segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Em vão...

Cansada prossigo... com a sensação de que tudo será muito provavelmente em vão. Tudo vai acabar um dia. Mas não consigo desistir, não me está na alma, não é o sangue que me corre nas veias.
Baixar os braços? Confortável, mas impensável. Quem me dera. Descansar, por um pouco só que fosse, a alma.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Lá fora

Lá fora uma neve miudinha vai tapando tudo. Com fervorosa dedicação tece uma manta branca, ponteada aqui e ali por pontinhos teimosos que teimam em não se deixar cobrir. Uma cobertura fria, mas que de dentro de casa, do quentinho da lareira, que já está acessa à uns três dias, parece ser feita de açucar. E é aí que a imaginação pode voar... e nem é preciso fejar os olhos.
Lá fora um vento fraco, mas árido, percorre o ar, junto ao chão, alisando esta manta de neve que se cria rogoso. E destapa alguns pontos, para ir mais à frente tapar outros. Empurra folhas que resistem ao mau tempo e pequenos grãos de terra.... um ramo ou outro.
Um jogo da apanhada, uma brincadeira de inverno.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Dores d'alma

O que fazer quando um filho nos chora desolado nos braços? O que fazer quando o nosso bebé começa a perceber que andar por cá não é das tarefas mais fáceis? Que por vezes doi, magoa, amachuca...
O que fazer quando um filho percebe que muitas dessas dores mortais são causadas por quem mais ama? Por quem o devia amar e proteger das intempéries... e estar sempre lá.
Tento transferir para mim essas dores, engolir-lhe o choro... tirar-lhe tudo o que o fere.Mas não dá. Abraço a minha cria até ouvir uma voz de choro já fraca dizer... mãe, estás a apertar-me muito. No meu inconsciente tentei assim que tudo ficasse bem. Mas não dá.
Dor de mãe é isso mesmo... uma dor de incapacidade, de impotência, de revolta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Chuva

A chuva volta a fustigar as pedras da calçada. Penso que vem para limpar alguns dos meus desertos.
Chove há dias sem parar e com a promessa de continuar.
Os desertos mantêm-se inalteráveis.
Talvez devesse aprender a viver com eles em vez de os tentar erradicar. Penso...
Conclusões?... Provavelmente só as terei depois de morrer... a grande conclusão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Gosto

Gosto deste sol de Outono, que me aquece debaixo do casacão que teimo em usar mal os primeiros ventos frios passam por Lisboa. Gosto de um livro que me faça companhia, de uma manta nas pernas e um chá quente na minha casa... com o sol a entrar pela janela e a iluminar-me as vidas.
Gosto do cheiro a doce de abóbora com canela e a marmelada que se passeia pelas ruas da minha casa e se perde por baixo das portas.
Gosto de ouvir os miúdos a brincar e de os sentir sempre por perto. Gosto de ver televisão agarrada a eles ou de fazermos jogos de palavras.
Gosto de receber uma mensagem de um amigo... um telefonema do meu pai... de conversas longas e gargalhadas (muitas garlagalhadas) com as minhas amigas de sempre.
Benvindos ao meu mundo!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hoje

Hoje... só hoje... apetece-me que chova... apetece-me comer castanhas assadas e cheirá-las.
Apetece-me passear debaixo do chapéu de chuva e sentar-me a ver o Tejo. E ali ficar... até lavar as mágoas que me restam.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Não desanimes

"Não desnimes..."... "Não desanimes..."... "Não desanimes"... dizem-me. Eu tento. Eu luto. Eu penso com o copo meio cheio. Mas nem sempre o sinto.
Por vezes um cansaço de tudo abate-se sobre mim e parece que deixo de respirar. Baixo os braços, enrosco-me em mim e... e amanhã é outro dia.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Colo

Nunca te sentes sozinho? Como se o mundo estivesse com todo o seu peso dentro do bolso das tuas calças?... Olhas em volta e sentes-te enredado na tua nuvem. Em redor os sons vão-se sumindo e as formas vão-se esbatendo.
Não tens em quem te enroscar. Queres deitar a tua cabeça num colo que não existe. Já não o sabes fazer.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Inquietação

Ando inquieta nos meus caminhos. Um sobressalto bom invade-me a cada momento. Percorre-me o corpo e finalmente respiro. Respiro fundo, várias vezes. Fecho os olhos e deixo-me levar por mim. Pairo ligeiramente. Dou-lhes a mão, sento-os no meu colo e abraço-os. O imprevisto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Escolhas

Podia escolher ter uma fobia e não entrar no Metro.
Podia escolher enconder-me em casa, debaixo dos leçois.
Podia escolher sentar-me no sofá horas a fio a ver televisão... cigarro, que não fumo, ao canto dos dedos... cinza espalhada no chão.
Podia escolher a inexistência...
Mas não... por pura teimosia escolho guardar numa caixinha o meu lado cinzento escuro e enfretar a vida de frente... para o que der e vier. E sim... doi muito mais... ou doi de maneira diferente.
Mas a decisão está tomada, e estas é daquelas em que não dá para voltar atrás... por pura teimosia e como muito esforço.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nunca esquecerei

Nunca esquecerei que me deste a mão em várias momentos em que os sorrisos se escondiam. Nunca esquecerei que estavas sempre por lá. Com um palavra amiga, um abraço, um girar de emoções.
E eu absorvi todas essas energias... e fui descendo sempre um pouco mais.
A milhares de segundos de distância... daquele momento em que a vida era vivida ao segundo... nunca me esquecerei que me deste sempre a mão para me apresionares a ti... lá em baixo.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vou dar o meu coração...

Um destes dias deito fora o meu coração... não serve para nada... ninguém o quer. Para que serve um coração que ninguém quer? Só ocupa espaço e a espaços cria ansiedades desnecessárias. Bate descompasadamente, corta-me a respiração. Veio sem instruções e não o sei regular.
Fico com a máquina que bombeia sangue.
O coração... esse? vou dar... a quem fizer melhor uso dele.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Paixões

Paixões? O que é isso? Nunca mais... Até ao dia em que a caixa de pandora se abre. E depois... the same old. Afinal não dá... por qualquer motivo de nada ou por todos os motivos do mundo. E lá volto para a chamada zona de conforto, entre as páginas de um livro e um copo de vinho. E abençoo a alegria de me saber viva. E reforço convicções. E abraço(-me) (a)os amores de sempre.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Refém de Lisboa

Cheira a primavera neste agosto em que me encontro refém de Lisboa. Fiquei.
Enquanto todos rumam a caminho de um qualquer outro lugar... eu permaneço. Sem lutas, sem me debater contra moinhos de vento.
E aproveito o que esta Lisboa tem para me dar neste agosto.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Comboios

Parei para ver passar o comboio... daqueles que não páram em todas as estações e apeadeiros.
Ele passou... eu acenei.
Voltei ao meu recanto minutos depois.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Morrer de amor

Morre de amor quem ama de verdade, de forma incondicional. Morre de amor quem um dia acorda e a cama ao lado ficou vazia. Morre de amor quem um dia prepara as torradas e o café para dois, quando já só há um. Morre de amor a quem o sorriso é roubado e as lágrimas secam.
Depois... teatraliza-se. Finge-se que nada aconteceu... Segue-se em frente. The show must go on!?!?!?

domingo, 29 de julho de 2012

Passados

A minha energia vai baixando até quase ao ponto do não retorno. Os pensamentos correm à velocidade da magia, mas abafam a imaginação e os sonhos. É o poder do ontem... o passado que ganha força, que se agiganta e se instala na minha sala. Há dias em que vem para ficar. E eu rendo-me. Aprendi que não adianta lutar, que a luta para me soltar dessas amarras só o alimenta e lhe dá mais força. Sei que quando se cansar me abandona outra e outra vez... e eu volto a sorrir.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Aqui estou eu... de novo.

Aqui estou eu... de novo. Está tudo tão diferente! Mas... é tudo tão estranhamente familiar.
Movo-me com um à vontade que me enobrece... e ao mesmo tempo me comove.
Chego-me a estranhos... converso um pouco e sigo caminho... até ao estranho seguinte.
Os contrastes acentuam-se... movem-se e mudam de lugar.
E eu? Eu permaneço. Numa imobilidade que me leva além fronteiras, para lá do mundo...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Aquilo que parece...

Aquilo que parece uma ruga não é. É uma marca? É uma cicatriz? Quem sabe.
É algo que vida me sulcou no rosto e lá foi ficando.
É algo que me faz lembrar todos os dias que este dia é mais um... a somar a tantos milhares de outros onde sorrisos e lágrimas se cruzaram e se completaram.
Aquela ruga... ou seja lá que nome tem... é só mais uma marca de guerra, uma prova de que estou viva. Um motivo de orgulho.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Realidade

Um pontinho de luz forma-se em mim. Uma ideia que cresce, sempre mais e mais até quase ao seu estado de exaustão.
Antes de rebentar num mar de estrelas sem fim... esvazia-se tolhido pela ferocidade da realidade.