesouro

Esgravato na terra... à procura de um tesouro... do meu tesouro.
E alguém o tirou de lá.
A terra já está remexida...seca.
A terra entranha-se nas unhas e na pele. Afasto pedras, arranco ervas. E a terra encarde-me a pele e a alma. Nunca mais sairá de mim.
E é esse o meu tesouro.

Alma à solta

Não sou de cá... não pertenço aqui. Mas estou cá... incrustada.
Um corpo emperdernido, sem movimentos. Uma mente ágil, esvoaçante.
Uma mente que é de cá, de lá, daqui e dali. Sem na realidade ser de cá ou de de lá, daqui ou dali.
Um corpo, matéria... que é daqui e por aqui acabará.
Um alma à solta por este e por outros mundos.
Uma trancendência que me transcende o aqui.
Que me confunde, me atira ao chão, me levanta... para depois começar tudo de novo.
Até à paz!!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Vi

Vi, está visto, materializado.
Sempre existe.
Mas tu já não és tu... não existes.
És-me estranho, indefinido... sem contornos...os que conheci.
Sinto pelo que não vivemos e me foi prometido... mas o meu lugar já não é lá.
Quero respirar... devagar. Deixar as lágrimas correr... sem pressas.
E seguir sorrindo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Respiro... sinto...

Um sonho, uma nuvem, uma sombra...
Caminho em linha recta, aos zigue-zagues. Constantes contrasenços que me fazem sorrir.
Levanto a cabeça, sigo em frente. Tropeço vezes sem conta, mas caminho sempre...coluna direita... cabeça erguida.
Pairo...
Cruzo-me e descruzo-me. Sento-me e respiro.
Aprendi e respirar. E é tão bom!!!
Os músculos relaxam...penso...sinto...sinto...sinto...
E desejo-te bem... desejo-vos bem... apesar de terem o mal.
Sigo em frente... respiro... sinto.

Ventos fortes

Trazia a alma amordaçada... os dedos das mãos amarrados... o coração em pequenos pedacinhos de papel... Vinha envelhecido antes de tempo.
Foi-se chegando, tomando conta de mim... tirou-me a energia e passou a respirar através dela.
Foi ficando...permanecendo... e tirou-me o sorriso, as forças, a inocência que me restava.
Partiu... e deixou-me com a alma amordaçada e o coração em pequenos pedacinhos de papel... Fiquei envelhecida antes de tempo.
Até outros ventos soprarem.

Fábrica das Letras - Velhice

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Misticas

Uma pontinha de dor sobe-me pelo braço acima... e aquele sorriso que não tira os olhos de mim.
Viro a cara, mas ele está sempre lá... em todas as paredes, atrás das estantes, dentro dos armário...
Tento em vão fugir dele e alimentar aquela dor. Anos a fio.
Uma certa melâncolia fica sempre bem... cria uma certa mística à minha volta.
Mas um dia, nem sei bem quando... nem me preocupo em saber... cedi.
E deixei de virar a cara... a mística mantem-se.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Admito...

Tenho que admitir que a caneta às vezes pesa toneladas na minha mão com a pele enrugada e seca.
Tenho de admitir que por vezes a cabeça se esvazia... mas não abre espaço para mais nada.
Tenho de admitir que há dias em que ganho uma imensa surdez... e tento em vão uma cegueira.
Tenho que admitir que em certos dias as pernas vão pesando até tombarem sobre o colchão empoeirado.
Tenho que admitir que... apesar de tudo... não desisto. E nem sei porquê.
Questiono-me que força me move... E não consigo descobrir.
Questiono-me o que me tráz à tona nos dias mais cinzentos... mas a resposta parece estar para lá do lá e do além.
Um esforço incansável... onde as pequeníssimas descobertas são vitórias estrondosas.
E, tenho de admitir que... apesar do cansaço... continuo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Borboletas

Uma pequena lagarta cheia de pequenas pintinhas coloridas e pelinhos nas patas passeia-se pela palma da minha mão.
Sem medo do que o futuro lhe reserva aproveita o sol do dia e a ligeira brisa que corre.
Em breve será um borboleta.
Maravilhosa!
Acredita.